vinte e dois - confusões

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Enquanto cavalgávamos pelo campo, não pude evitar um sorriso ao observar a paisagem. O lugar era lindo, repleto de vida e tranquilidade. Uma sensação de leveza tomava conta de mim, como se o tempo estivesse suspenso.

— Este lugar é incrível. — Comentei, virando um pouco a cabeça para olhar para Drogo. — Faz muito tempo que não me sinto assim... tão em paz. Me lembra de momentos que tinha com minha família em Pasco. 

— Você sente falta deles? — Ele perguntou, com a voz firme, mas carregada de curiosidade genuína. 

— Sinto. Muito. — Respondi, deixando escapar um suspiro. — Quando eu era criança, passávamos tardes inteiras juntos, andando de bicicleta, fazendo piqueniques... Mas, depois do que rolou com....— Não termino a frase quando as lembranças invadem meus pensamentos.

Drogo permaneceu em silêncio por um instante, como se refletisse sobre o que eu disse. 

— É o seu irmão? Gabriel, não é? — Ele perguntou, surpreendendo-me por lembrar do nome. 

Assenti, mas meu sorriso desapareceu um pouco.
— Faz anos que não o vejo. Não faço ideia de como ele está ou o que anda fazendo da vida. A última vez que nos falamos foi muito breve, e desde então ele se distanciou de todos. 

— Sinto muito por isso. — Drogo disse, a sinceridade em sua voz me toca mais do que eu esperava. 

— Obrigada. — Murmurei, olhando para frente enquanto o cavalo seguia em passos lentos. — Às vezes é difícil, sabe? Queria poder fazer algo para mudar essa distância, mas parece que ele escolheu viver assim. 

Drogo inclinou-se ligeiramente, sua presença transmitindo um conforto inesperado.

— Às vezes, as pessoas precisam de tempo. Mas, de alguma forma, elas sempre acabam voltando para o lugar onde pertencem. 

A profundidade de suas palavras fez meu peito aquecer. Embora já tivéssemos compartilhado momentos intensos e físicos, aquela conversa parecia diferente, mais íntima. Havia algo reconfortante em falar com ele daquela forma, como se Drogo entendesse partes de mim que eu nem sabia que existiam. 

— Obrigada por me ouvir. — Disse, baixinho, com um sorriso sincero.

— Sempre. — Ele respondeu, com simplicidade, mas com um olhar que dizia muito mais.

Logo, voltamos ao campo onde a família de Drogo e Amélia nos esperava. Quando ele parou o cavalo, Drogo desceu primeiro e, com a mesma facilidade de antes, me ajudou a desmontar. Suas mãos firmes seguraram minha cintura, e por um instante, nossos olhos se encontraram. 

Havia algo intenso no olhar dele, uma mistura de curiosidade, admiração e algo mais que fazia meu coração bater mais rápido. Antes que Drogo pudesse dizer qualquer coisa, a voz animada de Samuel interrompeu o momento. 

— E aí, Gaia! O que achou? — Samuel perguntou, com um sorriso largo, aproximando-se de nós. 

Drogo soltou minha cintura e deu um passo para trás, enquanto eu me virava para Samuel. 

— Foi incrível. Nunca pensei que cavalgaria tão bem na primeira tentativa. — Respondi, rindo. 

— Sabia que você ia gostar. — Samuel comentou, olhando para Drogo rapidamente antes de voltar a falar comigo. — Está pronta para o primeiro dia de trabalho amanhã? 

— Acho que sim. — Respondi, tentando afastar o turbilhão de emoções causado pelo momento anterior. — Estou ansiosa para aprender e fazer tudo certo. 

— Tenho certeza de que vai se sair bem. — Samuel disse, confiante. — Agora, vamos comer algo. A comida  está quase pronta. 

Enquanto ele se afastava para chamar Amélia e os outros, virei-me para Drogo mais uma vez, mas ele já estava se afastando, indo na direção dos estábulos. Uma parte de mim queria chamá-lo de volta, mas algo me impediu. Mesmo assim, havia uma nova conexão entre nós, algo que transcendia os momentos que já havíamos compartilhado. 

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