Capítulo 37

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Chalé - Shikamaru

Itachi estava sentado no sofá assistindo alguma coisa na televisão, ele ainda não tinha falado com os irmãos, chegamos ontem e hoje tudo que ele fez foi se sentar para almoçar e assistir televisão, o olhar estava vazio, ele não respondia nenhuma das minhas perguntas, parecia andar sem direção alguma.

_Vem jantar . - eu o chamei pela segunda vez e pela segunda vez ele pareceu ignorar minha voz. _Itachi, eu sei que você tá me ouvindo.

Ele se levantou, revirou os olhos, tal qual uma criança e se sentou na cadeira de frente para a mesa, me deu o prato e eu o olhei com certa interrogação, o que acarretou nele forçando ainda mais o prato em minha direção.

_Você sabe que isso não é necessário. - falei calmamente enquanto o servia com a sopa de legumes.

_Achei que vocês achassem que eu não pudesse fazer nada por conta própria. - a voz cortante saiu mais baixa do que o esperado, não me encarava e isso parecia me atingir como um soco no estômago.

_Nunca achei isso. - falei sincero e novamente revirou os olhos enquanto bebericava a sopa.

_Você me trouxe para cá sem me consultar quando eu disse que queria ir para uma clínica. - a colher foi largada no prato certa raiva e eu torci os lábios, aquele assunto novamente, parecia que os olhos dele estavam inflamados, era raiva e eu raramente o vi sentir raiva, aquilo doeu.

_Achei que já tivéssemos resolvido isso. - endireitei o prato como se isso fosse resolver todos os problemas.

_Você achou? Eu não quero ficar aqui, me sinto preso, é sufocante. - o corpo pareceu se fundir a cadeira e a voz ainda baixa estava carregada de dor, talvez estivessem todos certos, ele precisava ficar longe, ficar em uma clínica, se curar.

_Eu achei umas clínicas, podemos ver depois do jantar, tudo bem? - o rosto dele pareceu ganhar vida, balançou a cabeça que sim e sorriu minimamente, enquanto alcançava a colher mais uma vez.

_Você realmente quer ficar em uma clínica?

_Não, mas é a única forma de arrumar tudo que estou sentindo... - ele torceu os lábios enquanto empurrava o prato com o resto da sopa.

_Você não é um objeto quebrado e seu psiquiatra e o seu psicólogo discordam, falaram que essa não era a única alternativa.

_A médica falou que era uma alternativa...

_Era uma alternativa, não uma única solução.

_Se você quiser mesmo ir, eu vou dar um jeito de não te deixar sozinho, vou com você, não importa como, mas se não for o que você realmente quer, vamos tentar fazer isso dar certo, escolhemos esse lugar não só por que é aconchegante e silencioso, mas também por conta das atrações culturais na cidade, você tem total liberdade para ir e vir...

_E se não der certo? E se eu for tão quebrado que nada dê certo.

_Eu vou tentar até ter certeza que todos esses pedaços foram devidamente montados. Não vou te deixar.

_Eu não sirvo para namorar...

_Ok, nós vamos tentar ser o que der, amigos, amantes, qualquer coisa que te faça feliz...

_Promete?

_Sempre.

A noite foi tranquila, o chalé tinha dois quartos, mas estávamos em um único, o de casal, eu não queria o deixar sozinho, mas também queria dar espaço a ele.

_Posso dormir no outro quarto se preferir - eu deixei escapar já vestido com o pijama sentado na cama, o cobrindo sem o encarar.

_Unh..., você pode ficar aqui, na cama... - as palavras morriam e eu sorria me deitando ao seu lado.

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