O Bunker

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A escuridão envolvia a floresta como um manto sufocante, os galhos retorcidos pareciam querer nos agarrar enquanto corríamos desesperadamente. Estávamos fugindo à horas, com os passos rápidos da corporação ecoando não muito longe. O som de nossa respiração ofegante misturavam-se ao farfalhar das folhas sob nossos pés.

Os rapazes estavam na frente, abrindo caminho pela penumbra. Ethan olhou para trás, os olhos brilhando com preocupação ao perceber que eu havia parado, apoiando-me contra o tronco áspero de uma árvore.

- Emma! - ele chamou, mas sua voz parecia distante.

O mundo ao meu redor girava, meu peito queimava, e, antes que pudesse responder, me curvei, o estômago se revirando. A bile quente subiu, mas o que saiu foi pior. Era sangue! Vermelho vivo, manchando a grama escura.

O olhar de Ethan era de puro horror enquanto voltava correndo em minha direção, mas minhas pernas tremiam, meu corpo fraquejava, e a floresta ao nosso redor parecia querer nos engolir.

Ethan chegou a tempo de me segurar antes que eu desabasse completamente. Suas mãos firmes em meus braços me mantinham de pé, mas eu sentia o calor do sangue ainda escorrendo dos meus lábios.

- Em, olhe pra mim! O que está acontecendo? - Sua voz era urgente, mas baixa, quase um sussurro. Ele sabia que não podíamos chamar atenção.

Eu tentei responder, mas as palavras se embaralhavam na garganta, dando lugar a mais um espasmo de dor. Meus olhos buscaram os dele, desesperados, mas antes que qualquer coisa pudesse ser dita, ouvimos o som inconfundível de passos quebrando galhos secos.

Ethan me puxou para trás da árvore e nos abaixamos, seu corpo protegendo o meu enquanto olhava ao redor, atento. As luzes de lanternas começaram a cortar a escuridão, dançando entre os troncos como fantasmas caçadores.

- Eles estão aqui! - ele murmurou, quase sem som, e então se virou para mim. - Fique aqui, se algo acontecer, corra! - Ele hesitou, os olhos cravados nos meus. - E não olhe pra trás!!

Antes que pudesse protestar, Ethan avançou na direção do som, movendo-se silenciosamente entre as sombras da floresta. O medo apertou meu peito como um vício, e o silêncio que se seguiu foi insuportável. Cada segundo parecia uma eternidade até que, de repente, o caos explodiu.

Tiros cortaram o ar, seguidos por gritos abafados e um som úmido que não quis identificar. Meu coração disparou, e meu corpo, mesmo fraco, reagiu ao instinto de sobrevivência.

Atrás de mim, ouvi algo novo. Um som baixo, gutural, que não pertencia a humanos. E então, o inconfundível arrastar de passos que há dias me assombrava. Não era apenas a corporação que estava atrás de nós. Eles também estavam aqui!

De repente, mãos firmes me seguraram pelos ombros. Um grito quase escapou de minha garganta, mas foi abafado pela mão de Sam na minha boca.

- Calma, sou eu!

Sam, Dean e Ethan emergiram das sombras. Os olhos de Dean eram atentos, varrendo o entorno, enquanto Sam segurava uma faca já ensanguentada. Ethan parecia mais preocupado comigo do que com o que estava à nossa volta, mas sabia que não podia perder o foco.

- Temos que sair daqui agora! - Dean sussurrou, seu tom baixo, mas urgente. - Eles estão fazendo muito barulho. Não vai demorar para que todos venham para cá.

- Eles quem? - perguntei, tentando confirmar o inconfundível.

- Aqueles mutantes. - Ethan respondeu sem rodeios, puxando-me levemente para perto dele. - Muitos!

O som dos tiros continuavam, entrecortado por gritos horríveis. Não era difícil imaginar o que estava acontecendo: a corporação estava sendo atacada pelos infectados. Era impossível saber quem estava ganhando, mas, seja qual fosse o resultado, nós estávamos no meio daquilo.

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