Penélope

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Infelizmente meus dias de paz, frio e neve estão chegando ao fim.Não quero voltar para casa e me preparar para assumir a empresa, inferno! Minha mãe poderia muito bem ter tido outra herdeira, mas não, tinha que tentar criar a filha geneticamente perfeita em laboratório e colocar em uma barriga de aluguel para não estragar seu corpo, e deixar com as babás para não ter estresse nem ficar sem dormir e nem...bom, pra quê ter filhos se não vai criá-los não é mesmo? "Porque eu preciso de alguém confiável para gerir os negócios da família, a gente já conversou sobre isso,Penélope, agora vai arrumar algo para fazer que eu estou cheia de trabalho."

Por sorte consegui convencê-la a me deixar passar um tempo fora, tirar um ano sabático que acabaram virando anos, vim estudar desenho e história da arte na Europa, escolhi uma escola na Suíça e durante as minhas férias passeio pelos outros países, conhecendo museus e indo à exposições e concertos, pena que não posso expor esse lado meu, para o mundo, estou fazendo um intercâmbio para me preparar para assumir a empresa e acabar de vez com a concorrência, era só isso que minha mãe falava, quando lembrava que eu existo e vinha falar comigo.

Queria ser que nem a Isadora, minha vizinha que também estudou comigo e frequentava os mesmos eventos que eu e fazia minha mãe revirar os olhos toda vez que ela e seus pais chegavam nos lugares.O motivo? A empresa deles mostrou ser uma concorrente à altura e agora minha mãe está com medo de derrubarem o nosso império.Adoraria poder não me importar com isso mas não tenho outra opção, fui literalmente criada para ser a próxima CEO da IT.

Diferente de Isadora, que tem o amor e o apoio dos pais para fazer o que quiser, que é motivo de orgulho da família quando faz alguma coisa que ela gosta, lembro do último ano da escola que ela foi vítima de bullying por querer estudar música ou dança, aqueles babacas engomadinhos só querem saber de acumular mais e mais riqueza enquanto o mundo colapsa ao nosso redor mas ninguém percebe porque estamos presos numa grande gaiola de ouro maciço encrustada com diamantes.Eu não aguento mais essa vida.

Aproveito meus últimos dias aqui e vou praticar esportes radicais de inverno, vai que em algum desses eu sofro um acidente que me impede de viajar?Minha mãe foi bem clara quando disse que essa era a minha última semana "de vagabundagem" e que se eu não voltasse eu estaria sozinha e sem dinheiro em um país desconhecido, deserdada, completamente por minha conta, o que não seria uma má ideia se ela não tivesse bloqueado minha conta logo em seguida e parado de enviar minha mesada, tinha apenas o necessário para passar o resto do mês e um envelope para emergência.

Ela me queria de volta para me apresentar oficialmente como aprendiz a CEO na festa de fim de ano da empresa, já estava velha demais para começar a aprender sobre como funcionam os negócios da família, mesmo tendo apenas 22 anos e me sentindo muito jovem para assumir qualquer responsabilidade nesse nível mas ela começou com 17 enquanto ainda estava no último ano da escola e portanto eu tinha que seguir seus passos, ser igual ou melhor.




INESPERADOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora