- Capítulo 37 - Memórias Pt. 2: Cicatrizes.

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- Simon Guilbert.

Minha ira despertou aos 11 anos de idade.

Marcus me evita a todo custo, o que aumenta ainda mais o meu ódio. Um simples pedido de desculpas poderia ter resolvido tudo naquela época, porém, eu ainda espero essa simples empatia até os dias atuais.

Os treinos de tortura começavam a partir dos 12 anos de idade. Então eu não tinha experiência nenhuma em dor física, mal sabia me defender.

Porém Marcus não. Ele já era treinado para matar, e da mesma forma me largou ali para morrer.

Porém, tenho uma certa vantagem estando na sombra de Marcus. Meu pai gosta de me manter quieto, para não "Atrapalhar seus planos." e por isso consegui fazer coisas que Marcus não conseguiu. Como fazer viagens a estudos, não ter treinos e nem ser obrigado a lutar e matar.

Flashback:

- Se você fosse metade do homem que seu irmão é, isso nunca teria acontecido! - meu pai grita novamente.

Foi as primeiras palavras que ele cuspiu ao me ver depois de meses em confinamento por pura vergonha que eu causaria nele.

Qualquer oportunidade de fazer meu pai mudar de ideia sobre mim foram todas para o ralo após o incidente.

E a culpa era toda dele. Marcus.

Quando minhas feridas cicatrizaram completamente, pude finalmente sair do quarto. Muitos olhares estranhos foram mirados para mim, tanto de membros da máfia, tanto de funcionários e empregados da casa.

Tudo foi uma mistura de decepção, vergonha, pena, tristeza e vergonha.

Se eu soubesse que sofreria tanto ao voltar pra casa, eu acho que preferia morrer na mão daqueles homens.

Fui cortado de todos os treinos de resistência e força, os de armas e etc. Meu pai viu que eu nunca levaria jeito pra coisa, eu só o envergonharia cada vez mais.

Eu não vi Marcus o dia todo, eu procurei e esperei por ele. Eu queria saber o que ele diria pra mim. Algo como "Que bom que você tá bem." ou "Me perdoe". Coisas assim que tirariam da minha cabeça a ideia de que ele me abandonou de propósito.

Eu nunca ouvi essas palavras virem de sua boca. Nos encontramos no jantar, mas ele sem querer olhou na minha cara.

Com isso, eu passei a ter o dia inteiro livre, não tinha mais obrigações e também não íamos para escola, já que todo o treinamento e educação eram ensinados por professores e mestres pessoais, contratados pela a máfia.

Toda essa ignorância de Marcus se estendeu por vários e vários meses. Sem contato algum comigo. Eu me sentia um verme.

Até um dia, isso finalmente acabar.

- Malas? São de quem? - perguntei para Carmen, que estava organizando algumas malas para levar até algum lugar.

- São suas. - A voz séria do meu pai ecoa atrás de mim, assustando a empregada.

- Pra onde vamos viajar? - falei com um pouco de animação.

𝐓𝐨𝐱𝐢𝐜 𝐋𝐨𝐯𝐞.Onde histórias criam vida. Descubra agora