A Caverna Ensandecida.

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Aos prantos, Rebecca caminha por memórias apagadas. Apagadas? Para onde elas foram? Nem sequer ela mesma sabe... por que você saberia? Suas memórias não existem. Elas são como manchas de tinta a óleo que marcam nossas vestimentas, contam histórias; mas que você não sabe a origem. É algo que incomoda, mas você não sabe parar. Uma interrogação.
Christopher abraça a garota, a acolhendo. Rebecca anseia por contato, mas o evita. Empurra o garoto, mas aceita o retorno de seus braços. Como se quisesse o apoio, mas se sente fraca demais para recebê-lo. Tola demais. Fútil demais.
- Precisamos levar ela pra longe daqui - Mariana disse, completamente tensa - Consegue levar ela nos braços, Chris?
- Eu acho... - o loiro dizia da forma mais trêmula possível, com a roupa meio encharcada de lágrimas - acho que sim...
Mariana apertou a ponta da clavícula do garoto, como se pedisse firmemente que ele fizesse aquilo, pois era necessário. Christopher entende o recado e ajeita a garota, a puxando com força para cima e a segurando no braços, como uma criança indefesa. O loiro lançou seu olhar castanho para a mulher, já que ela tinha que manter a situação no controle; ela possuía um plano.
- Vem, garoto - ela clicou na lanterna, ativando-a e seguiu por um túnel diferente do que eles haviam caminhado - Precisamos achar o resto do grupo. Agora.
- Ok... - Christopher seguiu a mulher e olhava para Rebecca, soluçando de olhos fechados, se encolhendo nos braços do garoto - Calma, Becca... Vamos te tirar daqui.

- Caralho... - Castiel caminha, olhando em volta, dando giros, completamente fascinado pela grandiosidade do lugar e sua vastidão - Que lugar enorme.
- Quanto buraco... - Jesse diz, quase no mesmo tom de seu irmão - São muitos caminhos... Parceiro, tem caminho até no teto.
- Roger, você sabia da existência desse lugar? - Ellena pergunta ao homem, que olha para o alto.
- Eu não sabia de porra nenhuma... - ele coloca a mão na testa, raciocinando - Como eu nunca soube disso?
- Não tem nenhuma teoria sobre o que é isso tudo? - Castiel diz, segurando as alças de sua mochila.
- Não tenho... ainda.
- Bom, vamos explorar esse lugar - Ellena diz, caminhando de braços cruzados - Pode ter algo de importante aqui... precisamos saber o que tem aqui.
- Não quero encher o saco não... mas porque estamos fazendo isso? Eu esqueci - Jesse coça o cabelo de várias camadas.
- Meu Deus! Estamos aqui porque... não sei se você se lembra mas pessoas tinham morrido naquela biblioteca! - a garota o respondeu.
- Mas porque?
- Exatamente, Jesse - Castiel diz, andando até Ellena - A gente tá tentando descobrir isso também.
- Talvez esse buraco... esteja conectado com toda a cidade... - Roger morde a ponta de seus dedos, se concentrando.
- Concordo com ele - Ellena endireita a postura, enquanto Castiel enrolava seu braço no dela - Vamos ver os túneis. Eles devem dar em algum lugar.
Eles todos andam, mas separados. Ellena e Castiel foram na frente, em direção à parede enorme de vários túneis. Já Jesse e Roger, mais atrás, seguiram conversando. Castiel, encostado em Ellena que é mais alta que ele, diz:
- Onde você acha que a Rebs e o Chris estão?
- Com certeza estão em algum lugar aqui embaixo, só precisamos encontrar eles.
- Entendi... - ele respira fundo - Você tá melhor? Desde que o Chris quase te matou?
- Sinceramente, eu não ligo tanto pra aquele loiro de merda - ela quase surta de raiva, mas respira e continua - Mas ele faz parte do meu grupo. Eu aturo as burradas dele.
- Eu percebi. Você melhorou bastante em relação a odiar tudo e todos... pelo menos com a gente - Castiel ri - O Jesse dizia achar você ameaçadora, e que poderia matar ele a qualquer instante.
- Engraçado ele achar isso de mim, mas andar com o Chris que matou duas pessoas seguidas... Não entendo homens, sinceramente - Ellena diz, exausta.
- É... complicado - Castiel respira fundo, dando ao diálogo alguns segundos de puro silêncio; um tanto quanto constrangedor e diferenciado, o que incomoda a garota.
- Cast... o que você tem?
- O que eu tenho? Como assim?
- Você tá esquisito desde ontem a noite.
- Não tô não... - ele revira o rosto.
- Você tá - ela dá um leve empurrão no ombro do garoto, ainda o segurando - O que houve, cara?
- Não é nada... - ele cruzou os braços, evitando contato visual enquanto mordia os lábios por nervosismo - Nadinha.
- Tem algo a ver com o Jesse?
- Que? - ele faz um som de blefe - Mas é óbvio que não. Por que seria? Nem faz sentido ser ele. Não sei...
Ellena o encarou, esperando que ele diga, aguardando o garoto se abrir com ela sobre seu irmão.
- Ai... Elle - Castiel encostou a cabeça no ombro da garota enquanto eles andavam - Por acaso parece que ele se importa comigo?
- Pra falar a verdade, sim.
- Mas por que?Ell
- O jeito que ele se entrega pra você é bem legal, apesar da imbecilidade dele... - Ellena gesticula - Não sou fã dele, mas o cara decidiu sair no meio da madrugada só pra buscar sua arma... entende?
- É... - Castiel olha para a ponta do cabo de seu bastão, dentro de sua mochila.
- Só que vocês parecem distantes. Não quer dizer que ele não se importe contigo, cara - ela respira fundo - Mas desde que saímos da escola, vocês têm se afastado um pouco.
Castiel parece murchar.
- Ei... você vê isso como algo ruim? - Ellena pergunta ao garoto, o cutucando - Sente que deveriam conversar mais?
- É que ele é meu irmão, Elle. Sempre fomos só eu e ele, mas agora tá tudo completamente diferente... - Castiel diz, agitado.
- Ah, Cast...
Os dois chegam na frente de um dos túneis escuros, na linha da parede. É perceptível a presença de inúmeras vinhas viscosas e negras, espalhadas pelo ambiente vindas de dentro e de fora do túnel; que pulsam de tempos em tempos. O mau cheiro é insuportável, um chorume vem do corredor espiral, como uma brisa mortal. Eles tapam as narinas, e começam a analisar os arredores.
- Eu sei que tudo parece difícil... mas já tentou conversar com ele sobre isso? - Ellena diz, com o polegar e o indicador impedindo a passagem do mau cheiro - Sobre a ausência dele?
- Não... mas não é má ideia - Castiel tosse, confundindo as vias respiratórias por alguns segundos; respirando, enfim, pela boca.
Ellena dá leves tapinhas, para auxiliar de alguma forma o garoto e então, os dois analisam o túnel, adentrando mais a fundo no mesmo. Enquanto isso, um pouco distantes e andando pelo chão rochoso, Roger e Jesse seguem o caminho:
- Aí, garoto... - Roger diz, segurando seu machado pelo cabo, meio acanhado - Por acaso você tem alguma verdinha aí?
- Que? Não tenho verdinha nenhuma, tiozão - ele retira um cigarro - Tenho isso, serve?
O homem resiste, em sinal de êxito, até:
- Foda-se - ele pega o cigarro dentre os dedos de Jesse - Acende isso logo, tô precisando.
Jesse solta, pausadamente, algumas gargalhadas enquanto acende atentamente o cigarro na boca de Roger:
- Cê não vale nada, hein... - o garoto guarda o isqueiro no bolso de sua calça larga - Parece até que tá ansioso.
- Eu tô ansioso... - ele traga - Tô praticamente preso num buraco com três crianças e não tenho a mínima ideia de onde fica a saída... além de ter perdido a Mar e mais duas crianças.
- Mar?
- É... apelido que eu dei pra Mariana - ele evita contato visual, envergonhado mas mantendo sua postura séria.
- Ha! Nem fodendo, apelidinho? - Jesse dá socos leves no braço do homem - Pode admitir, ela é sua namorada?
- Ela não é a minha namorada.
- Deixa disso, mano - ele colocou o braço no ombro de Roger, se apoiando no homem, como se fossem parceiros para a vida toda - Eu senti o peso daquele abraço de vocês.
- Desencosta, senão eu te jogo pra longe de novo - os dois se encararam, em meio a caminhada.
- Beleza, coroa - ele levantou os antebraços, num gesto de desconexão e enfiou as mãos nos bolsos de sua calça - Você é quem sabe. Sabichão. Sabido. Senhor "Sei de tudo"...
O garoto continua resmungando pela ameaça de Roger:
- É mole?
- Cara... - Roger pressiona os dedos entre suas duas sobrancelhas, franzindo elas - Você é tagarela pra porra.
O homem sai andando na frente, a passos adiantados. Jesse deu de ombros e seguiu andando de cabeça baixa, pela repreensão, ainda resmungando. Enquanto o homem estava no meio do trajeto, Ellena agachada com os pés perto de lodo, prestava atenção no que havia ao seu redor.
- Essa gosma preta... ela jorra desse túnel - Ellena sente que precisa tocar para conseguir sequer compreender do que se trata - Será que se eu...?
- Não - Castiel dá um tabefe na parte superior da mão da garota, numa bronca - Pirou na batatinha de novo? Tá querendo meter a mão nesse troço?
- A gente precisa coletar evidências.
- Coloca pelo menos uma luva!
- Eu tô sem luvas aqui - Ellena vasculha em seus próprios bolsos - Não tô com nada. O Chris deve ter algum frasco, mas eu não tô vendo ele aqui, sacou?
- Que peninha... - Castiel deu as costas para a garota, analisando o teto do túnel - Acho que alguém não vai poder tocar na geleca do capeta...
Ellena cruza os braços, impaciente e volta a encarar o lodo no chão, até que ela avista algo sobressaltando da substância. Algo sólido e claro, mas longe do branco. Se assemelhava mais à bege, porém um bege apodrecido. Tinha certas ligações, como se aquilo fosse se conectar a partes iguais. Lentamente, a garota levava sua visão até o ponto mais alto, onde havia claramente e nitidamente o formato de um crânio humano. Estava preso no lodo, que escorria pela abertura de seus olhos e nariz. A garota olhou para o decorrer do túnel, que era escuro como breu; mas que se forçasse bem os olhos, veria que o caminho se fechava com lodo. Como se o corredor engolisse bruscamente o que havia ali dentro: e estava vindo na direção deles. Ellena se assustou ao ver a presença do que quer que seja aquilo e mais ainda de cogitar que eles fossem os próximos. Chamou a atenção do garoto que estava de pé atrás dela e mandou que devessem correr para fora de lá. Ele correu e puxou Ellena pelo pulso, trazendo com todo o impulso a garota para o lado de fora. Ellena foi jogada para o chão de pedras, já fora do corredor; mas Castiel não.
Em choque, Ellena pôde ver a figura meiga do garoto de pé, atrás do limiar do túnel. Logo após ter a jogado, Castiel não conseguia dar mais nenhum outro passo, já que seus pés haviam sido engolidos pelo lodo. Ele poderia até tentar forçar, mas não adiantaria... e ele sabia disso. O sobrenatural é inimaginável e mexe com nossas vidas de formas incompreensíveis. E numa piscadela brusca, o que antes era Castiel de frente para a garota incrédula e caída, agora se tornara uma parede de lodo. O garoto havia sido engolido.
- Puta que pariu - percebendo a situação de risco, Roger correu com o machado em mãos, enquanto Ellena sequer processava o que havia acontecido.
O homem jogou a lanterna no chão e enfiou na parede, sem pensar duas vezes, a lâmina cortante de seu machado. Corte por corte, a parede parecia sangrar lodo. Ellena respira ofegante, espalhando as mãos em seu rosto, até que berra. O choro chama a atenção de Jesse, que elevou sua visão, dando-se conta de que Castiel não estava mais lá. No desespero de não ver seu irmão, ele parte em disparada até Roger e Ellena, com o sangue fervendo e os olhos marejados.
- Cadê a porra do Castiel?! - Jesse pergunta aos dois, onde um permanece focado e em silêncio e a outra sentada no chão, que não tem ideia do que fazer.
Sem obter qualquer resposta, Jesse se enfurece, puxando Roger pelo pescoço e gritando com ele:
- Você me ouviu. Onde tá a porra do meu irmão, seu velho?! - no reflexo, Roger quase revida a atitude de Jesse com seu machado, mas evita.
O homem, de forma madura, respira fundo, acalma os nervos, retira cuidadosamente a mão de Jesse e continua a cortar a parede, porém explicando o que tinha visto:
- Eu não sei, Jesse. Não vi nitidamente o que aconteceu, mas seu irmão tá dentro desse túnel e eu tô tentando tirar ele daqui - ele diz, dando algumas pausas para recuperar o fôlego e continuar a perfurar a parede.
O garoto cerra os punhos de uma forma nunca vista antes por Ellena, como se o garoto estivesse tomado por raiva. Jesse deu um murro na pedra adjacente a ele; talvez devesse ser a forma com que ele lidasse com perdas... mas não pode acabar assim. Roger conseguiu formar um rombo na parede, repleto de gosma que escorre de um ponto ao outro; que revelava o interior da parede, que antes era túnel. O homem olhou para os dois, se agachando para pegar a lanterna caída de volta. Ellena permaneceu sentada no chão, com um semblante desentendido e Jesse sequer mexeu sua mão após o soco. Dada a situação, até que silenciosa, Roger continuou o que tinha em mente: ativou a lanterna com um click e mirou o feixe de luz na pequena fresta do rombo que havia feito na parede. O túnel era mais denso que antes e lá dentro era possível enxergar a presença de Castiel, preso dentro do lodo. O homem pôde ver que atrás do garoto, que mesmo que estivesse vivo quase se sufocava em meio a gosma, também havia a presença de mais algum ser. Era lento e cadavérico. Pelo pequeno rombo, era um trabalho árduo ver do que se tratava com nitidez; mas de fato era algo perigoso.
- Achei ele - Roger relatou, largando a lanterna e empunhando novamente o machado para abrir um rombo maior.
Com a notícia, Jesse se encheu de esperanças mescladas à sua preocupação terrivelmente presente. Roger enfiava e retirava, brutalmente, seu machado da parede. Pouco a pouco, uma entrada era feita e mais se podia enxergar através. Quando o rombo havia se tornado quase uma porta, Ellena teve o reflexo de, no meio da pausa de respiro de Roger, se lançar dentro do buraco. A garota se aproximou do homem, retirou a escopeta do coldre do mesmo e o lançou para dentro, junto de si.
- Ellena?! - Roger tentou puxá-la, mas a garota já estava inteiramente dentro do túnel.
- Que merda ela pensa que tá fazendo?! Frajola, porra! - Jesse grita para Ellena, preocupado.
Os dois perdem o contato com a garota após a parede de lodo se reconstruir bruscamente. Roger, ofegante, passou o machado para a mão esquerda e com sua mão dominante, tateou a parede. Recém caída, Ellena se levanta parcialmente, mantendo-se furtiva. Ela contorna Castiel preso no lodo, que a segue com olhos trêmulos. A garota para, com um dos joelhos servindo de apoio para a arma. A criatura é nitidamente o esqueleto que ela havia visto antes, mas agora ele se mexe. Lodo escorre por sua carcaça vazia, emitindo um cheiro de podridão. Enquanto o ser caminha até Castiel, com seus ossos rangendo, Ellena recarrega a escopeta e a deixa engatilhada. Furtivamente, ela passa despercebida pelo monstro, se preparando atrás dele.
A figura esguia e estalante feita de ossos se aproxima de Castiel, que possui apenas seu rosto à mostra. O monstro segura delicadamente o couro cabeludo de Castiel, aproximando sua face do topo da cabeça dele. Ela parece sentir o cheiro de vida vindo dele. E por um instante, a coisa aparentava abrir a mandíbula, como se pretendesse abocanhar Castiel. Ellena esgueirou-se rapidamente pelas paredes, se aproximando dos dois lateralmente, pois sabia que se atirasse do ângulo que estava, Castiel poderia ser atingido. Então, posta de pé, Ellena elevou o cano da arma, mirando em cheio no crânio da criatura; e ainda cochichou:
- Hasta la vista...
O tiro penetrou o interior do crânio da criatura, resultando em uma explosão de lodo podre e gosmento. O cadáver caiu no chão, como se não fosse absolutamente nada para Ellena; tornando-se, enfim, puro lodo. Arfando de adrenalina, a garota percebeu que o lodo que jazia no corpo de Castiel, se esvaiu pelo chão. O garoto foi liberto, aliviando Ellena de maneira extrema. Logo em seguida, a garota abraçou ele, com força, mesmo que os dois estivessem sujos e fedendo a lodo. Repetindo diversas palavras e frases, Ellena acalmava o garoto, que a abraçava com os antebraços:
- Relaxa... tá tudo bem, você tá bem, estamos bem - ela passa a mão no cabelo de Castiel, tão ansiosa quanto - Vamos sair desse buraco juntos.
Surpreendentemente, a parede de lodo que os separam de Roger e Jesse, cai abruptamente. Jesse e Roger avistam os dois abraçados, em meio a escuridão do túnel. O homem de machado limpa o suor tenso que escorria nas laterais de sua testa, pegando mais uma vez a lanterna do chão, guardando o machado numa alça presa em suas costas e adentrando:
- É bom ver que estão bem - ele ligou a lanterna.
- Eu achei que fosse morrer - os olhos abertos de Castiel encaram Ellena enquanto ele fala - Eu achei mesmo.
- Respira, se acalma - ela ajeita a roupa de Castiel - Você não vai morrer agora, eu não vou deixar. Combinado?
Jesse, do lado de fora do túnel, observa a proximidade de Castiel e Ellena, fazendo com que crescesse uma pequena semente de ciúmes em seu coração, que ofusca completamente o alívio de seu irmão ainda estar vivo. O garoto cerra os punhos, e num evento raríssimo, suas orelhas parecem transbordar de pensamentos, de preocupações; logicamente, não de maneira física. Jesse Brittany impõe uma postura completamente diferente da que ele teria, mantendo a cara fechada e seguindo para dentro do corredor de pedra.
- Crianças, vamos seguir caminho? - Roger se vira parcialmente, um pouco a frente deles e percebe Jesse contornando o abraço, de cara fechada e passando por ele - Aí moleque, o que foi?
- Nada - ele continua adentrando o breu - Precisamos achar um jeito de sair dessa porra desse lugar.
Roger coçou sua barba, confuso sobre a atitude de Jesse. Ellena e Castiel deixam de se abraçar e a garota, com a escopeta na mão direita, segura a mão de Castiel como forma de mostrar que está ali por ele. Os quatro seguem caminho.
- Isso tudo... é tão imprevisível - Castiel disse, claramente tenso com o ocorrido - A gente nunca tem a certeza do que vai acontecer.
- Olha, Castiel - Roger diz, na frente deles - A única certeza que se deve ter sobre o paranormal, sobre o outro lado... é que você vai morrer pra ele se continuar nessa causa. É uma das consequências de se lidar com o desconhecido.
- Eu disse que assumia o risco... - ele pega o lodo de seu pescoço, o joga na parede e retira seu bastão de dentro da mochila - Então vou assumir a porra do risco.
- Isso. Não quero viver uma vida tediosa de estudante quando eu posso desvendar os mistérios dessa cidade com meus amigos - Ellena disse, confiante, soltando a mão de Castiel.
- "Amigos"? - Roger gargalhou - Gostei do espírito.
No meio da caminhada, Jesse escuta um som estranho vindo da parede esquerda do corredor. Um som como se a parede estivesse sendo dilacerada; mas mesmo pressentindo que algo de ruim acontecesse, ele iria encarar a situação com responsabilidade. Cerrou os punhos enfaixados, mantendo uma pose de ataque, firmando-se no chão... ele estava preparado e apto a matar o que quer que estivesse vindo. Quando no meio da parede, abriu-se uma passagem tortuosa e gosmenta, bastante iluminada. De lá ecoaram-se passos rápidos e contínuos; muitos passos. E então, Jesse viu Mariana entrando no corredor, olhando para ele, se encostando no batente da passagem e chamando por alguém. Logo depois, Christopher segurando Rebecca nos braços, entrou no corredor.
- Mariana? Chris? - Jesse questionou, fraquejando a pose de ataque e prestando atenção na garota - O que aconteceu com a Rebecca?
Christopher com os cabelos loiros escondendo seu rosto, segura Rebecca mais forte; a garota parece adormecida agora. No clima que ali jazia, as equipes se reuniram no corredor, em completo silêncio. Seus olhos analisavam uns aos outros, como se fossem desconhecidos. Com os olhos amplos, a íris de Chris se fixa em Jesse, como se ele se sentisse ameaçado:
- Ela... - o loiro olhou para o rosto adormecido da garota, suas pálpebras escurecidas - ela vai ficar bem.
O garoto simplesmente vira para o restante do corredor e segue pelo breu. Mariana se aproxima de Roger, segurando o antebraço do homem e o abraçando em seguida; no meio dos outros três:
- Estamos bem, achamos um portão imenso - ela desfaz o abraço, ainda segurando no braço de Roger - eu suspeito que ela tenha feito aquela coisa de enxergar através das coisas... Rog, ela tá igual a Charlotte tinha ficado.
Na hora, ele fechou a cara, incrédulo. Ele já sabia a resposta daquilo. Olhou para Ellena e Castiel lado a lado e Jesse em sua frente, todos sem saber o que estava acontecendo, preocupados com Rebecca. Roger se aproximou de Mariana e sussurrou em sua orelha esquerda:
- Eu explico melhor pra eles quando sairmos daqui - ele olha para a silhueta apagada de Chris mais a frente - Por enquanto, vou conversar com o moleque....
Mariana assentiu com a cabeça enquanto Roger andava até o loiro, passando de Jesse. A mulher ajeitou o cinto de sua calça e chamou pelos três:
- Vamos, crianças! - ela caminhou lado a lado com Castiel e Ellena - Temos que sair desse lugar, o que descobriram até agora?

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⏰ Última atualização: Dec 15, 2024 ⏰

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