Duas semanas haviam se passado desde a última visita de Jennie, e para o seu desagrado, ela encontrou a si mesmo no mesmo caminho sem rumo de volta para o mesmo temido hospital. Ela não conseguiria aguentar a natureza persistente de seus pais, mas de alguma forma ela estava aliviado de ter saído para fora de casa, pelo menos.
Aqui vamos nós novamente.
Jennie entrou no hospital e cumprimentou a mulher do outro lado do balcão, como de costume. Ela não perdeu tempo subindo os degraus necessários para chegar a parte do hospital em que ela quase havia alcançado no tempo atrás. Em minutos, o balcão de informações estava em sua vista, e pela primeira vez na vida, ela de fato foi na direção dela.
Ela falou com a pequena mulher ali, e depois de passados vários minutos Jennie se afastou da mesa, algumas folhas de papel em suas mãos. Ela começou a seguir pelo corredor, suspirando pesadamente, com a intenção de correr para casa.
"Ei! Ei- é você!"
A voz familiar fez a garganta de Jennie apertar. Outro suspiro foi forçado a sair, um ainda mais pesado dessa vez. Ela se virou.
"Lalisa"
"Apatia unnie." Ela sorriu de orelha a orelha.
"Não me chama assim" Jennie enfiou as folhas na sua bolsa.
"Achei que você tivesse dito que não colocaria os pés aqui novamente." Havia algo estranho com a animação em sua voz.
"Eu não disse exatamente isso..."
"Mas estava implícito!"
Jennie apertou os olhos.
"É, estava implícito."
O sorriso de Lalisa nunca deixava o seu rosto, e suas pálpebras cansadas contradiziam sua expressão facial.
Por que eu sempre acabo com as esquisitas?
"Então, o que te traz aqui de volta?"
"Eu poderia te perguntar a mesma coisa..." Os lábios de Jennie moveram-se para o lado.
Sombrancelhas grossas e escuras se levantaram por cima de tons de mel "Eu deveria estar aqui, na verdade"
Jennie bocejou. "Estagiária?"
"Não, paciente" Seu sorriso era enervante.
Silenciosamente, a mulher de cabelos castanhos franziu o cenho. "Eu tenho sido tão insensível..."
Uma risada borbulhou de Lalisa. "Não você não tem, não se preocupe com isso"
Apesar de estar vestida em normais roupas casuais, após um exame mais profundo, tinha de fato algo doentio nela. Ela era mais pálida que os outros que andavam pelo corredor, e círculos negros existiam abaixo de seus olhos.
Jennie fez questão de não encarar.
"Eu sei que você não vai perguntar, então só vou deixar você saber. Pelo o que eu ouvi, os médicos disseram que o que quer que eu tenho é chamado de... IFF?" Lalisa cruzou os braços. Ela manteve um ar ao seu redor como se estivesse tendo uma conversa normal sobre o tempo. "Insônia Familiar Fatal, se me lembro corretamente."
Um calafrio gelado percorreu a espinha de Jennie. Ela nunca havia ouvido falar daquela doença antes. O preocupou o bastante para tirar algumas palavras de sua boca.
"Não sei se quero perguntar sobre os sintomas dessa doença."
"Bem, mesmo que você quisesse, eu não teria uma resposta para te dar." Outra risada. "Tudo que posso dizer é que o sono não vem tão facilmente como costumava" O que normalmente poderia doer a alguém para dizer, ela disse com facilidade, e com aquele mesmo sorriso gigante.
Jennie não podia evitar a quase sorrir de volta, seus lábios mal se contorcendo. Ela encarou na direção de Lalisa, para ela dessa vez. "Você está aqui todos os dias?"
"É claro! Tô aqui a cerca de... Quatro semanas agora". Ela piscou preguiçosamente.
"Estou vendo..." Jennie acenou. Nenhuma palavra foi trocada por um momento, e logo, a curta quantia de silêncio se tornou constrangedora. "Bem, eu estou indo agora..."
Cale ela, não deixe ela se aproximar. Ela está doente.
"Ah-uh, um segundo-"
Jennie cerrou a mandíbula. "Eu tenho que ir, Lalisa" Ela começou seu caminho.
Por favor não persista
"Se você puder por favor ouvir" Com as mãos aos lados, Lalisa curvou-se. "Por favor, vai só levar um segundo."
Jennie era direta, mas não era sem coração. Ela bufou e se virou novamente. "O que é? Eu realmente preciso ir"
Seus olhos brilharam, e Lalisa se endireitou e fisgou as mãos no bolso. Tirou de lá seu celular, e para o pavor de Jennie, ela pediu seu número de telefone.
O que ela faria? O que deveria dizer? Jennie não achou nada de especial em Lalisa. Por que uma doente de repente começou a gostar dela? Ela não queria nada mais que afasta-la, jogar os formulários fora, e nunca pisar naquele hospital novamente, mas por uma estranha e irritante razão, Jennie achou difícil negar a Lalisa. Ela tentava, tentava verdadeiramente, mas apenas não conseguia.
"Eu... não mando muita mensagem" Jennie murmurou. Ela mirou o celular de Lalisa, não conseguia olha-la no rosto. "Estou geralmente ocupada. Manter contato comigo não seria uma boa ideia."
Ela observou enquanto os dedos de Lalisa enrolavam no celular, e sua mão lentamente se afastou.
"Mas-" Jennie se chocou com a própria palavra. Ela ainda podia ver a mão de Lalisa, e estava congelada no lugar. "Eu acho que poderia achar um tempinho para falar de vez em quando" Ela olhou para cima e seu olhar encontrou Lalisa. Aqueles olhos cor de mel estavam cintilantes.
Ela digitou seu número rapidamente, e depois devolveu o celular para a outra, o espaço do nome vazio.
"Obrigada" Sua voz estava cheia de animação, a medida que ela prosseguia em escrever o nome de seu novo contato. Jennie observou cautelosamente enquanto Lalisa murmurava e digitava seu nome.
"A-p-a-t-i-a U-n-n-i-e" Lalisa estava perto de salvar o contato quando Jennie falou.
"Você não precisa colocar isso." Ela suspirou. "É... Jennie."
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In another life (jenlisa)
RomansaO sono não vinha mais tão facilmente quanto costumava. Lalisa sabia disso, e agora, Jennie sabia também. História adaptada de littleluxray no Ao3!