De todas as pessoas de dentro daquela universidade, Jungkook era a última pessoa que ele imaginaria que estaria ali lhe ensinando cálculo I. A voz era calma demais lhe explicando os processos enquanto escrevia todos os números, e Jimin sorriu quando notou a situação.
No fim, parecia que o diabo ria de si e do coração que insistia em bater rapidamente toda vez que o outro garoto se aproximava demais para apontar algum erro durante o percurso. Foram nesses momentos que o Park queria alcançar o terço de baixo da camiseta de algodão branca, mas suas mãos estavam ocupadas.
Então, pela primeira vez, ele não rezou quando seu corpo reagiu à Jungkook.
E talvez tenha sido naquele momento que as coisas começaram a fugir de seu controle.
— Isso. — A voz grave retornou. Jimin não queria ter se lembrado da situação na qual se conheceram, mas se lembrou. Ele fechou os olhos por um segundo e continuou forçando o cérebro a calcular. — Agora você soma o X com o número de cima, isso... e subtrai o resultado pelo de baixo. Pronto, acabou.
— Obrigado. — Jimin se virou para o mais novo depois de bocejar e espreguiçar uma vez. — Você me ajudou muito.
— Eu não sou tão mal assim, não é mesmo? — Ele sorriu de canto e Jimin revirou os olhos, se manteve em silêncio e começou à guardar o material dentro da mochila. — Certo, já está quase na hora do almoço. Você está com fome?
Jungkook se colocou de pé e estendeu a mão na direção do outro rapaz, que arqueou a sobrancelha, receoso.
— Eu não vou cortar sua mão e sair correndo, Park. E juro que só queria ser educado e te ajudar à levantar.
— Força do hábito. Meu cérebro associou você à rock pesado, drogas, atividades ilícitas e sexo. — O outro sorriu de canto e passou a língua pelos lábios.
— E está quase tudo certo, exceto a parte do rock, por que eu sou muito mais fã de rap.
— Você definitivamente não se veste como um fã de rap.
— Bem, mais um ponto em comum. — Jeon sorriu. — Você definitivamente não se veste como você.
Eles trocaram um olhar longo antes que Jimin falsamente franzisse as sobrancelhas e negasse com a cabeça.
— Não entendi.
— Claro que não. — Jungkook sorriu e lhe estendeu a mão mais uma vez. — Vamos.
Mas o mais baixo negou a ajuda alheia e abraçou os livros como se eles pudessem protegê-lo, antes de ceder ao rosto debochado que lhe encarava e aceitar segui-lo para fora da biblioteca.
Eles resolveram descer pelas escadas dessa vez e caminharam pelos corredores largos sem trocarem nenhuma palavra até estarem na área externa, onde Jimin travou enquanto Jungkook seguia pelo caminho oposto ao do refeitório.
— O refeitório é pra lá... — Apontou, inseguro, enquanto agarrava a própria jaqueta jeans com as mãos livres, uma vez que os livros haviam ficado na biblioteca.
— Eu sei.
— Então...?
— Ainda são onze da manhã, e o refeitório só abre meio dia. — Comentou, tranquilo. — Falta uma hora e eu estou com fome, tem um restaurante coreano muito bom à duas quadras daqui e a gente ainda ganha tempo pra revisar o conteúdo antes da sua prova. É hoje, não é?
Jimin encarou Jungkook de cima abaixo. Ele usava calças jeans rasgadas, tênis allstar pretos extremamente surrados e rabiscados por todos os lados, a camiseta preta de mangas longas era cheia de buracos, parecia ser duas vezes o seu tamanho e as tatuagens vazavam pelos pedaços de pele expostos quando a gola caía para expor a clavícula; as unhas pretas estavam descascando, o cabelo undercut estava bagunçado e até mesmo a postura do Im esbanjava uma irreverência que fazia a pele de Jimin se arrepiar.
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Bring The Heaven | jikook
Fanfiction[SENDO REESCRITA] Park Jimin era um bom garoto. Nascido e criado em um ambiente altamente religioso, ele havia desistido de sua liberdade quando percebeu que possuía pecados grandes demais para sua força de vontade. Por isso não seria surpresa que J...
