(Luan)
Sinto uma leve luz branca invadir meus olhos, ao mesmo tempo em que a dor na minha cabeça se intensifica.
Tento levantar as pálpebras pra enxergar, mas elas estão pesadas demais pra isso. Forço mais um pouco e logo desisto pelo cansaço.
Ouço vozes ao longe, de dois homens conversando baixo. Então, já que não posso ver, começo a me esforçar pra ouvir o diálogo.
-Tem certeza de que ele não vai acordar hoje doutor? - uma voz familiar pergunta.
-Creio que não Gustavo, o caso dele é delicado demais.
-Como eu vou dar essa notícia pra Ana? Meu Deus... Ela tá grávida, e não pode ficar passando nervoso!
-Eu entendo, mas infelizmente não posso fazer nada! - o barulho de passos se aproxima e logo depois uma porta é fechada.
-Puta que pariu... - ouço uma respiração profunda - Eu nunca pensei que ia falar isso pro cara que roubou a mulher da minha vida, literalmente o meu único amor... - outro respiro - Mas Luan, eu tô torcendo, e orando muito pra você se recuperar! Eu sei, que a gente se odeia e com motivos, porém, em primeiro lugar eu torço pra felicidade da Ana e da Alice, elas merecem o noivo e o pai ao lado delas... Assim como eu quero ser o mais presente possível pro meu filho, eu também desejo pra filha do cês...
É nessa hora que finalmente cai minha ficha: o Mioto tá ali, no mesmo ambiente que eu, e torcendo por mim?
Confesso que isso me estranha bastante, mas pela voz chorosa dele, eu consigo sentir a verdade em todas as palavras que ele disse.
Agora, assim como eu, ele é pai, e isso muda muita coisa na gente. Principalmente em questões banais como essa, porque um pai, sempre vai apoiar outro pai independente de tudo.
Sinto a dormência na minha mão cessar, e com muito esforço mexo os dedos, bem lentamente, mas o suficiente pra ele notar.
-Luan! Tu tá mexendo os dedos?! Sério?! Consegue me ouvir? - o playboy pergunta entusiasmado.
Mesmo com os ossos e as articulações doloridas, dobro alguns dedos e faço sinal de joia.
-Que felicidade meu Deus! Cara! Você tá consciente! Eu preciso contar pro médico agora! - ele abre a porta e grita no corredor.
-Oi senhor Gustavo! O que houve? - uma mulher fala calmamente.
-O Luan! O paciente! Ele acordou! Ele tá me ouvindo!
-Senhor, eu acredito que isso seja apenas um reflexo involuntário, não podemos constatar ainda que ele está consciente!
-Ele fez um joia quando eu perguntei que se tava me ouvindo! - ele diz animado.
-Tudo bem, vou chamar o médico então! - a enfermeira sai resmungando sozinha.
De repente, o médico entra no consultório, mexe em alguns fios ligados no meu corpo e repara minha mão mexer novamente.
-Você está certo Gustavo, ele realmente voltou a consciência, porém o corpo ainda está fraco demais pra responder aos estímulos do cérebro. - sinto levemente uma agulha furar meu antebraço - Aumentei a dosagem de medicação, isso vai hidrata-lo e anestesiar qualquer tipo de dor muscular ou óssea.
-Isso quer dizer que tá tudo bem com ele?
-Ainda não sabemos, pode ser que haja alguns traumas nas funções motoras, mas aparentemente, tudo se encaminha pra que ele se recupere sem trauma algum!
-Graças a Deus! Muito obrigado doutor!
-Não precisa agradecer, agora vê se descansa, você já está há muito tempo aqui! - mesmo sem enxergar, sei que o playboy tá morrendo de cansaço e mesmo assim tá aqui comigo.
-Bom, eu sei que cê não consegue falar ainda, mas reza esse pai nosso comigo em pensamento. Quero agradecer a Deus por tu estar bem!
Começamos a rezar o pai nosso, e não demorou muito pra vontade de chorar vir junto com o nó na garganta.
As lágrimas não conseguiam cair, mas mesmo assim a sensação de alívio tomou conta de mim. Parece que finalmente todo o passado ficou pra trás.
E agora, eu só quero focar no meu casamento e na minha filha, afinal, não existe nada mais importante no mundo do que a família.
Depois da reza, senti minha visão ir escurecendo cada vez mais, até finalmente adormecer.
.
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(Ana)
Chego no hospital desesperada após receber uma ligação do Gustavo falando que o Luan tá retomando a consciência.
Duda pediu pra eu comer antes de sair de casa, mas eu não dei ouvidos, agora eu que lute com minha pressão caindo de tanto correr.
Entro no quarto de uma vez e logo Mioto pede silêncio com o dedo, afinal, meu boiadeiro tá dormindo profundamente.
-Você nunca para de ser escandalosa hein Flávia! - ele diz sussurrando pra não acordar o paciente.
-Desculpa, é que eu tava muito animada com a notícia... - sinto meu corpo ficar mole mas tento me manter de pé.
-A sua boca tá branca, cê comeu? - nego com a cabeça - Grávida não pode ficar sem comer! Vou buscar um copo de água pra tu!
-Tá bom... - respondo me sentindo cada vez mais fraca.
-Deixa eu te ajudar a sentar na cadeira, tô com medo de você desmaiar. - Gustavo me coloca delicadamente na poltrona azul - Eu já volto, por favor, tenta se manter acordada!
-Tá...
Em menos de um minuto ele voltou com a água, e eu tentei pegar o recipiente, mas minha mão não obedeceu o comando do cérebro.
-Eu te ajudo, só abre a boca pra eu virar o copo. - obedeço e ele me faz beber, porém meu corpo ainda não melhora.
-Eu acho que é o nervoso, o cheiro do hospital, o tanto de gente machucada, odeio estar nesse lugar. - murmuro com a voz mole.
-Por favor, só não desmaia na frente dele! Ele pode acordar e o estado de saúde acabar piorando!
-Eu sei... - uso o último fio de voz que me resta.
-Cê tá muito gelada, puta que pariu! - ele pega na minha mão, e logo depois põe a mão na minha bochecha.
Só nessa hora que eu percebo que Luan está de olhos abertos e com uma expressão neutra.
Tento decifrar seus olhos nos fitando pra saber qual será a reação dele, mas infelizmente não consigo.
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Reconciliação entre esse dois! (Ou será que não?)
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Amizade ou O Quê?
Fanfiction"E se tudo agora for diferente? Misturamos amizade com amor, e eu não sei mais o que rola entre a gente..." CONTÉM: SEXO, ÁLCOOL, PALAVRÃO E ETC!
