Um recomeço era exatamente o que eu precisava neste momento, então decidi me afastar de tudo. Comprei uma casa em outro estado, bem longe do meu ex-marido. Nunca se casem aos vinte anos sem pensar nas consequências – uma lição que aprendi da forma mais dura. Essa casa, para onde estou me mudando agora, é completamente diferente do meu antigo apartamento em Nova York. Mas diferente é bom. Ela tem um charme único, uma verdadeira cara de lar, algo que eu sempre desejei. E o preço estava irresistível! Sem pensar duas vezes, empacotei minhas coisas e me mudei.
A casa é grande para uma mulher de vinte e oito anos que vive sozinha, mas eu não me importo. Na verdade, gosto da solidão, do silêncio que me ajuda a focar no meu trabalho e a encontrar paz.
Assim que chego, a primeira coisa que faço é uma faxina caprichada. O lugar estava empoeirado, com móveis antigos e desgastados, mas eu decidi mantê-los. A vibe vintage me conquistou, e sinto que esses móveis carregam histórias que quero descobrir aos poucos. Após arrumar cada canto da casa, decido relaxar um pouco. Ligo a banheira, sirvo uma taça de vinho tinto suave e pego um bom livro.
Após meu banho maravilhoso, vou para o quarto e escolho uma camisola de cetim preta, que desliza suavemente pela pele. Passo meu hidratante favorito, sentindo a pele macia e renovada, e finalizo com uma borrifada do meu perfume preferido. Adoro a sensação de deitar cheirosa, como se estivesse cuidando de cada detalhe para uma noite tranquila e revigorante.
Na manhã seguinte, preparo meu café com calma e levo meu notebook para a mesa da cozinha. O silêncio da casa me envolve, e logo estou totalmente concentrada no trabalho, imersa nas minhas tarefas. Nem percebo o tempo passar, nem noto que não estou mais sozinha.
“Você deve ser a nova dona.” A voz desconhecida me tira do transe, e quando levanto o olhar, vejo uma mulher mais velha de cabelos loiros, parada na minha frente. Ela me observa com um sorriso tranquilo, como se já nos conhecêssemos.
Dou um salto de susto ao ver a mulher ali, e minha xícara de café escapa das minhas mãos, estilhaçando no chão. Droga, era a última xícara de café.
“Como você entrou na minha casa?” pergunto, tentando manter a calma, embora minha voz denuncie a surpresa.
“Eu conheço essa casa como a palma da minha mão”, disse a mulher com um olhar sereno, como se aquele fosse o lugar dela também.
Minha respiração acelera, mas mantenho a expressão firme. Dou alguns passos sutis em direção às gavetas, onde estão as facas. Abro a gaveta com cuidado e, sem tirar os olhos dela, pego uma faca.