Capítulo 8

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Margot

Acordei com uma dor leve na testa. Olhei para o relógio na mesinha de cabeceira e, por sorte, não estava atrasada — nem lembrava de ter programado o despertador na noite anterior.

Fui direto para o banho e, enquanto a água escorria pelo meu rosto, flashes da noite passada começaram a aparecer.

Uau.

Estava até dolorida de tanto dançar. Nunca tinha curtido uma festa daquele jeito. Me diverti, cumpri meu papel de atriz e, aparentemente, cumpri bem. Lembrei de Liam dizendo que a Olivia tinha ficado louca de ciúmes.

Saí do banho e fui me arrumar para a aula. A preguiça era real, mas eu não podia faltar logo no terceiro dia do ano.

Desci para tomar café e encontrei meus pais já sentados à mesa. Dei bom dia e me juntei a eles.

— Pelo visto, se divertiu ontem. — comentou minha mãe com um sorrisinho malicioso.

— Sim, foi bem legal. — respondi, enquanto colocava café na minha xícara, ainda sorrindo feito boba.

— Você bebeu, filha? — perguntou meu pai, sério.

Não adiantava mentir.

— Sim... mas foi pouco. Eu... — tentei me justificar, mas os dois começaram a rir antes que eu terminasse a frase. Fiquei confusa.

— Seu pai está brincando, querida. Estávamos acordados quando você chegou. — disse minha mãe, e eu arregalei os olhos.

Eles estavam?

Eu nem fazia ideia. Lembrava de ter dançado, batido a cabeça no carro do Liam e de termos parado em uma farmácia. Mas eram só flashes. Não tinha uma lembrança completa e lúcida da volta.

— O coitado do seu amigo bateu na porta com você nos braços. — contou meu pai, rindo. — Disse que você adormeceu no caminho e que tinha bebido pouco, mas era fraca pra bebida.

— Ele falou isso? — perguntei, envergonhada.

— Também disse que você se divertiu e se comportou. — completou minha mãe.

Ele acha que eu sou uma criança, ou o quê? E como eu consegui dormir na volta?

— Bom, já vou indo. — anunciei, me levantando.

— Nem comeu nada, meu amor. — reclamou minha mãe.

— Estou com o estômago meio estranho por causa da bebida. — respondi, e os dois assentiram.

— Tá bom, vai lá, querida. — disse meu pai. Dei um beijo na cabeça de cada um e saí.

[...]

— Ai, minha cabeça... — murmurou Donna, encostando a dela em mim.

— Acho que exageramos um pouco. — comentei, fazendo o mesmo.

Estávamos na aula mais lenta do universo: História. A professora falava devagar e com uma voz tão calma que dava sono só de ouvir.

Olhei para o lado. Mike estava anotando tudo direitinho, enquanto Liam dormia escorado na mesa, como se estivesse na própria cama.

Quando o sinal tocou para o intervalo, eu e Donna levantamos. Senti um braço passar pelos meus ombros.

— Vem cá, vamos sair juntos. — disse Liam, ainda sonolento.

— Acordou, bela adormecida. — brinquei.

— Você que desmaiou no meu banco do carona e deixou ele todo babado — retrucou, e eu corei. — Não precisa ficar com vergonha, até que tava bonitinha dormindo ali.

Apaixonada por um Babaca - Nicole dos SantosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora