E se ao invés da Sookie, a protagonista de True Blood fosse a Hope Mikaelson?
E se ela assim como todos os vampiros do mundo viesse á tona?
E como os vampiros e humanos de Bon Temps reagiriam á existência de uma Tribrida?
Eu nunca na vida me senti como uma vampira, até agora. Pela primeira vez, me sinto como uma verdadeira predadora, uma adulta. É meio difícil explicar, mas estando aqui neste baile cheio de vampiros centenários de certa forma sendo posta a prova parece que finalmente estou no mundo adulto. Eles todos olham para mim. Alguns com curiosidade, outros com nojo, com raiva. E pela primeira vez noto esses olhares. Existem coisas que você não percebe quando é criança, bom você até percebe, mas não compreende. Pela primeira vez estou por conta própria, encarando o preconceito, o ódio e até o racismo dos vampiros. Isso não é a escola, aqui é o mundo real.
Muitos vampiros me cumprimentaram, me elogiaram, beijaram a minha mão. E eu os cumprimentei de volta embora saiba que tudo isso é um teatro. Eu poderia matá-los, mordê-los, estraçalhá-los, mas nem todos os conflitos são resolvidos com violência, nem todas as brigas são físicas. A maioria das brigas acontece por debaixo dos panos, o ódio vem escondido atrás de um sorriso e isso é pior do que uma surra, muito mais nojento do que estar coberta de sangue até as orelhas. A falsidade me enoja.
Estou observando as roupas das outras vampiras, a maioria está de vermelho ou preto e devo admitir que estou impressionada com a elegância delas. Elas são elegantes e femininas, duas características que por algum motivo parecem ter caído em desuso ultimamente. Então, a anfitriã do baile, a Rainha Sophie-Anne Leclerq veio nos cumprimentar e pelo olhar na cara do Eric algo está definitivamente errado.
-Senhor Northman, senhorita Mikaelson é uma honra tê-la como minha convidada esta noite. Adorei o seu vestido.- Ela me elogiou.
A Rainha Sophie- Anne é uma mulher alta, magra e esbelta. De olhos azuis e lindos cabelos ruivos que estão soltos, mas lindamente encaracolados com aqueles cachos dos anos vinte. Sua maquiagem é bem mínima, os olhos são o destaque com sombra preta, delineador e ela usa um vestido preto justo que valoriza suas curvas. Sexy, sem ser vulgar.
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-Obrigado. O seu vestido também é muito lindo. A senhora é uma mulher muito bonita, Majestade.- Elogiei sinceramente.
-Own, você não é uma graça?- Disse a ruiva. Ao invés de devolver o elogio ela faz pouco de mim.
-Está debochando de mim?!- Perguntei meio irritada.
A arrogância desses vampiros me estressa. Que custa ser gentil de volta?
-Em absoluto.- Ela respondeu.
Mas, eu sei que é mentira. Então, respirei fundo, pedi licença e fui até o bar. Preciso de uma bebida para acalmar os nervos, aplacar a ira. Pedi ao bartender uma taça de champanhe que eu fiz questão de beber bem devagar. Não quero falar com ninguém nesse momento e agradeceria imensamente se ninguém falasse comigo, mas infelizmente nem sempre se tem o que se quer.
-Planejando ficar bêbada?- É o Eric.
-Eu não sei. Acho que sou a única pessoa aqui que não está planejando nada.- Disse decepcionada, me referindo ás tramoias que com certeza rolavam no salão.
Será que é sempre assim? Acho não sou tão experiente quanto eu pensava, na verdade tendo sido filha única de dois pais que sofreram abuso e abandono, tendo nascido numa família abastada onde crianças são raridade eu fui super protegida. Portanto, agora percebo que sou profundamente ingênua e que não sei merda nenhuma sobre o mundo. Cresci com todos me dizendo que eu era especial, meu pai me disse que eu seria a maior bruxa que o mundo já viu, mas aqui e agora? A realidade morde. Por mais poderosa que eu seja, não sei merda nenhuma.
-Vai ficar ai no bar a noite toda?- O loiro perguntou.
-Tem alguma ideia melhor?- Questionei.
-Na verdade, tenho. Quer dançar?- Ele me convidou.
-Quero.- Respondi.
Ele me pegou pela mão e nós fomos para a pista. Logo uma de suas mãos segurava uma das minhas enquanto a outra estava cuidadosa e delicadamente posicionada na minha cintura e começamos a dançar, a balançar de um lado para o outro. Enquanto nos movíamos uma música começou a tocar na minha cabeça.
P.O.V. Eric.
Estávamos dançando e de repente ela começou a cantar.
-A luz que acende o olhar, vem das estrelas do meu coração... vem de uma força que me fez assim...- Ela estava cantando. E até que a Tribrida tem uma voz afinada, mas essa música? É a música mais melosa de menininha que eu já ouvi.
Eu a girei e quando puxei-a de volta para os meus braços nossos olhos se encontraram, azul no azul. Olhando naqueles orbes tão profundos, com uma profundidade que assusta e um brilho que poderia iluminar até as trevas mais profundas eu me senti... perturbadoramente humano. Exposto. Era como se ela pudesse me ver por dentro. Mas, sei que meu olhar também a abalou eu sinto. O corpo antes relaxado ficou duro, está nervosa.
Confesso que há muito que eu não sei sobre os vampiros da raça dos Mikaelson. Eu nunca me importei com eles, mas a intensidade daquele olhar me assustou. Quando a música finalmente acabou ela pediu licença e saiu dizendo que precisava tomar um ar. No que Hope saiu, Sophie-Anne veio me abordar.
-Senhor Nothman. Encontrou um novo brinquedo? Admito ela é gostosinha.- Disse a Rainha se referindo á Hope.
-Você não devia estar morta?- Perguntei.
-É maravilhoso o que essas bruxas podem fazer. Você deveria conseguir uma para você. Apesar de que, acho que já conseguiu.- Disse Sophie-Anne.
De repente, a ruiva caiu no chão gritando. Apertando a cabeça como se estivesse sentindo dor.
-Eu NÃO SOU brinquedo e nem pau mandado de ninguém!- Disse a Tribrida aparecendo por detrás da Rainha.- Você não fale de mim como se eu fosse sua inferior, me respeite ou...
Hope agarrou os cabelos ruivos de Sophie-Anne, colocou as presas para fora e fez elas roçarem no seu pescoço alvo.- Vou enfiar as minhas presas no seu pescoço e deixar você para morrer entendeu, vadia?
Como Sophie-Anne não respondeu, Hope a sacolejou.- Eu perguntei se entendeu!- A Tribrida gritou.
-Sim.- A Rainha respondeu.
-Ótimo. E isso... vale para você também Northman. Vale para todos vocês! Não confundam a minha gentileza e feminilidade com fraqueza.- Então ela quebrou o pescoço de Sophie-Anne.- Eu SOU UMA ORIGINAL! Sempre se lembrem disso.
É claro que depois disso tivemos que ir embora e no dia seguinte descubro que Hope havia contratado uma assistente pessoal formada no M.I.T. em ciências da computação. Mas, porque? Para que?