Monstros de Asas

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Último capítulo do ano, eu esqueci de postar no sábado então tô postando hoje e também vai sair um vídeo lá no meu tiktok, obrigada a todos que leram essa fanfic e as minhas outras 💜

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Yoongi POV

Acordei com um peso imenso nas costas, uma sensação de desconforto que nunca havia sentido antes. Meus músculos estavam rígidos, e ao tentar mover meus ombros, algo se arrastava junto a mim. Confuso, abri os olhos, ainda semicerrados, e olhei ao redor. Estávamos em um ambiente pequeno e abafado, quase sem janelas, exceto por um espelho na parede.

Mas não era isso que chamou minha atenção. Quando olhei para o meu reflexo no espelho, senti um arrepio na espinha. Asas brancas, grandes e imponentes, estavam fixadas em minhas costas. Elas se agitavam lentamente, como se fossem parte de mim. Meu cabelo, que deveria ser preto, agora era de um verde vibrante. O que estava acontecendo?

Eu estava em um pesadelo?

O som de respiração suave ao meu lado me fez virar. Jimin estava deitado ali, profundamente adormecido. Suas feições calmas pareciam estranhamente em paz, mas algo nele também estava diferente. Minhas mãos tremeram quando me aproximei para acordá-lo. Suas asas... eram pretas. Não como a noite estrelada, mas como a escuridão mais profunda que já vi. E seu cabelo... laranja, um tom que contrastava de maneira chocante com o ambiente sombrio.

- Jimin... – murmurei, balançando-o suavemente. – Acorda.

Ele abriu os olhos lentamente, piscando várias vezes enquanto tentava se situar. Eu podia ver a confusão crescer em seu rosto assim que ele percebeu o peso de suas próprias asas. Ele se mexeu, tentando levantar, mas sua expressão de dor foi imediata. Seu corpo enrijeceu, e ele soltou um grito de dor.

- O que... por que dói tanto? – Jimin gemeu, ofegante.

Me abaixei rapidamente para ver o que estava acontecendo. As asas dele, que deveriam ser majestosas, estavam cobertas de cortes profundos, com sangue seco manchando as penas. Meu coração apertou ao ver aquilo.

- Não se mexa. Se você tentar abrir essas asas, vai piorar. – Eu tentei manter a calma, mas a verdade é que estava tão assustado quanto ele.

Jimin assentiu, tentando se controlar, mas o medo em seus olhos era inegável. Olhei ao redor novamente, tentando encontrar alguma pista de onde estávamos, e foi então que notei as palavras rabiscadas no espelho: "Olhem pros monstros que vocês são."

Monstros? Isso não fazia sentido. Como Jimin poderia ser um monstro com aquelas asas? Ele parecia um anjo caído, ferido, mas ainda assim angelical. A pergunta latejava na minha mente enquanto nos mantínhamos ali, presos, sem saída.

O tempo passou, mas não sabíamos quanto. Tudo parecia distorcido naquele lugar. Jimin, tremendo de dor e exaustão, se encolheu ao meu lado. Eu o abracei, envolvendo-o tanto com meus braços quanto com minhas asas, tentando protegê-lo de qualquer coisa que pudesse acontecer.

- Tenho um pressentimento ruim, Yoongi... – ele murmurou baixinho, sua cabeça encostada em meu peito. – Algo de terrível vai acontecer.

Eu apertei os braços ao redor dele, tentando transmitir segurança, mesmo que dentro de mim estivesse desmoronando. Sentia-me impotente. Não havia saída, e tudo o que eu queria era tirá-lo dali.

De repente, o som de uma porta rangendo nos fez olhar para cima. Um homem enorme entrou no cômodo, seus passos pesados ecoando no chão frio. Seus olhos varreram o espaço até pararem em nós.

- Onde está o de asas negras? – ele perguntou, sua voz era áspera e cheia de autoridade.

Fiquei quieto, sem saber o que fazer. Eu não ia entregá-lo, mas ao mesmo tempo, sabia que não tínhamos como lutar. O homem se irritou com o silêncio e apertou um botão em um pequeno controle em sua mão. Imediatamente, um som estridente começou a encher a sala. O barulho era agudo, insuportável, como se estivesse rasgando meus ouvidos por dentro.

Eu gritei, incapaz de suportar a dor, e instintivamente levei as mãos aos ouvidos. Minhas asas se retraíram, e sem querer, soltei Jimin, deixando-o desprotegido. O homem aproveitou o momento e o agarrou pelos braços, puxando-o para longe de mim.

- Não! – gritei, me levantando de imediato.

Mas foi naquele momento que algo estranho aconteceu. Eu me tornei invisível. Não sabia como, mas de repente, o homem não conseguia mais me ver. Ele olhou ao redor, confuso, seus olhos passando direto por onde eu estava.

- Onde está o de asas brancas? – ele gritou para Jimin.

Mas Jimin não tinha respostas. Ele estava lutando, tentando se soltar, mas estava fraco demais. O homem o ergueu e o arrastou para fora do cômodo. Eu segui atrás, ainda invisível, incapaz de fazer qualquer coisa além de observar. Cada grito de Jimin fazia meu coração apertar mais e mais, mas eu não sabia como ajudá-lo. Até que o homem, impiedosamente, o acertou com um soco forte. Vi o corpo de Jimin desabar no chão, desmaiado.

- Jimin! – gritei, mesmo sabendo que ele não podia me ouvir.

Eles o levaram para outro cômodo, um grande aquário de vidro no meio da sala. Colocaram o corpo inerte de Jimin lá dentro e trancaram a porta. A luz azulada que banhava o aquário fazia parecer que ele estava flutuando em um mar morto, imóvel, quase como se estivesse... sem vida.

Eu estava preso, incapaz de fazer qualquer coisa enquanto o via lá dentro, quase sem respirar. Quando os homens saíram, finalmente reapareci. Corri até o aquário, minhas mãos tremendo enquanto eu batia no vidro.

- Jiminie, por favor... acorda – minha voz estava trêmula, quebrada pela dor.

Mas ele não se mexia. Não respirava. Meu desespero aumentava a cada segundo, e lágrimas começaram a cair. Aquele sentimento me rasgava por dentro. Tudo o que eu queria era que ele voltasse. As palavras saíram de mim sem que eu percebesse.

- Jiminie... meu amor, acorda... por favor. Eu te amo. – Minha voz se tornou um grito angustiado.

O som do meu choro reverberava pela sala, ecoando como um lamento de dor que eu não sabia conter. Dizem que o choro de um anjo, quando ele realmente sente tristeza, pode ser devastador. E ali estava eu, destruído pela dor de perder Jimin. Minhas asas, antes brancas e puras, agora pareciam sujas, assim como minha alma.

Então, tudo ficou preto.

Conexões Infinitas - Yoonmin Onde histórias criam vida. Descubra agora