- Capítulo 35 - Ruínas: Tempo necessário.

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- Marcus Guilbert.

Estava sendo bombardeado por perguntas insistentes de minha querida sogra quando de repente escuto o pedido de ajuda vindo do quarto onde Lana estava.

Aconteceu.

Era um pouco óbvio, mas o que ela não sabe, é que o seu pai estava tratando de um tumor no coração, em que ele mesmo pediu para sua esposa, para não contar para Lana de jeito nenhum.

Não quis dar a notícia também, mas agora me pergunto se realmente fiz a coisa certa.

Enfermeiros entram no quarto e eu entro junto, achando Lana totalmente perturbada em um canto do quarto, enquanto o barulho irritante da máquina ainda estava bem alto.

Fui rapidamente ao seu encontro, a abraçando e tentando confortá-la o máximo possível, mesmo sabendo que nada vai suprir a falta que o pai dela vai fazer.

Minha querida...

Seus batimentos cardíacos estavam incontroláveis enquanto ela me abraçava apertado, chorando tanto, parecendo que ela soltaria um grande grito de dor de repente.

E então eu a tiro de lá, passando por todos e pela a sua mãe desesperada também. Saindo do Hospital, ela se solta do meu braço.

- O que está fazendo porra? Eu quero ficar lá! Eu tenho que ficar com o meu pai! - ela grita comigo e por um momento, todos os olhares curiosos param em nós.

- Eu estou apenas tentando ajudar, não vai ser bom você ficar lá amor. - digo em um tom calmo, ignorando a sua brutalidade comigo.

- Você não entende! - ela tenta me empurrar para longe, para ter espaço para passar para a entrada do Hospital novamente.

Com um pouco da minha força, impedi ela de passar, fazendo ela ficar mais enfurecida ainda. Enquanto ela se debatia, abraçei seu corpo mais forte, fazendo de tudo para acalmar ela.

O que foi quase impossível.

Lana continuava a chorar cada vez mais alto enquanto estava em meus braços, tudo aquilo já estava apertando o meu coração. Eu estava agoniado. Eu preciso achar uma forma de ajudar ela.

- Me deixa passar! Eu preciso estar lá... - ela diz entre os prantos, parecendo estar cada vez mais fraca ao terminar de falar.

Continuei abraçando seu corpo com força, fazendo de tudo para deixá-la segura, confortável.

Mas em um momento de minha fraqueza, ela se solta de meus braços e corre pra longe, como se estivesse fugindo de mim, fugindo do meu carinho, correndo para longe de mim.

Em um momento enquanto ela se afasta, ela se vira e vejo os seu olhar desdenhoso em minha direção. Meu coração que já estava apertado, se transforma em pedaços.

Ela não me quer por perto?
Ela me enganou por todo esse tempo?
Tudo foi uma grande mentira e isso foi a sua chance de liberdade?
Onde eu errei?

Não tive forças para correr atrás dela. Algo que eu já temia há muito tempo aconteceu.

Ela realmente não me quer por perto.

Eu temia demais esse acontecimento, porém não imaginava que seria tão doloroso ver ela correndo assim de mim.

Me sinto fragilizado. Já fazia anos que eu não me sentia assim. Não consigo correr atrás dela agora, talvez eu realmente deva dar um tempo e privacidade para Lana depois de todos esses anos.

Vai ser algo bom. Não é mesmo?

Nós precisamos de tempo, apenas isso, tempo.

- Lana Walker.

Sem pensar duas vezes, fujo para um lugar bem longe dali, longe do hospital, longe da minha mãe e longe do Marcus.

Eu preciso de tempo.

Tudo está sufocante, nem mesmo o ar parece o mesmo, minha cabeça está tão perturbada, ao ponto de eu desejar arrancar toda a pele do meu rosto, arrancar cada fio de cabelo da minha cabeça e roer minhas unhas até o ponto de eu ver sangue.

Quando percebo, eu já estou em um lugar desconhecido, uma pequena colina com uma laranjeira no topo. Isso é tão clichê.

Tento respirar fundo várias vezes, muitas sem sucesso, as lágrimas vinham e atrapalhavam tudo. Resolvi me sentar naquela grama molhada, ignorando minhas roupas.

O dia estava estranhamente nublado, tudo estava molhado e parecia que estava anoitecendo, tudo estava tão triste, tão obscuro.

Isso me trouxe uma sensação de solidão, de que algo estava faltando ali, que algo estava completamente errado. Minha mente me trouxe de volta a memória de quando fugi de Marcus, seu olhar tristonho se aprofundando a cada passo para longe que eu dava.

Fui dura demais com ele, ele queria me ajudar.

Eu sou tão idiota, que merda! Se ele não veio atrás de mim, então está magoado comigo. Porra.

Eu magoei aquele quem eu amava.

O dia não poderia ficar pior, mas ao pensar nisso, automaticamente a chuva que estava ameaçando cair desde quando cheguei nesta maldita cidade resolve cair.

Em uma proporção tão grande ao ponto de algum escritor dizer "Os céus choraram naquele dia."

Mais um clichê.

Me escolho em meus joelhos e sinto as gotas molharem meus cabelos e minhas roupas de uma forma muito apressada. Rapidamente sinto minhas roupas grudadas em meu corpo e meus cabelos encharcados, junto de um frio tão solitário que me fez chorar novamente.

Pelo menos minhas lágrimas eram quentes em minha bochecha gélida.

Eu apenas espero que Marcus volte pra mim, que ele não tenha pensado errado.

Eu devia procurar ele.

Me cansei de bancar a mulher forte que não precisa de ninguém. Eu preciso dele.

Quando eu estava prestes a me levantar da grande poça que se formou na grama abaixo de mim, sinto a chuva parar de repente, como se um guarda chuva me protegesse, junto de uma silhueta masculina no chão.

Era ele. Ele voltou para mim.

Com uma pequena felicidade no olhar, me viro para olhar para a grande sombra masculina atrás de mim, me deparando com a pior coisa possível.

- Você não deveria estar nesta chuva Lana, não quero que você gripe. - Aquela voz ecoou na minha cabeça, junto da grande pergunta. O que ele quer aqui?

- Simon... Cadê o Marcus? - pergunto tristonha, sentindo um grande aperto no coração e uma sensação muito ruim, algo que me mandava fugir.

Em um ato bruto, sinto ele se abaixando ao meu tamanho e abraçando meu corpo por trás, deixando de lado o guarda chuva. Ele tapa minha boca com um lenço e quando percebo isso, um grande desespero me consome, junto de uma lentidão e fraqueza enorme.

Tudo era escuro agora.






N/A:

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Muito obrigada por lerem este capítulo, até a próxima.

𝐓𝐨𝐱𝐢𝐜 𝐋𝐨𝐯𝐞.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora