Existem milhões de maneiras de ser, talvez bilhões.
Acordei, e as vezes penso em como eu gostaria de ser.
Brutalmente sou arrancada de outra realidade.
Cá estou eu, novamente.
Dividindo um espaço apertado dentro da minha cabeça, quem sou e quem sou além de mim mesma.
Entretanto, recentemente tive respostas para algumas dessas perguntas
Fiquei com medo, novamente.
Geralmente passa em pouco tempo.
Hoje foi diferente.
Iminentemente desvio da busca incessante e Incansável, é inquietante.
Juntando pedaços de palavras desperdiçadas, do tempo que não volta.
Lembro-me vagamente de quando isso não acontecia, mas não consigo me lembrar quando começou a acontecer.
Meticulosamente acompanho de longe, observo como ataco a mim mesma com palavras afiadas cortantes.
Nesse mar a agitação transparece em ondas que se chocam umas contra as outras, mas é só na superfície.
Outro dia se passa, e cá estou eu.
Procurando em caixas vazias.
Quem quer que seja, quando bater a porta, ainda estarei esperando do outro lado, com a mão na maçaneta.
Restando pouco do que eu queria, ficaram-se alguns grãos de memória, que dissipam-se com o tempo.
Se eu for isso mesmo, deveria me perdoar em algum momento.
Tratei a mim mesma como desconhecida por tanto tempo.
Uma vez ou outra conversava olhando pra dentro.
Vozes nos cantos escuros fazem minha mente desajeitada e apertada se encher de vida, mas isso não significa viver.
Eu acho.
Estive deitada o resto da tarde, com os pés pra cima encostados na parede e lembrando de como um belo sorriso esticado e com dentes perfeitamente alinhados se formava facilmente nos lábios daquele rapaz. O dia passou rápido, fui consumida por teorias e pensamentos que haviam acabado de chegar de viagem e se instalaram dentro da minha cabeça.
Eu gosto da forma com que ele fazia questão de acompanhar meus passos, isso me deixava com os olhos no chão, observando a velocidade com que ele caminhava, como se tivesse uma linha invisível sempre a nossa frente, limitando os movimentos. E isso era bom, fizemos o mais devagar possível enquanto conversávamos, assuntos surgiam centenas e centenas de vezes, não pararíamos de conversar nunca mais.
Ele, tão gentil e expressivo, apesar de toda elegância e charme ainda se mostrava sozinho. Sempre achei que eu falasse demais, mas esse garoto, ele não fechava a boca por um segundo e me bombardeava com novas ideias e novos universos, eu tinha tanto pra falar.Uma vez me disseram "espero que conheça alguém igualzinha a você, então vai entender por que ninguém fica", e ouso dizer que nesse dia, conheci alguém tão parecido comigo que conseguia prever suas palavras, ações e escolhas.
Ou eu queria tanto que ele se parecesse comigo, a fim de experimentar o doce sabor da identificação, um lugar onde eu pudesse concordar e realmente estar concordando, até mesmo discordar quem que houvesse perigo de guerra, eu queria um lar e ao mesmo tempo um parque de diversões, desejei que ele fosse essa pessoa, que ele fosse igual a mim, mas eu pudesse ter o prazer de conhecê-lo.
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Todas as formas de cortar um abacaxi
RomanceUm retrato sensível sobre um relacionamento que se desenrola entre duas mentes complexas e vulneráveis. O casal central desvenda uma narrativa delicada e realista, onde a descoberta mútua de segredos e traços ocultos torna-se um labirinto fascinante...