Capítulo O3:

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"O monstro tem como melhor amiga um anjo"

Há defeitos piores em Lalisa Manoban, talvez o pior seja o mau caráter. Em três meses, presenciei funcionários sendo demitidos por motivos tolos e outros, exaustos, pedindo demissão. Apesar da melhora na vida financeira, a verdadeira Lisa me faz questionar se valeu ou não a pena dar aquela revista para Jennie. Lalisa não é um bom exemplo: possui maus hábitos como álcool e sexo, além de acessos de raiva e o que os funcionários chamam de “estrelismo”, ou seja, se sentir superior aos outros.

Quando comecei a trabalhar para ela, percebi sua expressão surpresa ao me ver, pois eu era o mesmo homem que foi surpreendido por um abraço repentino dela. Provavelmente, Lalisa achou que nunca mais me veria de novo. Eu não tive coragem de aconselhar Jennie a parar de pesquisar, mesmo que pouco, sobre a Lalisa por causa da sua disposição ao fazê-lo — anos sem ânimo que poderiam ser arruinados. Isso não estava certo. Ao questionar Jisoo e o meu cunhado — sim, minha irmã está namorando o Jin —, eles disseram que é improvável que Jennie venha a conhecer Lalisa um dia. O tratamento da caçula tem tido progressos lentos e demorados. Irene a aconselhou a retomar, devagar, os antigos hobbies que Jennie tinha. Eu não quero estragar essa felicidade genuína da mais nova.

No total, foram cerca de setenta funcionários demitidos e outros cem que pediram demissão. É loucura pensar que Lalisa já teve um número tão expressivo de empregados. O trabalho como motorista ocupa todo o meu dia, do amanhecer ao anoitecer, e eu tento atender aos caprichos da Lalisa. Eu não poderia pedir demissão, pois não há outro emprego que eu poderia tentar. Além disso, me acostumei com a Lisa e com sua rotina. De madrugada, saio de casa para ir até o apartamento triplex da Lalisa. No horário de almoço, normalmente ela come em seu camarim ou escritório, e eu me alimento no carro com refeições baratas. À noite, termino o resto de comida do almoço e volto para casa geralmente às onze.

Me alonguei e corri até a cozinha para pegar algo para comer, talvez miojo ou qualquer comida pronta. Senti um cheiro agradável de comida e vi Jisoo colocando em um tupperware arroz, feijão, salada e carne. Também a vi encher uma garrafa com suco.

— Jisoo, por que está acordada a essa hora? São quatro da manhã.

— Jin me contou que você não come nada além de comida barata no trabalho — reclamou, fazendo beicinho —. Quer estragar a sua saúde? No futuro, você terá todos os problemas possíveis, como colesterol, glicose alta e poderá ficar obeso. Não quero te ver assim.

— Que exagero — retruquei, e recebi um tapa no ombro — Ai! Enfim, de qualquer forma, agradeço a sua ajuda. Entretanto, não precisava se preocupar tanto comigo.

— Jungkook, eu sou sua irmã. Sempre irei me preocupar contigo.

Sorri e agradeci novamente:

— Obrigado — peguei o tupperware e coloquei na mochila. Me despedi de Jisoo e saí de casa.

•••

A região em que Lisa mora é afastada da grande população, conhecida por abrigar famosos e ricos. Antes de voltar para casa após o meu turno de trabalho, deixo comprados estoques de energéticos e cerveja no porta-malas, armazenados em um cooler. Também sempre carrego comigo uma aspirina no bolso, visto que Lalisa provavelmente estará de ressaca na manhã seguinte. Ao menos posso usar o carro da agência sem limites, e isso é ótimo.

Quando cheguei em sua casa, Lisa estava resmungando de dor de cabeça, e seu amante a ajudava. Peguei um copo d’água e o deixei no porta-copos ao lado da aspirina. Lisa tomou o remédio, se levantou e subiu para o closet no andar de cima. Enquanto a esperava, seu amante veio conversar comigo:

𝙉𝙖𝙢𝙤𝙧𝙖𝙙𝙤 𝙙𝙚 𝙈𝙚𝙣𝙩𝙞𝙧𝙞𝙣𝙝𝙖 - 𝙇𝙞𝙨𝙠𝙤𝙤𝙠Onde histórias criam vida. Descubra agora