Nessa viagem, descobri que uma das minhas coisas preferidas no mundo é beijar. Quero dizer... já beijei algumas vezes ao longo da minha vida, mas, nenhuma delas se compara a beijar Eddie. E também cheguei a conclusão que nenhum filme vai ser mais interessante do que a companhia dele. Assim que os créditos do filme que estávamos "assistindo" com Joe rolaram na tela, me afastei do beijo e o encarei com um sorriso no rosto. A luz fraca da televisão batia de relance no rosto de Eddie, iluminando apenas algumas partes, mas, o suficiente para poder admirá-lo. Seus olhos brilhavam mais do que nunca.
Eu acho que não poderia ter mais sorte.
Dei um beijo rápido no canto de sua boca, e descanso minha cabeça no seu ombro. Ficamos alguns minutos naquela posição, apenas aproveitando a companhia um do outro.
De repente, Joe acorda. Ele murmura alguma coisa e se levanta da onde estava sentado. Rapidamente me desencosto de Eddie, tentando não deixá-lo desconfortável com a situação.
Joe pisca algumas vezes, olhando para nós e ao redor, ainda tentando se recompor do cochilo.
— Acho que perdi o filme inteiro... — Joe diz no meio de um bocejo
— Nem me fale... — respondo tentando disfarçar o rubor que aparece no meu rosto.
— Como foi o filme?
Dou um olhar cúmplice pra Eddie, erguendo as sombrancelhas.
— Foi ótimo, não foi, Eds? — digo, sorrindo de forma provocativa para ele.
— Foi, sim. — Eddie disse, logo em seguida, limpando a garganta, me fuzilando com o olhar.
Joe organiza as almofadas onde estava sentado, logo dando uma risada. Ele olha para nós dois, nos lançando um sorriso acolhedor.
— Bem, eu vou ir dormir. Vocês não demorem muito, viu? — Joe diz enquanto andava em direção das escadas.
— Boa noite. — Eu e Eddie dizemos em uníssono e esperamos ele ir até o andar de cima.
Deixo minha cabeça cair no ombro de Eddie assim que escuto a porta do quarto do Joe fechar.
Bom, não é como se eu me importasse em mostrar afeto ao Eddie em público — até porque, por mim, eu faria uma declaração pública para ele no meio de uma praça — , mas, quero evitar deixá-lo desconfortável, já que é a família dele, e, não sei como ele se sente sobre isso.
Eu desencosto minha cabeça de Eddie, sorrindo para ele. Coloco uma das minhas mãos em seu rosto e dou um selinho nos seus lábios. Eddie sorri assim que nos afastamos, com o rosto levemente vermelho.
Logo, ele olha para a escada, e para mim de volta, mudando a expressão.
— Melhor a gente subir, né? Precisamos organizar as coisas para amanhã... — ele diz, e sinto algo se quebrando dentro de mim.
Havia esquecido completamente que amanhã iríamos de volta para Derry. E, isso significa que logo precisarei voltar para a casa da minha mãe. Não quero ter que me afastar de Eddie... não ainda.
— É... — minha voz sai mais baixa do que eu pretendia.
Desvio o olhar para a televisão, que ainda exibia os créditos rolando lentamente na tela. Meu peito aperta com a lembrança de que amanhã tudo volta ao normal. Eddie e eu voltamos para Derry. Ele para a casa dele. Eu para a minha. E tudo isso... essas noites, esses momentos só nossos, vão se tornar lembranças.
Sinto a mão de Eddie segurar a minha, e quando olho para ele, seus olhos castanhos estão fixos em mim. Ele não precisa dizer nada para que eu entenda que ele está sentindo o mesmo.
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Páginas de Verão - Reddie
FanfictionRichie Tozier nunca teve coragem de encarar seus sentimentos - especialmente aqueles que envolviam Eddie Kaspbrak. Aos 12 anos, o garoto que era barulhento e sempre com piadas encontrou uma forma de expressar o que sentia, preenchendo as páginas de...
