Capítulo 7

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A rua era estreita e escura, com poucas casas, muitas delas já com as luzes apagadas

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A rua era estreita e escura, com poucas casas, muitas delas já com as luzes apagadas. A casa de Antônio era simples, com um portão de madeira desgastada e muros altos em tons de tijolos. As janelas, porém, estavam fechadas, e a única luz visível vinha de uma pequena lâmpada pendurada na varanda, que oscilava suavemente com a brisa fria.

Os moradores do bairro as observavam discretamente. As crianças que brincavam na rua pararam abruptamente, trocando olhares e sussurros entre si, enquanto mantinham seus olhos curiosos fixos nas duas mulheres, que permaneciam imóveis em frente ao portão da casa.

— Senhor Antônio dos Santos! — Chamou Eduarda, dando leves batidas no portão.

No canto dos seus castanhos escuros, a policial notou as luzes começando a ascender na vizinhança, à mediada que os múrmuros ficavam cada vez mais alto.

A arqueóloga observava atentamente o portão à frente, como se tentasse captar qualquer sinal de movimento, conforme as gotas da chuva se misturavam com os sussurros distantes, que quebravam o silêncio.

— O que você quer? — Perguntou uma voz rouca atrás do portão.

— Boa noite. Sou a policial Eduarda Oliveira, da 110ª DP de Teresópolis, e estou acompanhada de Mariana Vasconcelos — Respondeu a detetive, mantendo a voz firme e calma. — Viemos conversar com o senhor Antônio dos Santos.

— Conversar? — Ecoou a voz do outro lado. — Isso é para algum jornal ou algo do tipo?

— Não, senhor. Eu sou antropóloga e estou aqui porque acredito que posso ajudar a entender o que o senhor está passando — Houve um breve silêncio do outro lado, seguido pelo som da respiração agitada próximo ao portão. — E também para falarmos sobre o Culto de Nhanderu.

Após alguns segundos em silêncio, o portão rangeu enquanto se abria lentamente, revelando apenas uma face do rosto de um homem no meio das sombras. Seus olhos escuros olharam atentamente para Eduarda antes de se moverem para Mariana.

— Podem perguntar — Disse ele, quebrando o silêncio.

Oliveira podia sentir os olhares curiosos das crianças e dos moradores, que pareciam ainda mais atentos. Ela soltou um grande suspiro, esvaziando todo o ar dos pulmões.

— Podemos conversar em algum lugar mais reservado? — Propôs ela.

Após alguns segundos, o portão rangeu à medida que se abria lentamente, aparecendo um jovem de cabelos curtos, levemente raspados nas laterais, escuros, com sombras pretas sob os olhos, variando de um tom marrom-escuro.

Eduarda deu um passo à frente, atravessando o portão cuidadosamente, seguida por Mariana. O jovem as observava com certa desconfiança, mas fez um leve aceno com a cabeça, apontando para a entrada da casa.

— Por aqui — Chamou.

— O senhor é Antônio dos Santos? — Perguntou Mariana, seguindo-o pelo piso de pedras escuras.

O Culto de Nhanderu (CONCLUÍDO)Onde histórias criam vida. Descubra agora