...°•💣•°...
Meu peito parecia prestes a explodir, comprimido por uma angústia sufocante. Cada bip do monitor cardíaco da minha mulher soava como um lembrete cruel da fragilidade da vida. Minhas mãos tremiam, apertadas uma contra a outra, como se, no gesto, pudesse conter o desespero que ameaçava transbordar.
Meus olhos percorriam cada detalhe do rosto dela — pálido, sereno, mas vazio — e eu sentia uma dor aguda, como se algo rasgasse por dentro, invisível, implacável. As lágrimas vinham sem aviso, quentes, silenciosas, escorrendo pelas bochechas enquanto tentava, inútilmente, encontrar algum sinal de resposta, qualquer movimento, qualquer indício de que ela ainda estava ali, lutando.
O medo me paralisava. Medo de perdê-la. Medo do vazio que a ausência dela poderia deixar. Uma impotência cruel dominava; eu, que sempre fui o porto seguro, agora se via pequeno, frágil, esmagado pela incerteza.
No meio da dor, uma súplica silenciosa tomava forma — para Deus, para o destino, para qualquer força que pudesse ouvir. "Por favor, não leva ela. Não agora. Não assim."
O amor que sentia por ela parecia maior do que eu mesmo, uma força esmagadora e, ao mesmo tempo, a única coisa que me mantinha de pé, agarrado à esperança de que ela abrisse os olhos e eu poderia, enfim, respirar de novo.
____ Apenas respira... por favor, respira.
Segurava a mão dela como quem segura a própria vida. Fria. Frágil. Quase sem peso. O corpo dela ali, imóvel, cercado por fios, máquinas e aquele som insistente do monitor que parecia zombar dele a cada segundo que passava.
“Por que você não acorda ...", pensava, enquanto os olhos percorriam o rosto dela, procurando algum sinal — um movimento, um suspiro, um franzir de sobrancelha, qualquer coisa que dissesse "estou aqui, eu ainda estou aqui." Mas não havia nada. Apenas aquele silêncio opressor que, dentro de mim, gritava.
O peito doía, apertava tanto que parecia que ia se partir. Era como se o mundo inteiro estivesse desabando bem ali, naquele quarto branco, asséptico e cruel. Eu que sempre achei que poderia protegê-la de tudo agora estava aqui, impotente, esmagado pelo medo.
Ele queria trocar de lugar. Queria arrancar dela aquela dor, aquele estado, aquele vazio. "Deus... leva a minha força, a minha saúde, leva os meus dias, se for preciso, mas não leva ela... não ela."
As memórias vinham em enxurrada — o sorriso dela, as brincadeiras bobas no café da manhã, as discussões tolas que sempre terminavam em risadas, os planos que ainda não tiveram tempo de realizar. Tudo isso agora parecia tão frágil, tão efêmero, como areia escorrendo entre os dedos.
E não podendo conter as lágrimas, começo a chorar, não de fraqueza, mas de amor. Um amor desesperado, angustiado, sufocado pela possibilidade de nunca mais tê-la ao meu lado. E, mesmo sem saber se Fiorella podia ouvir, aperto a mão dela com toda a ternura que tinha e sussurrou, quase quebrado:
____ Eu estou aqui, amor... Fica comigo. Por favor, fica! ____ digo em sim sussurro desesperado.
Escuto alguém estrar no quarto, mas não presto atenção, meus olhos estão cravados em Fiorella e eu não conseguia desviar o olhar. Sinto uma mão em meu ombro, e percebo que era meu irmão.
____ Como ela está? ____ ele pergunta sentindo a mesma angústia.
____ Bem na medida do possível... O médico disse que pode ser por conta dos sedativos, mas já era para ela ter acordado! ____ digo sentindo o peito apertar. ____ Tenho medo que ela esteja sentindo dor, ou até mesmo que o bebê esteja....
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Esposa Perfeita Livro 1 (CONCLUÍDA)
FanfictionLIVRO 1 DA SAGA Fiorella Giordano, uma jovem que cresceu em uma família extremamente conservadora italiana, foi treinada para ser a esposa perfeita, está fadada a entrar na cova dos leões....
