Jane Toppan — "Jolly Jane"
Origem e infância
Nascida Honora Kelley, filha de imigrantes irlandeses em Boston, ela foi entregue ainda menina ao Boston Female Asylum após a morte da mãe por tuberculose e o colapso do pai, um alfaiate alcoólatra de fama instável. Mais tarde, passou como criada para a família Toppan, em Lowell/Cambridge, adotando o nome "Jane Toppan" e, já adulta, o apelido jovial que enganou tanta gente: "Jolly Jane". (Há divergência sobre o ano de nascimento — 1854 ou 1857 —, mas o consenso é que morreu em 1938 no Taunton State Hospital.)   
Formação como enfermeira
Jane treinou no Cambridge Hospital na década de 1880 e depois trabalhou no Massachusetts General Hospital. Era vista como atenciosa, espirituosa e eficiente — reputação que lhe abriu portas como enfermeira particular em casas de famílias abastadas. Nos bastidores, porém, já manipulava prontuários e testava combinações de drogas em pacientes vulneráveis.  
A "técnica": drogas, controle e prazer
O método preferido de Toppan foi envenenamento com misturas de morfina e atropina, capazes de alternar depressão e excitação do sistema nervoso, mantendo a vítima "entre a vida e a morte" sob seu controle. Em pelo menos um assassinato (o da irmã de criação), relatos citam estricnina. Em confissões posteriores, ela disse sentir excitação sexual ao estar com pacientes agonizantes, chegando a deitar-se ao lado deles enquanto "ia e voltava" a consciência. A ambição que teria declarado é tão fria quanto famosa: "matar mais pessoas — pessoas indefesas — do que qualquer homem ou mulher que já viveu".  
Linha do tempo dos crimes (1895–1901)
Embora se suspeite de mortes anteriores, a sequência reconhecida começa em 1895. Ela alterna alvos em hospitais e lares onde era contratada como enfermeira particular — idosos, doentes e conhecidos que se tornavam obstáculos ou oportunidades. Abaixo, alguns marcos e vítimas frequentemente citadas:
• Israel e Lovely Dunham (1895 e 1897), antigos senhorios. Mortes inicialmente atribuídas a causas naturais. 
• Elizabeth Toppan Brigham (1899), sua irmã de criação, com quem mantinha rivalidades afetivas; há menção a estricnina. 
• Sequência de 1900: Mary McNear; Florence Calkins; William Ingraham; Sarah (Myra) Connors — todos sob seus cuidados. 
• O caso da família Davis, em Cataumet (Cape Cod), 1901: primeiro morre Mattie (Mary) Davis; depois a filha Genevieve (Annie); em seguida o patriarca Alden Davis e, por fim, Minnie (Mary) Gibbs. A sucessão de óbitos levou a família a pedir análises toxicológicas, que revelaram envenenamento e detonaram a investigação.  
No total, as autoridades denunciaram cerca de 12 homicídios; Toppan confessou 31 e alguns cronistas especularam dezenas a mais. Esses números são objeto de disputa histórica, mas colocam Jane entre as mais letais assassinas em série americanas.  
Captura e confissões
A desconfiança consolidou-se após os laudos da família Davis. Toppan foi vigiada e presa em 29 de outubro de 1901, em New Hampshire. Na custódia, multiplicaram-se relatos de confissões: além de admitir 31 mortes, ela descreveu como dosava morfina e atropina para "brincar" com o limiar da vida das vítimas e chegou a afirmar que preferia ser reconhecida como sã, não louca — queria crédito pelos atos. A imprensa sensacionalista da época (como o New York Journal, de Hearst) divulgou trechos e "reconstruções" que ajudaram a cristalizar a lenda de "Jolly Jane".  
O julgamento
No Tribunal do Condado de Barnstable, em 23 de junho de 1902, Jane Toppan foi declarada "não culpada por razão de insanidade" e internada por toda a vida no Taunton Insane Hospital (hoje Taunton State Hospital). Embora ela própria insistisse que sabia o que fazia e que era errado, o veredito a considerou legalmente insana. 
Vida no hospital psiquiátrico e morte
Toppan passou 36 anos como paciente em Taunton. Há relatos de que temia ser envenenada e evitava comer, mantendo, porém, lucidez suficiente para conversas com funcionários e visitantes. Morreu em 17 de agosto de 1938, idosa, sem jamais demonstrar remorso público.  
Perfil psicológico e tipologia criminal
• "Anjo da misericórdia": categoria aplicada a assassinos que usam posições de cuidado (enfermeiros, cuidadores) para escolher vítimas vulneráveis. Toppan encaixa-se nesse padrão, mas também matou por ciúmes (irmã de criação) e conveniência (senhorios), o que mistura motivação instrumental e hedonista. 
• Parafilia/"thrill killer": as próprias descrições dela apontam excitação sexual e prazer em domínio absoluto sobre a vida alheia — um marcador de homicídios sádicos com método "limpo" (veneno). 
• Fatores de risco biográficos: trauma precoce (orfandade, abandono), institucionalização infantil e possível modelagem de mentira e manipulação em ambientes de servidão doméstica. Esses elementos não explicam nem justificam o crime, mas aparecem em perfis criminológicos de ofensores persistentes. (Síntese a partir dos dossiês históricos.)  
Por que demorou a ser descoberta?
1. Preconceitos de gênero da época: uma mulher enfermeira soava "inimaginável" como homicida;
2. Limitações forenses: sem testes toxicológicos rotineiros, mortes por "apoplexia" e "falência do coração" passavam ilesas;
3. Acesso privilegiado a fármacos e prontuários;
4. Carisma e reputação de cuidadora, que abafava suspeitas. Tudo isso formou um escudo social e institucional.  
Principais vítimas (amostra documentada)
• Israel (1895) e Lovely Dunham (1897)
• Elizabeth Toppan Brigham (1899)
• Mary McNear, Florence Calkins, William Ingraham, Sarah/Myra Connors (1900)
• Mattie Davis, Genevieve "Annie" Gordon, Alden Davis e Mary "Minnie" Gibbs (1901)
Essa sequência, especialmente o caso Davis, foi o fio que levou à sua queda. 
Legado e cultura popular
O caso de Toppan segue em museus, podcasts e matérias de retrospecto criminal, como exemplo marcante de assassinatos por envenenamento no ambiente médico — um antecedente histórico de preocupações modernas com serial killers do cuidado. A história é frequentemente revisitada para discutir ética hospitalar, controle de medicamentos e viés de confirmação que cega instituições. 
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Notas de fonte e controvérsias
• Ano de nascimento: 1854 (alguns perfis de mídia) vs 1857 (dossiês acadêmicos e históricos). A data de morte (1938) e o local (Taunton) são consistentes.  
• Contagem de vítimas: 12 acusações formais, 31 confissões atribuídas, e hipóteses infladas (100+) na imprensa — trate números extremos com ceticismo.  
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Casos Criminais
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