São aproximadamente 50 minutos até o observatório, minutos esses que parecem segundos. Minha cabeça simplesmente decidiu que Bill era um assunto mais interessante de se debater. Vez ou outra pensava eu seus olhos, e nos segundos que pareciam horas... Sacudo minha cabeça bruscamente, me questionando o que caralhos está acontecendo comigo?! Eu nunca olhei para ninguém dessa forma, até acho que sou assexual, mas agora eu estou estacionada, pensando sobre um estranho que foi gentil comigo.
Isso definitivamente não está certo.
Por hora, decidi aproveitar o caminho até o topo. O lugar é simplesmente deslumbrante, cheio de árvores e uma vista entre as montanhas que me lembram contos de fadas.
Pelas seguintes horas o tour se seguiu, descobri a história e curiosidades, mas confesso que mal podia esperar pelo fim. O sol já estava bem mais ameno quando finalmente fomos liberados para o terraço.
Sinto meu coração acelerando assim que meus olhos encontram o horizonte. Uma sensação de paz me envolve por completo e de imediato,mas falta algo, algo em mim doí. Com às fotos em mãos, via meus pais feliz em algum de seus aniversário de aniversário, sempre um sorriso em seus rostos. Neste momento só quis que eles estivessem comigo, e sem perceber uma lágrima teimosa acabou escorrendo.
— Com licença. — Diz um homem me entregando um lencinho de papel. Ele estava com um crachá, o que me fez deduzir que trabalhava ali.
—Obrigada. — Agradeço sorrindo. Ele apenas retribuí.
—É uma bela vista, não? Eu também chorei quando vi pela primeira vez. — Continuo encarando o céu.
—É muito mais do que imaginei. —Digo mais para mim do que para ele.
Por minutos permaneço alí, parada, apenas sentindo a brisa. Aos poucos sinto as pessoas saindo e logo me vejo sozinha com o estranho que apenas me encara.
— Desculpe, não percebi que já estava na hora. — Digo timidamente.
— Tudo bem. — Ele ri. — Você parecia concentrada, não quis atrapalhar. — Apenas aceno, já me preparando para sair. — A propósito meu nome é Victor, um dos assistentes do observatório. — Fala estendendo sua mãos.
— Olivy. — Digo pegando sua mão.
Victor tinha cabelos ruivos e cacheados, olhos em um tom de verde que eu nunca tinha visto antes, uma pele bronzeada e algumas tatuagens, sua mão era macia e suas unhas estavam pintadas de preto.
— Bem, Olivy, agora temos que ir realmente. — Disse sorrindo e colocando as mãos no bolso da calça casualmente.Descemos até o térreo em uma conversa agradável e descontraída. Não é difícil conversar com ele, pelo contrário, mal lembrava a última vez que tinha tido tanto em um espaço de tempo tão curto.
— Foi um prazer te conhecer, Victor. E muito obrigado pelo lenço.
— Não foi nada... — Meu celular toca, o interrompendo.
— Desculpe. — Olho o número que brilha, é Mila. Checo as mensagens e tem muitas. Atendo, mas ela não me dá tempo de sequer dizer alô.
— Gata, onde você está não tem internet?! Bem, não importa, olha as mensagens que te enviei, é uma festa a fantasia, passei o endereço e o horário, mas pensei que pudéssemos ir juntas.
— Pode ser. — É a única coisa que consigo dizer antes dela voltar a falar sem parar. Vejo Victor se afastar, acenando e rindo.Depois de uns cinco minutos ela finalmente desligou e eu pude dar partida no carro.
As montanhas ficavam ainda mais bonitas no fim de tarde. Abro o teto solar e as janelas para sentir melhor o vento. Não demorou até que eu estivesse na cidade novamente, o que me fez pensar em algo
Onde vou achar uma fantasia aos 45 do segundo tempo?!
Tá certo que não conheço Milla, mas ela foi gentil e eu meio que fiz uma promessa, não posso ligar e dizer que não vou mais. Até penso nisso, mas não! Eu prometi ser corajosa e ir a uma festa é um passo. É só uma festa, o que pode dar errado?
