Oi pessoal. Desculpe o sumiço. Estou nos momentos finais do livro e está uma loucura. Esses dois são tão intensos que as vezes preciso parar e respirar. Boa semana a todos.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Estou tomando café da manhã com Luiza quando o telefone dela toca. É Nina, parece apressada e um pouco preocupada. — A mulher que cuida de Pat está doente e Nina não tem com quem deixá-lo — Luiza avisa tapando o bocal por um momento. Hoje é dia de visita ao Samuel no presidio. — Nina, pode deixá-lo comigo — antes que eu perceba, as palavras já saem da minha boca. Luiza arqueia uma sobrancelha, mas não diz nada. Talvez ela saiba que eu não faço ideia do que estou prestes a enfrentar. — Você tem certeza? — Ela finalmente pergunta. — Sou capaz de lidar com isso, Luiza. Além disso, o irmão da Nina é uma criança tranquila. Nina e Pat chegam. Toddy, o filhotinho adotado por Luiza vai rapidamente recepcioná-los. O irmão de Nina faz a festa com o cachorrinho. Ela me entrega os remédios dele e dá todas as instruções de como cuidar do menino, ignorando o fato de eu ser um médico. Mas é só quando a porta é fechada atrás de Luiza e Nina que me dou conta que realmente não sei o que fazer com uma criança. Então, na falta de uma ideia melhor, entrego meu iPad para Pat. — Que tal um jogo? — Sugiro. Ele aceita o iPad com um grande sorriso e logo se perde no mundo virtual. Enquanto Pat está ocupado com o jogo e o cachorrinho deitado aos seus pés, decido trabalhar e nas próximas quase três horas, consigo adiantar um pouco do trabalho. Quando percebo que Pat ainda está entretido com o jogo. Sentindo-me culpado por deixá-lo tanto tempo na frente da tela, decido que é hora de uma mudança de cenário. — Quer ir dar uma volta? — pergunto. Pat levanta a cabeça e seus olhos brilham. — Naquele seu carrão? Rio com sua empolgação. Já tinha me esquecido quando era da idade dele e ficava impressionado com carros que acreditava nuca conseguir possuir. — Isso mesmo. O que acha do parque? — A pracinha aqui perto? Tem uma praça bonita, mas tenho uma ideia melhor. — Não, o Ibirapuera. — Sério? — os olhos de Pat se arregalam — Eu gosto muito de lá, mas a Nina não me leva muito porque a gente precisa pegar metrô e ônibus, e eu me canso. Sorrio, contente por poder proporcionar essa pequena aventura para Pat. E, quem sabe, talvez eu possa aprender algo novo nesse dia. Assim que Pat entra no carro, ele começa a fazer perguntas. Cada botão, cada detalhe, cada aspecto do interior do carro parece fasciná-lo. Eu respondo o melhor que posso, mas a verdade é que a curiosidade e a alegria dele são contagiantes. Quando chegamos ao Ibirapuera, escolhemos atividades que Pat pode fazer mesmo com o cilindro de oxigênio. Nós caminhamos parque, observamos os patos no lago, e até conseguimos um lugar para sentar e observar outras pessoas fazendo suas atividades. — Está com fome, Pat? — pergunto, oferecendo-lhe uma maçã e um sanduíche que tinha comprado no caminho. Ele aceita com gratidão e começa a comer. Duas senhoras se aproximam e pela forma curiosa que encaram Pat, sei bem o elas possam estar pensando. — O que o seu filho tem? — uma delas pergunta, olhando para o cilindro de oxigênio. — Ah, ele não é meu filho. — Rapidamente, corrijo — Ele é irmão de uma amiga. Ele tem uma condição que afeta seus pulmões, por isso o cilindro de oxigênio. — Pobrezinho — diz a segunda senhorinha — Vou colocá-lo nas orações da igreja. As senhoras vão embora. Olho para Pat com um sorriso acolhedor, apesar de simpáticas, elas foram bastante inconvenientes. — Sinto muito se isso o chateou, Pat. — Eu não ligo. Já estou acostumado. Lido com muitos pacientes que passam por inúmeras situações de desconforto, nem elas e Pat deveriam enfrentar isso. O menino volta a sua fruta e eu reflito na pergunta que uma das senhoras me fez, em relação a Pat ser meu filho. E, de repente, me vejo imaginando como seria se eu tivesse um filho. Um filho com Luiza. A ideia é estranhamente reconfortante e aterrorizante ao mesmo tempo. Será que eu seria um bom pai? Será que Luiza gostaria de ser mãe? Balanço a cabeça, tentando afastar esses pensamentos por enquanto. Hoje é sobre Pat. E, de alguma forma, sinto que estou aprendendo mais com ele do que ele comigo.