1. Se você não soltar, eu atiro

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Meu nome é Felix, tenho 18 anos e faço faculdade de dança. Como todo adolescente, tenho segredos.

— Lix, preciso de você — Jisung entra no quarto sem bater, ofegante.

— Não tenho dinheiro — respondo, ainda de frente para o computador.

— Que? Não é isso — ele faz uma pausa, respira fundo. — Você pode hackear o celular do Minho pra mim?

Me viro devagar. — Você tá maluco? Só porque sei hackear não é motivo pra me usar pra ver se seu crush fala bem de você.

— Por favor, Lix, eu faço o que você quiser.

— Não.

— Por favor — insiste, num sussurro quase choroso.

Cedo. — Tá bom, mas vou precisar do número dele.

— Eu te amo, Lix — ele diz, me abraçando por trás. — Topa ir numa festa comigo?

— Topo, mas tenho que perguntar pra minha mãe. Você sabe como ela é protetora — faço aspas com os dedos.

— Ela deixa — Jisung sorri confiante. — Vou com você, tá com Deus.

— Quis dizer com o capeta, né? — respondo, rindo.

— Seu cretino — ele revira os olhos. — E você tá sabendo da Hwa Mafia?

— Tô. Esqueceu que meu pai é policial? Ele não para de falar dessas coisas.

— Verdade. Vou me arrumar. Te pego às oito.

— Combinado.

Enquanto Jisung vai embora, eu fico pesquisando sobre a Hwa Mafia — sempre me atraiu o mundo das máfias; tem algo de sombrio e fascinante. Meu sonho secreto era entrar pra uma, mas sou filho de policial e tenho que ser exemplo pra minha irmã.

— Filho, vem jantar! — minha mãe chama.

Desço, desligo o computador e atendo. Minha irmã aparece correndo e me joga os braços:

— Lix!

— Oi, princesa — pego ela no colo e respiro o cheiro doce do cabelo dela. — Como foi a escola?

— Foi legal.

— Vamos comer — minha mãe chama da cozinha. — E seu pai?

— Foi trabalhar. Ligaram pra ele sobre a Hwa Mafia.

— Ah — faço um som curto e sento. — Mãe, posso sair com Jisung hoje?

— Pode — ela responde sem hesitar.

Depois do jantar, ajudo a guardar a cozinha e conversamos um pouco. Me troco para a festa; antes de sair, abro a gaveta onde escondi a arma do meu pai e enfio-a na cintura. É um erro, eu sei — mas a sensação de poder é viciante.

— Cheguei, gato! — Jisung entra no quarto espalhafatoso.

— Que susto! — dou um pulo.

— Vamos — ele diz, já puxando minha mão.

A festa está lotada, música alta, luz estroboscópica. Eu e Jisung dançamos até que ele trava ao ver o Minho e me deixa no meio da pista. Vou ao bar pedir um drink, tentando me desprender do aperto que sinto no peito.

Ao sair do bar, trombo em alguém.

— Você tá cego? — a voz é arrogante, um cara na casa dos vinte anos.

— Foi mal — respondo, tentando recuar.

— Sabe quanto custou essa blusa, garoto? — ele segura meu pulso com força.

— Solta — digo, um pouco mais alto do que pretendia.

— Você tá doido? Levantar a voz pra mim? Quem você pensa que é? — ele aperta meu pulso.

A raiva ferve por um segundo. Sem pensar demais, puxo a arma e a encosto contra a cabeça dele.

— Solta agora. — Minha voz está fria. — Se você não soltar, eu atiro.

O cara arregala os olhos e, num segundo, me solta. Afasto-me com o coração batendo alto, a adrenalina queimando. A festa continua como se nada tivesse acontecido, mas eu sei que nada, ali, será o mesmo.

Hwa Máfia | HyunLixOnde histórias criam vida. Descubra agora