CHOCOLATE & KISSES ON THE CHEEK

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Remus se sentiu verdadeiramente, completamente traído.

Foi como se ele tivesse sido atingido - rápida e implacavelmente - pela revelação, como se o mundo que ele havia construído tão ternamente em torno dos pequenos e consistentes gestos de amor tivesse se tornado falso em um único suspiro.

Durante quase todo o seu relacionamento, ele lhe ofereceu uma barra de chocolate quase todos os dias, sem falta, tirada da pilha que ele perpetuamente mantinha dentro de sua mochila ou bolso do casaco. Tornou-se seu ritual; sua devoção silenciosa.

E você, sua garota incomparavelmente adorável, sempre a recebeu com um calor tão radiante: um sorriso que poderia rivalizar com os raios mais suaves do sol, um beijo em sua bochecha que o deixou ainda perturbado, mesmo um ano depois do conforto do seu amor.

Você desembrulhava a barra de chocolate com uma ânsia familiar e dava uma mordida, sua risada te seguindo enquanto caminhava em direção à próxima aula

Isso foi tudo o que Remus precisou para garantir que nunca saísse do dormitório sem uma peça guardada - porque a alegria que florescia em seu rosto sempre que você sorria "Obrigada, Remmy" antes de pressionar seus lábios em sua bochecha, era nada menos que uma recompensa por si só.

Para ele, aquela pequena troca era um fio que se costurava na própria trama da sua história de amor.

É por isso que, agora, parado em frente a Lily Evans no canto silencioso da biblioteca, Remus mal conseguia processar as palavras que ela acabara de dizer.

Ele a encarou, lábios entreabertos, sua expressão presa em algum lugar entre a descrença e a mágoa silenciosa. Sua voz, quando retornou, era baixa e monótona. "Ela odeia chocolate?"

As palavras soaram blasfemas, traiçoeiras, enquanto escapavam de sua boca.

Lily lançou-lhe um olhar que equilibrava simpatia e exasperação, como se ela tivesse esperado por muito tempo este momento e temesse ser a única a entregá-lo. "Desculpe, Remus. Achei que você soubesse. Honestamente, presumi que você já tivesse percebido."

Ele balançou a cabeça lentamente, as sobrancelhas franzidas em confusão silenciosa. "Não, não, isso não faz absolutamente nenhum sentido. Ela come o tempo todo. Eu dou a ela todos os dias, Lily!"

"Sim, Remus", disse Lily gentilmente, seu tom suave, mas firme, "porque ela não quer ferir seus sentimentos. Ela sabe o quanto isso significa para você."

Remus a encarou por um longo momento, e algo sutil, mas significativo, mudou por trás de seus olhos. "Mas eu só dei a ela porque pensei que a fazia feliz."

"Faz sim", respondeu Lily, colocando a mão cuidadosamente em seu braço. "Porque você deu a ela. Não por causa do que era."

Remus olhou além de Lily, os olhos desfocados, seus pensamentos em espiral.

Ele tentou se lembrar de cada momento. Cada vez que ele lhe entregou uma barra de chocolate com um sorriso gentil e um beijo na têmpora. Cada vez que você a aceitou com um agradecimento e uma risada, como se te fizesse feliz. Parecia algo sagrado entre vocês. Ele sempre achou que era.

"Há quanto tempo você sabe?"

"Desde sempre?" Lily disse cuidadosamente, observando-o. "Todo mundo sabe que S/N odeia chocolate, Remus. Eu pensei que você também."

Remus exalou, um som lento e incrédulo. Ele pressionou a mão contra a boca como se para se firmar. E então, fracamente, como se estivesse falando mais com o universo do que com ela, ele murmurou: "Eu tenho alimentado seus pequenos instrumentos de miséria todas as manhãs como um relógio, e ela aceitou com uma graça que eu não merecia."

𝙄𝙈𝘼𝙂𝙄𝙉𝙀𝙎 - 𝘙𝘦𝘮𝘶𝘴 𝘓𝘶𝘱𝘪𝘯Histórias para pegar e não largar. Descubra agora