77 - Ajuda

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(Ana)

Sinto minha cabeça girar, mas tento me manter bem pra não desmaiar ali mesmo. Continuo segurando a mão da moça o mais forte possível.

-Ei, respira, a sua neném precisa de você bem! - ela fala num tom gentil e sorri pra mim.

-Eu só odeio sangue... - encaro a poça vermelha cada vez maior em volta da cabeça do Luan e minha boca amarga.

-É só suco de morango, eu prometo! - ela brinca e eu faço um meio sorriso com os lábios.

Antes mesmo que eu pudesse responder, a sirene da ambulância ecoou pelo ambiente. Rapidamente os paramédicos subiram para fazer o atendimento.

-O pulso dele tá muito devagar, precisamos ir pro hospital rápido! - ouço a médica falar e logo depois colocam ele na maca.

1 hora depois:

Já faz 1 hora que eu tô nesse corredor branco, e até agora não liberaram minha entrada pra ver o Luan.

Confesso que a preocupação começa a me invadir, e o medo de ter acontecido algo mais grave.

-Ana Flávia? - o doutor interrompe meus pensamentos.

-Eu mesma! - levanto de uma vez.

-Primeiramente, muito prazer! Sou muito seu fã! - ele estende a mão e eu retribuo.

-Obrigada... - forço um sorriso.

-Bom, mas isso é assunto pra outra hora! Eu vim aqui informar o estado de saúde do Luan...

-Como ele tá? - pergunto afobada.

-É... - ele faz uma pausa pra respirar - Ele está no centro cirúrgico agora, realizando uma drenagem.

-Centro cirúrgico? Como assim?

-Com a queda, ele acabou tendo uma hemorragia leve, o sangue se acumulou na parte de trás da cabeça, e além disso, teve um corte levemente profundo. A drenagem é pra retirar esse sangue acumulado e não causar mais problemas.

-Mas ele tá bem né? - cruzo os dedos na esperança de tudo dar certo.

-Nem tanto... Ele provavelmente vai ficar em estado de coma, porque houve também um trauma no crânio devido a batida.

-Coma?... - pergunto baixinho enquanto sinto minha visão embaçar com as lágrimas.

-Infelizmente sim, mas aparentemente não afetou nenhuma atividade motora ou cognitiva. - o profissional coloca a mão no meu ombro - Ligue pra algum familiar, peça pra vir ficar como acompanhante, cê precisa ir pra casa descansar, não faz bem pra gravidez.

-Tá bom. - respondo mecanicamente, tentando processar todas as informações.

Me sento novamente na cadeira da recepção e jogo a cabeça pra trás, fechando os olhos.

Começo a pensar pra quem vou ligar, afinal, meus pais estão no Paraná, e meus sogros a essa hora já devem estar quase lá também.

Eu não tenho nenhum amigo paulistano... Quer dizer, tem o Mioto e a Duda, mas faz tanto tempo que a gente não se fala, seria estranho ligar pra eles.

Amizade ou O Quê?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora