Após milhões de anos de uma devastadora guerra entre os deuses de diversas mitologias, muitos desapareceram e outros pereceram, deixando um rastro de lendas e tragédias. Entre os poucos que sobreviveram, alguns trouxeram ao mundo seus descendentes...
Umi e Victoria caminhavam lado a lado até uma imponente cerejeira em flor, cujas pétalas rosadas dançavam ao som de uma suave melodia de violino. A música pairava no ar como uma brisa cálida, trazendo um toque de serenidade que tentava afastar os pensamentos de Umi, ainda inquieto com a lembrança de Aoi. À medida que se aproximavam, a figura de um homem de cabelos ruivos, dedilhando o violino sob a sombra da árvore, se tornava visível.
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- Que música... tão bonita... - murmurou Umi, o olhar fixo no violinista.
- Senhor Ryan! - exclamou Victoria, acenando animadamente. Com um sorriso aberto, ela correu em sua direção, o que fez o homem interromper a melodia e sorrir ao vê-la.
- Victoria, vejo que já está recuperada - disse ele, afagando-lhe o ombro e ajeitando uma pequena ruga em sua camisa. - Uma mocinha deve andar sempre bem arrumada, sabia?
- Desculpa, senhor Ryan - respondeu Victoria, com uma expressão levemente envergonhada.
Ryan sorriu, ainda com um brilho nos olhos. - Imagino o que Fergus diria sobre isso...
- Ele nem percebe essas coisas! - resmungou Victoria, emburrada, inflando uma das bochechas de leve. Ryan riu, divertido. Seus olhos logo se voltaram para Umi, avaliando-o com calma.
- Então, é este o garoto?
Umi, sentindo uma aura densa ao redor de Ryan, engoliu em seco e, tentando disfarçar o nervosismo, se apresentou.
- Meu nome é Umi Mizushima, senhor Ryan.
Havia algo na postura e no olhar daquele homem que fazia Umi se sentir pequeno, quase esmagado por uma energia imponente, semelhante ao que sentira antes com Scarlet. (Pensamento de Umi): "Ele parece gentil, mas há uma força incrível em cada palavra que ele diz... Se eu o irritar, não sairei daqui vivo." Com um sorriso sutil, Ryan tentou tranquilizá-lo.
- Diga-me, Umi, você sabe por que o trouxemos até aqui?
Umi hesitou. - Eu... não sei. Mas... por favor, não vá atrás de ninguém relacionado a mim.
A expressão de Ryan suavizou, como se tivesse entendido algo importante. - Não vamos machucar ninguém, Umi. Mas preciso que entenda... trazer você aqui nos coloca em uma posição de risco.
- Posição de risco? - repetiu Umi, confuso.
Ryan assentiu, encarando-o com seriedade. - Sim. Você estava em um lugar que exalava um cheiro demoníaco muito forte.
- Cheiro... demoníaco?
Com um olhar mais sério, Ryan explicou de forma direta: - Demônios de nível baixo podem ser detectados facilmente quando estão próximos. Mas os de alto nível... podemos senti-los a quilômetros de distância. Esse demônio, em particular, não parecia sequer tentar se esconder.
Ryan apontou diretamente para Umi, cujo olhar se fixou na mão dele, o coração disparado.
- E isso nos leva a você. Um garoto com poderes de lobisomem em um local com cheiro de demônio. O que fazia lá?
Umi hesitou, cada palavra que pensava em dizer parecia um risco à sua vida e à de Aoi. Finalmente, ele se decidiu por algo:
- Eu... afugentei aquele demônio. Enfrentei-o e fiz com que fugisse.
Ryan fechou os olhos por um momento, como se avaliasse a veracidade de suas palavras. Ao abrir os olhos, seu olhar transparecia descrença.
- Impressionante... se fosse verdade.
- Como assim? - Umi sussurrou, inquieto.
- O demônio que sentimos não era qualquer um. Ele possuía uma energia imensa, capaz de atrair outros de sua espécie de níveis mais baixos. Não minta para mim, Umi Mizushima.
O tom de Ryan foi calmo, mas a intensidade de sua presença fez Umi recuar, os joelhos cedendo até ele cair ao chão.
- Quem é você, de verdade? - pressionou Ryan.
Preso, sem opções, Umi se levantou em um impulso desesperado e correu em direção a uma mureta, decidido a fugir. Olhando para trás, percebeu que Ryan havia desaparecido.
- Ele sumiu? Pra onde ele foi? - questionou-se, desesperado. - Não importa! Tenho que sair daqui!
Mas, de repente, sentiu uma dor aguda na nuca e sua visão escureceu. O último pensamento antes de perder a consciência foi a imagem de Ryan, que, num movimento ágil, o havia deixado inconsciente.
- Me desculpe, Umi... mas não posso deixar você ir embora.
Após algum tempo desacordado, Umi despertou ao som de vozes em uma sala silenciosa. Reconheceu a voz de Ryan, junto com Scarlet e Victoria, e percebeu a presença de um estranho com um tom de voz enfurecido.
- Ele devia estar morto! - rugiu o desconhecido.
- Não diga isso, ele não é uma má pessoa - defendeu Scarlet.
- Não?! Ele nos atacou sem hesitar! - retrucou o homem.
Victoria, coçando o queixo, acrescentou: - O que me intriga é por que ele tentou fugir depois de ser tão bem tratado...
- Viu? Ele deve estar escondendo algo. Vamos acabar com ele enquanto está dormindo - insistiu o estranho.
Mas Ryan, mantendo a serenidade, acalmou os ânimos: - Tenham calma. Talvez, com todos nós aqui, ele resolva falar a verdade.
Scarlet assentiu. - Ryan tem razão. Com base no relatório, a reação dele pode até ser compreensível.
Umi, lentamente, abriu os olhos, sentindo algo úmido roçando seu rosto. Um pequeno cachorro de pelos amarelados e espetados o cheirava, e, ao perceber que o garoto acordara, deu um salto para trás, surpreso.
- Gente, ele está acordando! - avisou Victoria, com um sorriso.
- Certo, pessoal, mantenham a calma
- disse Ryan, sem desviar o olhar de Umi.
Umi, ainda confuso, reconheceu as pessoas ao seu redor, exceto um jovem de cabelos espetados que o encarava com hostilidade.
- Senhor Ryan?
- Agora que estamos todos reunidos - começou Ryan -, permita-me nos apresentar. Umi piscou, confuso.
- Nós somos... - Ryan fez uma breve pausa. - Os Guerreiros de Santa Maria. Fim do Capítulo Próximo capítulo: A Antiga Guerra