O caminho de volta para a casa dos Barnes foi um tanto desconfortável, estava me sentindo péssima por ter me machucado e ter feito Drogo se mobilizar dessa forma para me socorrer.
Enquanto observava pela janela as casas passarem rapidamente, me peguei pensando em como seria viver com ele após um segundo beijo, dessa vez, sendo iniciado por mim e sabendo que era ele.
"A médica pediu para que você ficasse de repouso, se quiser, entrego seu atestado na faculdade." A voz de Drogo adentra meus ouvidos e viro meu rosto para encara-lo.
"Obrigada!" Minha voz quase não sai e ele acena com a cabeça. "Não precisava ter feito tudo isso, não queria ser um problema pra você ou alguém que tenha que ficar vigiando." Pontuo enquanto o encaro, ele franze a testa e torce os lábios.
"Você não me causa problemas, Gaia. Não pelo menos os problemas que pensa." Ele responde sem me olhar, diminuindo o tom nas últimas palavras.
Como assim 'não os que eu penso?'
Fico alguns segundos em silêncio enquanto penso no que ele acabou de dizer e agora é a minha vez de franzir a testa.
"Como assim?". Pergunto finalmente.
"Nada, esquece o que eu falei. Está tudo bem, só se preocupa em descansar." Ele me corta bruscamente e em seguida aumenta o volume da música que toca no carro.
O resto do caminho foi um completo silêncio, meus pensamentos estavam dando diversas voltas e se embolando dentro da minha cabeça. Droga!
Assim que chegamos em casa, Amélia já saiu na porta a nosso encontro com uma expressão preocupada. Drogo desceu primeiro e abriu a porta, estendendo a mão para que eu saísse.
"Gaia, meu bem!Como isso foi acontecer?" Ela exclamou enquanto se aproximava.
"Está tudo bem, foi um acidente." A respondo enquanto me ajeito nas muletas e Drogo me olha atentamente.
"Ainda bem que o Drogo estava lá para te ajudar! Nem consigo imaginar o que aconteceria se..."
"Mãe, está bem!" O loiro a corta de uma forma serena. "Ela só terá que ficar de cama por uma semana."
"Vou falar para a Raquel ficar a sua prontidão. Vamos entrar" Amélia e Drogo me acompanharam até a sala de forma cuidadosa.
Assim que entramos na sala, me sentei no sofá e dei um leve suspiro.
"Você já avisou seus pais?" Amélia pergunta enquanto me entrega um copo de água.
"Não, na verdade não queria preocupa-los" Falo enquanto bebo um gole.
"Mas eles deveriam saber, querida." Ela me encara. Olho para Drogo que se senta em uma cadeira distante, e parece estar pensativo.
" Depois que eu melhorar, prometo falar para eles." Dou um sorriso amarelo para a morena que me encara atentamente e ela parece satisfeita com minha resposta.
"Como ela vai fazer para subir essas escadas?" Drogo pergunta e os olhares voltam para a escada.
Droga! Era impossível eu conseguir subir e descer esse lance de escadas com o pé enfaixado.
" Ôh céus!" Amélia murmura com as mãos no rosto e Raquel chega colocando uma almofada debaixo do meu pé. Eu agradeço e ela sorri. "Como que uma casa grande dessa não tem um quarto no térreo? Isso é culpa do arquiteto!" Ela continua enquanto parece preocupada.
" Se desejar, posso preparar um lugar para ela dormir aqui na sala, doutora." Raquel diz e Amélia me encara.
"É, se não for incomodo. Eu posso dormir aqui, melhor do que dar trabalho para subir e descer essas escadas." Digo com um sorriso torto, odeio a sensação de incomodar.
" Certeza, minha querida? Não vai ser desconfortável ? Estou morta de vergonha por não termos um quarto ou elevador." Amélia murmura.
"Rum! Pare com isso" Digo pegando no braço dela, ela suspira e se senta ao meu lado no sofá. "Vou ficar mais que confortável aqui, uso o banheiro de visitas e consigo ir à cozinha sem ficar pedindo ajuda." Finalizo
" Raquel, você prepara um colchão bem confortável para ela aqui." Amélia diz olhando para a mulher que concorda. "E você pode pedir ajuda sim!"
"Obrigada!" Sorrio.
Não demorou muito para que a sala tivesse um enorme colchão e uma caixa com alguma de minhas coisas. Amélia passou todo esse período resmungando por não ter um outro quarto para que eu me acomodasse, sugerindo até que me carregarem no colo até o andar de cima, o que, claro, eu neguei.
Drogo não demorou a sair e ficar sem dar as caras até a noite, e até a chegada do restante da família fiquei imóvel em cima do sofá enquanto Amélia vinha a cada cinco minutos perguntar se eu estava bem.
"Fiquei sabendo que alguém está andando de uma perna só!" Samuel entra na sala com um sorriso acolhedor e eu o olho.
"Samuel! Boa noite. Sim!" Dou uma leve risada e ele se aproxima.
"Como você está? Minha mãe me contou o que aconteceu. E que bom que meu irmão não foi um ogro." O moreno me fita.
"Sim, ele me ajudou muito. Obrigada pelo auxílio de todos vocês. Sinto muito por barrar a sala." Desvio o olhar envergonhada.
"Que isso! Agora a sala tem uma ótima companhia." Ele sorri.
Não demorou muito para todos chegarem, exceto o Drogo, e irmos jantar. Levantei com muito trabalho, ainda me acostumando com as muletas e sem jeito de depender do Samuel para me levar até a sala de jantar.
Todos demostraram estar muito preocupados comigo e dispostos a ajudar, me senti muito acolhida e amada, o que deixou meu coração quente.
Drogo não apareceu para o jantar e não deu notícias até a hora de dormir, depois de assistir um filme com Ezequiel e Benja, me deitei no colchão, inquieta.
A casa estava em repleto silêncio, só escutava o ranger dos móveis e o cantar dos grilos. Procurei o sono por horas e não encontrei, e, quando finalmente estava quase adormecendo me assustei com a porta abrindo, me sentei no colchão e encarei a porta. Era Drogo, ele estava vestindo um moletom preto e uma calça jeans da mesma cor, seus cabelos estavam penteados para trás e ele parecia estar cansado.
Assim que o loiro fechou a porta, seus olhos se encontram com os meus.
"Ainda está acordada?" Ele pergunta enquanto permanece parado.
E não sei porquê, senti um frio na barriga por finalmente vê-lo novamente.
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Queimando Por Você
RomanceGaia finalmente conquista o tão sonhado ingresso para a faculdade em Washington, mas logo se depara com um grande obstáculo: ela e seus pais não têm condições financeiras para bancar a vida na cidade. Desesperado para ajudá-la, seu pai encontra uma...
