🌕
Eu afundo minhas unhas na base da coxa suavemente e meus olhos pousam em direção á ele, evidentemente ansiosa com a história fictícia, ou não, que ele vai contar.
Ainda assim, eu movimento minhas pernas sem autocontrole por alguns minutos, e meus movimentos são interrompidos quando uma terceira perna invade a minha distração.
— Quer ouvir o que eu tenho para dizer ou não? — Ele diz, ainda com a perna entre as minhas. — Não queria atrapalhar você, e nem incomodar depois de hoje à tarde. Mas é uma coisa importante. Você acreditando ou não.
A resistência da perna dele entre as minhas tira o foco que eu quase não tinha. Então, o peso da perna se desfaz e eu ergo os meus olhos para ele, e ele olha para mim no mesmo instante.
Com a resposta imediata e treinada mentalmente nesse meio tempo, um suspiro nervoso saí com a reposta num só tempo:
— Quero ouvir o que tem de tão importante pra dizer, já que me tirou do meu dormitório e ainda nem me disse quem foi que te informou onde ficava — Encosto meus ombros na cadeira e minha atenção vai até ele. — Fazendo ou não diferença na minha vida.
LEVI
Fazer diferença na sua vida?
Enfio as mãos no bolso do casaco, encaro de relance o par de tênis que ela calça por debaixo da mesa do estabelecimento, eles tremem de acordo com o tempo que eu os encaro e demoro para dar continuidade na história que eu não deveria ter tirado do fundo do baú.
O silêncio faz eco na minha mente vazia, tento pensar numa maneira de como começar e dar fim no que eu não deveria ter dado início.
— Eu esqueci de pegar algo pra beber.. Quer alguma coisa? — Sugiro.
— Bebida? — Ela questiona. Os ombros se encolhem e seu rosto fica confuso. — Está tentando mudar de assunto ou o quê?
Ela é lesada, isso eu pude confirmar na personalidade incomum dela.
— Quer ou não? Eu vou pagar, não se preocupe. — Respiro fundo e faço menção de me levantar antes de ouvir seus lábios se mexerem, fazendo com que meu olhar se foque nela. — O quê?
— Aqui não tem bebida alcoólica, se for procurar. Se esqueceu que é perto da faculdade? Os mais velhos não querem ver os alunos bebendo.
Um momento constrangedor nos cerca.
Não me lembrava desse detalhe. Também queria saber o motivo de uma loja de conveniência não ter bebidas alcoólicas.
— Ah...
O arrependimento vem e eu não sei o que fazer. Fico parado na mesma posição, inspiro o ar devagar e passo os olhos no estabelecimento.
— Impressionante... Você por acaso estava sem nada para fazer e veio tirar o pouco tempo que eu não tenho? — Ela questiona bufando. Seu rosto fica confuso, de novo, e seu nariz se mexe em confusão, fica engraçado.
Sempre foi engraçado.
Ela parece perceber a mania que faz e passa as mãos pelo rosto, afastando os cabelos para trás, ajeitando por trás das orelhas e olhando para mim, de novo.
— Porque essa história que você mencionou acontece em 1999...? — Ela questiona, quase num murmuro, me olhando com dúvida e curiosidade.
Aperto os lábios, ansioso. Eu não sei se deveria tocar nesse assunto, na verdade, eu nem deveria estar aqui agora.
Depois daquela noite, é difícil não pensar 1 minuto nela ou me questionar quanto tempo passou pra que eu pudesse reconhecer um rosto que não vejo há 17 anos. 17 longos anos. Mas é difícil não lembrar dela, como não lembrar de uma única amiga que tive durante quase toda minha infância.
Sinto meu coração palpitando no peito. Engulo a saliva acumulada na boca e ela desce seca, rasgando minha garganta. Estou nervoso, muito nervoso. Meus olhos continuam pousados nela, pisco várias vezes e tiro as mãos do bolso, apoiando na mesa.
Adianto-me, relaxo os músculos e encaro o lado de fora para não olhá-la.
— É quase fictícia, na verdade eu ouvi essa história de um certo alguém... — Digo, claramente mentindo — Duas crianças. Podemos chamá-las de B1 — Levanto a mão esquerda — E B2 — Em seguida, a mão direita. — Certo dia, B1, sumiu misteriosamente, não de uma maneira ruim, B1 foi embora — Ela franze a testa, incrédula.
— O quê isso tem a ver comigo?
Foi uma resposta inesperada, na real, não esperava que ela falasse algo logo agora.
— Tudo. — Falo inconscientemente, quase num murmuro. — B2 não estava preparado pra essa mudança repentina na amizade deles, nunca esteve, na verdade — Falo, e isso soa mais como um desabafo. Ainda sem olhá-la, decido encarar seus olhos. — O quê você acha sobre isso? O que você faria se uma pessoa tão importante pra você sumisse no mundo?
Tento ficar sério, observo novamente suas expressões enquanto espero por alguma resposta a altura das minhas perguntas.
— Você é louco? — Ela diz, me lançando um olhar aparentemente enfurecido e inesperado da minha parte.
— C-Como?
— De verdade? Eu fiz a minha parte e ajudei você — Ela se levanta da cadeira num impulso e com as mãos apoiadas a mesa, se aproxima de mim. — Não entendi ainda o que você quer de mim, mas pode ter certeza que eu não faço a mínima ideia de quem seja você, só sei seu nome e que você é um completo foragido de alguma gangue e por isso apanhou daquele jeito naquele dia — Ela continua, ainda com a voz baixa pra que só eu escutasse. — E se meu pai mandou você aqui pra ficar de olho no que eu faço e deixo de fazer — Ela ajeita a postura — É melhor você pedir demissão ou sumir daqui. Se eu te ver novamente pode ter certeza que eu chamo a polícia!
Num movimento, ela sai disparada para fora da loja. O sino ecoa pelo estabelecimento enquanto eu, ainda sentado, analiso o que acabou de acontecer.
— Ela.. não se lembra de mim?
[continua]
isso mesmo, a história vai mudar totalmente de rumo e pra melhor😌
s/n brava e valente, quem diria?
até o próximo capítulo!
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Desconhecidos com memórias
Fanficuma única ação juntou dois jovens universitários a criarem memórias juntos, e sobreviverem com às consequências disso