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...°•🌹•°...

É estranho... Meu corpo não responde, mas minha mente está aqui. Presa, flutuando em algum lugar entre o sono e a vigília. Eu não vejo, não me mexo... mas eu ouço. Ouço tudo.

Ouço o som das máquinas, aquele bip constante que me lembra que, de algum jeito, eu ainda estou aqui. Mas o que realmente me prende… é a voz dele. A voz do meu amor. A princípio parecia um sonho, meio distante, meio embaçado. Mas com o tempo, fui reconhecendo... era ele. Sempre ele.

Ele fala comigo todos os dias. Fala baixo, perto do meu ouvido, como se tivesse medo de que o mundo todo escutasse, menos eu. Mas eu escuto... escuto tudo. Ele me conta coisas simples, do nosso dia a dia... fala que cuidou do meu jardim de rosas, que a nossa família sente minha falta, que a casa ficou vazia sem mim. Às vezes, ele segura minha mão... e eu quase sinto. Quase.

E quando ele chora... ah, como dói. Dói não poder apertar a mão dele, não poder dizer "calma, amor, eu estou aqui... eu te ouço". Dói não poder acalmar aquele desespero na voz dele quando ele diz que não sabe se consegue viver sem mim.

Teve dias que ele me pediu pra lutar, pra não desistir. E eu juro… juro que tentei. Cada palavra dele foi um fio de esperança puxando minha consciência de volta, me trazendo pra ele. E, mesmo nas madrugadas, quando ele achava que eu não percebia, ele sussurrava: "Volta pra mim, por favor... volta pra mim".

Eu queria gritar. Queria dizer que eu estava lutando, que eu nunca parei. Que eu o ouvia. Que o amor dele foi a âncora que me segurou nesse vazio. E, mesmo sem saber, ele foi minha luz na escuridão.

Agora... agora eu sinto algo diferente. É como se meu corpo começasse a me pertencer de novo... como se, finalmente, eu estivesse encontrando o caminho de volta pra ele, e então eu abro meus olhos e vejo o meu marido, o meu Leonardo, o amor da minha vida, ali com a cabeça encostada na minha mão.

(•••)

Depois de todas as visitas que recebi e saber que todos estavam bem, me sentia bem mais tranquila, e saber que meu filho também estava bem ajudava muito também. Mas ainda faltava uma pessoa, que eu precisava agradecer, Leonardo não achou uma boa ideia mas eu insisti.

...°•⚔️•°...

O coração acelera no peito como se quisesse pular pra fora. Eu sei… eu sei que não deveria sentir isso. Ela não é minha. Nunca foi. Nunca será. Mas quem é que escolhe de quem se apaixona? Quem é que controla isso?

Ela acordou. Depois de duas semanas… ela acordou.

Meu peito se enche de alívio, de alegria, de gratidão... e, ao mesmo tempo, de um aperto estranho, sufocante. Porque, no fundo, eu sabia que esse momento ia chegar... e junto com ele, a lembrança de que meu lugar na vida dela nunca passaria de amizade. E tudo bem... ou pelo menos eu finjo que está tudo bem.

Enquanto dirijo até o hospital, minha cabeça é uma bagunça. Eu lembro dos dias que fiquei sentado ali, ao lado dela, olhando aquele rosto tão sereno, tão vulnerável... desejando, com todo o egoísmo do meu coração, que ela abrisse os olhos, que me olhasse... mas, ao mesmo tempo, sabendo que, se ela acordasse, os olhos dela procurariam apenas uma pessoa. E não sou eu.

Não sou eu quem ela ama. Nunca fui.

Mas eu estava ali. Sempre estive. E estarei. Porque o amor, quando é de verdade, não precisa ser correspondido pra existir. Eu a amo… e se isso significa ser só amigo, então eu vou ser o melhor amigo que ela já teve. Mesmo que, por dentro, meu peito se despedace em silêncio.

A Esposa Perfeita Livro 1 (CONCLUÍDA)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora