N O V A Y O R K
2 0 2 3[P.M.]
O dia parece bonito do outro lado das janelas de vidro do Complexo, o sol forte traz um certo conforto. Não deixo de considerar, por um segundo, como deve ser a vida sem o fardo de evitar uma catastrofe eminente. A zona apelidada por nós de Casa está vazia, os exercícios e os testes com Sage e a jóia vem deixando todos ocupados, ou enfurnados em novos afazeres com tanta demanda pós-apocalípitica. Resta-me ajudar quando consultado, o que não acontece com tanto frequência. Deixo a cozinha e tenho uma surpresa: Sam Wilson. Ele está trajado com o uniforme do Falcão, as asas fechadas na espécie de mochila maquinária vermelha. Deve ter voltado a pouco tempo, lembro-me que saiu para ver a família. Não faço ideia do que poderia tê-lo feito retornar a essa bagunça. Dou um aceno de cabeça e passo por ele sem muitos rodeios.
— Com pressa, Ligeirinho? — O apelido traz certa nostalgia. Sam começou a usá-lo durante o ano que treinamos juntos, logo após nosso ingresso oficial no grupo. Um sopro de riso me escapa e dou meia volta.
— Voltou cedo, Zeca Urubu — eu digo e Sam revira os olhos.
— Você sabe que é a referência é ao falcão.
Dou de ombros impertinentemente, como se fosse apenas uma confusão de nomes, nada proposital.
— São todos aves de rapina.
— Você está pedindo por outra surra — ameaça ele, mas é difícil levar a sério. Sam é uma das poucas pessoas nesse grupo intenso e problemático de heróis que não considero apenas um colega de trabalho, é quase um amigo.
— Outra? — Arqueio as sobrancelhas em surpresa, não controlo o sorriso presunçoso que meu lábio repuxa para o lado. — Quando foi que aconteceu a primeira?
— Entre vocês eu não sei, mas lembro de todas as vezes que amassei seus rostinhos bonitos no tatame. — Romanoff nos alcança, vem da direção do elevador, com uma piscadela e um sorriso bonito, ela não precisa soar arrogante porque sabemos (e também lembramos) de cada segundo do que ela se gaba.
— Com você eu aceito uma revanche — eu digo em tom de flerte, sei que nada acontecerá entre nós dois, Natasha já deixou isso muito claro no ano no Complexo anterior a briga do tratado, mas é mais forte que eu, e sei que Romanoff não se incomoda. Na verdade, até acho que ela se diverte com as minhas tentativas em vão que nem leva mais a sério, e sendo sincero, eu também não, faço apenas por fazer.
— Por que voltou tão cedo? — pergunta ela para Sam, parece notar onde ele deveria estar e como se veste, simples assim, sabe que algo está errado. A brincadeira em sua postura evapora.
— Reparei em algumas movimentações suspeitas de um grupo em ascensão — conta ele, já imagino sobre quem ele pode estar se referindo. — Se chamam Apátridas. O governo também não está contente conosco, os rumores que escondemos algo estão fortes, e agora ele está tentando promover os próprios heróis, soube de um cara chamado Agente Americano?
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Caos | Pietro Maximoff
FanfictionA guerra com o Thanos foi apenas o começo. Com o equipamento capaz de destruir as jóias do infinito e impedir que elas caiam em mãos erradas, os Vingadores cauterizam as tão poderosas gemas e a reduzem a pó. Ou esse era plano. O que parecia tudo be...