ONE SHOT - 2

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2 meses depois...

Era impressionante como tudo nesse país era extremamente burocrático, se passaram dois meses que estive com Olivia, e por mais que a saudade estivesse sem tamanho eu estava atrás de tudo o que era preciso e havia dado entrada para ser a responsável legal por ela, meu chefe e o superintendente da polícia exigiram que eu apresentasse um atestado de sanidade física e mental para saber se eu estava em condições de cuidar de uma menor de idade, que já havia trazido tantos problemas para a polícia e ao mesmo tempo continuar sendo delegada.

A documentação foi entregue e foi um prazer assistir eles serem obrigados a aceitar que eu estava apta tanto para exercer minhas funções, como para adotar uma adolescente, como de costume foi feito tentativas para contatar algum parente de Olivia, mas sua mãe havia desaparecido como fumaça, o pai havia morrido há alguns anos, e o padrasto ou ex-padrasto não quis nenhum tipo relação com a garota, os tios dela que morava no interior da Bahia, não mostraram interesse em assumir a guarda dela.

Já haviam revirado a minha vida de todas as formas possíveis, fizeram visitas na minha casa para ver as condições em que eu morava, além das várias entrevistas com assistente social e conselho tutelar, mas não havia nada que me impedisse de seguir com a adoção, exceto pelas... traquinagens de Olivia que eu carinhosamente resolvi chamar assim, o Estado não queria deixá-la ''livre'' com medo que voltasse a trazer trabalho para à polícia e as pessoas.

Apertei os dedos nervosamente, eu não era uma mulher que costumava ficar nervosa, e mesmo em situações tensa eu conseguia manter o controle do meu corpo e da minha mente, mas hoje era um dia atípico, eu jamais esqueceria essa data 22 de abril de 2021 era uma quinta-feira, fazia uma semana que estava com o documento em mãos, mas em decorrência do final de semana acompanhado do feriado tive que aguardar a presença de uma representante do conselho tutelar e o policial que deveriam estar presentes, motivo que para mim não fazia o menor sentido.

Entrei na sala de Luiz acompanhada pelas duas figuras, enquanto o inspetor havia saído para buscar Olivia, durante esses dois meses nosso contato foi quase todo por telefone, e duas visitas que fiz pessoalmente para ela, de acordo com o próprio Luiz, Olivia estava mais calma e seguindo as regras não havia mais entrado em nenhuma briga e passou a aceitar a medicação, ela estava se esforçando era perceptível.

Assim que chegou na porta da sala, Olívia travou ao ver o policial e a conselheira tutelar, seus olhos não me procuraram pela sala, então resolvi intervir antes que ela estranhasse mais ainda as pessoas.

— Ei! — Chamei com o indicador

— HELENA!

O grito me pegou de surpresa, assim como à todos que estavam presentes, ela correu e se jogou no meu colo, foi difícil me manter em equilíbrio com o salto, mas consegui ampara-la e permanecer em pé, sentei no sofá com Olívia agarrada em mim se recusando a me soltar e eu não forcei, passei meus braços sob os ombros dela que se aninhou mais perto de mim.

— Olivia, sabe porquê estamos aqui? — A assistente perguntou depois de sentar em uma das cadeiras sendo acompanhada pelo policial e por Luiz.

— Não...

— A Helena entrou com uma ação para ser sua responsável legal, está ciente?

— Uhum... — Resmungou seguido de um leve aceno.

— Muito bem! Você está de...

— Sim! — Interrompeu a fala da assistente, e reprimi uma risada.

— Por favor, não me interrompa. — Ela assentiu envergonhada e a apertei de lado.

A pequena reunião se estendeu com a assistente falando um tanto de burocracia mencionando que agora eu seria responsável por ela até os 18 anos completos, e qualquer eventualidade eu que responderia, nada que eu já não soubesse, assinei o documento e como uma boa curiosa, Olívia pediu para ler mesmo sem entender o conteúdo, achei uma fofura o semblante sério enquanto lia cada linha.

Motherly LoveHistórias para pegar e não largar. Descubra agora