Capítulo 4

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Era uma tarde daquele mesmo dia em Teresópolis; as nuvens espessas e cinzentas cobriam a cidade como um manto. A chuva fina, quase um véu sutil, caía incessante, formando uma cortina de água que embaçava a visão. As ruas molhadas e escorregadias refletiam os faróis dos poucos carros que passavam. O vento sussurrava suavemente, misturando-se ao som dos veículos e ao barulho das folhas e galhos que dançavam.

Mariana e Eduarda saíram do carro, pisando na calçada molhada sob a leve chuva. A policial segurava firmemente o guarda-chuva grande, enquanto a antropóloga, ao seu lado, mantinha o olhar atento às casas ao redor, observando os telhados inclinados.

— É, não ajuda em nada quando o GPS não funciona direito por aqui — Comentou a detetive, quebrando o silêncio enquanto caminhavam em passos sincronizados. — A boa notícia é que o lugar é de fácil acesso. — Ela abriu um leve sorriso e ajustou o guarda-chuva para que a água não caísse no rosto da companheira.

As duas continuaram a caminhada, passando por pequenas lojas de roupas e padarias com janelas embaçadas, até que chegaram a uma casa de tamanho médio, cercada por um muro baixo que permitia vislumbrar um pequeno jardim bem cuidado. A fachada era simples, pintada em tom creme, decorada com uma estátua de cerâmica.

— É aqui — Disse a policial, parando em frente ao portão de madeira.

Com um leve suspiro, Eduarda, com o curto cabelo jogado de lado, pressionou a campainha. O som estridente ecoou dentro da casa, se misturando com o som da água escorrendo lentamente do guarda-chuva.

Conforme aproximava o dedo indicador na companhia novamente, elas escutaram passos se aproximando, após alguns segundos, a porta rangeu enquanto se abriu lentamente, revelando uma mulher de cabelos grisalhos presos em um coque em um olhar cansaço, com as olheiras ao redor dos olhos escuros.

— Boa tarde, senhora, sou a detetive Eduarda Oliveira da 11ª Delegacia de Polícia. Esta é Mariana Vasconcelos, professora de antropologia. Estamos aqui para falar sobre Márcia da Silva Alves — Anunciou ela com um tom gentil, mostrando o distintivo que tirava da jaqueta de couro.

A mulher hesitou por um momento, mas logo abriu a porta, convidando-as a entrar. As duas entraram, deixando o guarda-chuva na entrada. O interior da casa era aconchegante, com móveis de madeira escura e uma sala de estar decorada com fotos de família.

— Então... — Começou Dona Célia, servindo café numa xícara de vidro, enquanto o aroma fresco se espalhava pelo ambiente. Após sentar-se em uma poltrona oposta ao sofá, observou as duas se acomodarem. — O que descobriram sobre a minha filha?

— Nós a encontramos ontem, Dona Célia. — Disse Eduarda em tom calmo. — Com base nas evidências, a causa da morte foi identificada como suicídio.

Célia engasgou ao ouvir a palavra "suicídio" enquanto bebericava seu café. Seus olhos escuros se arregalaram, trêmulos.

— O... o quê?! — Falou ela, com a voz trêmula. — Minha filha nunca... Ela... Não é possível! Vocês têm certeza de que é minha filha?

O Culto de Nhanderu (CONCLUÍDO)Onde histórias criam vida. Descubra agora