Paro meu carro próximo ao shopping, rezando para ter alguma loja que me ajude de alguma forma. Todo meio shopping, vendo muitas lojas, mas nenhuma tinha o que eu queria inicialmente. Após a terceira loja de fantasia eu já tinha desistido da minha ideia inicial de noiva cadáver, e me convencido que tudo é sexy. Não sou exatamente o tipo de garota que usa fantasia sexy, ou roupas sexta no geral, mas já que iria fazer isso, por que não realmente testar algo diferente?
É aquilo, já que está no inferno, abrace o capeta.
Logo de início, uma fantasia de freira me chamou. Era um mine vestido preto,todo em couro, com direito a sinta liga e cruz no pescoço. Perfeito.
De volta ao carro, vejo um parque do outro lado da rua, com uma barraquinha de sorvetes. Minha criança interior não perde tempo e logo vou, apenas guardo a fantasia e fechando o carro antes.
Peço o de baunilha, meu preferido.
Aproveito o clima bom e o tempo que me falta até a festa para dar uma volta. É um parque bem grande, com direito a playground, área para pets,muitos bancos e até uma área para ciclistas. Sento-me próximo de algumas árvores e longe de onde as crianças e donos de pets brincam com bolas e frisbees. Não vou mentir, tenho medo de bolas desde o colégio, só lembrar das partidas de queimada que meu corpo treme.
Já estava no fim do meu sorvete quando algo duro e voador acertou minha testa em cheio, me levando ao chão e me sujando com o resto do sorvete. Já no chão eu só tive tempo de pôr minha mão sobre a testa antes de um cachorro pular em mim, lambendo o sorvete da minha cara eufórico. Eu só pude rir daquilo. Era claramente um bulldog, fofo e rechonchudo. E logo atrás vinha seu dono.
— Mil perdões, você está bem? Vem cá Pumba. — Disse afastando o cachorrinho e me ajudando a levantar. — Você está bem,quer que eu te leve ao hospital? — Contínuo.
— Estou bem, não se preucu... — A palavra simplesmente morre em minha boca. Seja quem for esse homem, é muito parecido com o Bill, claro que o estilo, cabelo e piercing eram diferentes — este era moreno e usava tranças, e possuía apenas um piercing no lábio inferior — mas o rosto era igual o de Bill.
— Está sentindo alguma coisa? — Disse me ajudando a sentar no banco novamente. Ele estava claramente aflito.
Apenas sorrio e concordo com a cabeça, o vendo soltar o ar. Olho para o chão, Pumba estava no chão brincando com uma bolinha, provavelmente a que me acertou.
— Realmente me desculpe, eu não tinha te visto aqui, as árvores te cobriram e como é mais afastado não pensei que fosse ter alguém aqui. — Ele continuou, mas eu apenas comecei a rir por nervosismo, o fazendo levantar a sobrancelha e me encarar sério. - Você é uma delas, não é? — Seu tom ficou baixo e frio, o que me fez ficar seria na hora. - Que vocês vadias fazem de tudo para se aproximar eu já sabia, mas se sujeitar a isso é um pouco demais, não acha?
Pera, que?!
— Vocês são doentes, e se eu soubesse teria jogado com mais força. — Esbravejou pegando o cachorro e indo embora, me deixando totalmente atônita.
Levo uns segundos até realmente entender o que tinha acontecido, mas não importa o quanto tente, nada faz sentido. Minha cabeça ainda doía, meu rosto estava coberto de sorvete e saliva de cachorro e um cara aleatório me chamou de vadia, que dia.
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Eu,Ele e Ele ( Irmãos Kaulitz)
FanficEm uma tentativa de se sentir conectada com seus pais, Olivy, decide passar suas férias de verão na animada Los Angeles. O que ela não esperava era como uma simples viagem poderia dar tão errado, ou melhor, tão certo. O amor às vezes percorre caminh...
