Quente

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Chavier narrando:

Zorran saiu com aquele cara e eu me sentia inseguro. Eu achava que aquele homem gostava do Zorran, pelo jeito que conversaram antes e pela forma que ele o chamou agora, e eu queria muito ir até onde eles estavam conversando para saber o motivo da conversa deles, mas fiquei quieto no chão da sala, apático com a situação

Zorran narrando:

Eu e Eistein estávamos do lado de fora do templo, ele me olhava feio enquanto eu sentia desconforto por aquela situação

Eu: sobre oque quer falar?

Perguntei em uma tentativa falha, de acabar com aquilo logo

Eistein: por que você me olha assim?

Eu: o que?

Eistein: com desconforto ... você me amava, seus olhos me diziam eu te amo o tempo todo e agora

Ele me olhou não mais com raiva, com tristeza e aquilo doeu, ver ele me olhar assim

Eu: Eis ... eu te amava sim ... mas não podíamos ficar juntos, meu irmão me proibiu de

Eistein: eu sei, sei de tudo, sempre soube e mesmo assim me aproximei, eu beijaria você se você tivesse pedido eu teria fugido com você eu ... eu abandonaria esse lugar ao seu lado Zorran, você só precisava me pedir

Eu o olhei sentindo meu peito em pedaços

Eu: eu sei ... sei que iria, e eu jamais poderia te pedir pra fazer isso, Eis ... Você ama esse lugar, sua família, tudo aqui e eu não te afastaria disso. Te disse semanas atrás Eis, eu represento o fim de tudo que ama, para ficar comigo iria ter que abandonar tudo, e eu não faria isso com você

Ele logo começou a chorar e tentou se aproximar de mim, mas logo se afastou e se encolheu

Eistein: então po-por que? Por que me fez gostar de você? Por que foi gentil?

Eu: por que eu te amava

Eu disse alto e ele me encarou por uns segundos até mais lágrimas descerem por seus olhos

Eistein: amava ... você casou com aquela ninfa, assim que o viu, outra pessoa me contou e não foi você, a gente se separou f-faz só um mês e você se casou e-eu

Ele suspirou

Eistein: ama de verdade a ninfa? Ou me amou de verdade? Ficou com a ninfa por que não queria viver só?

Eu: não foi nada disso

Eu fiz uma pausa, pensando se deveria continuar falando, minhas próximas palavras machucariam ele

Eu: eu te amei de verdade, eu amava quando vinha me ver. Quando a gente conversava mas nunca pude sequer tocar sua mão, ou você seria banido e eu gostava demais de você pra te afastar dessas pessoas que você ama ... quando nós separamos eu ... eu ia me afogar no mar, na manhã da tempestade, o mar estava agitado e eu ia parar de sentir toda aquela dor, mas a ninfa chegou, ele saiu do mar lutanto pela vida para conseguir respirar na terra e eu ... me apaixonei perdidamente pelos olhos dele, me encaravam diferente, era como se sempre meu ser fosse movido por ele e cada passo que dei todos os dias, foi pra achar ele naquela praia

Eistein começou a chorar mais e então ele se aproximou e segurou minha mão, eu tentei soltar mas ele segurou mais forte

Eistein: e-eu posso segurar, não é ma-mais um exilado

Ele me olhou e então tocou meu rosto e eu fiquei olhando para ele, a um tempo atrás eu e ele amávamos um ao outro, eu gostava tanto dele que doía, ansiava pelos dias que ele ia pescar na praia para vê-lo e ele sentia o mesmo por mim, eu nunca pude sequer encostar nele, ou Eistein poderia ser banido, meu irmão mandou uma ordem direta, eu não poderia casar ou namorar ninguém e a punição para quem se envolvesse comigo era o isolamento, ser banido da vila como eu, e Eistein sempre amou esse lugar, as pessoas, animais, tudo que ele conhecia está aqui e eu queria ser egoísta, beijar ele, fazer dele meu esposo na praia, mas o pai dele descobriu que conversávamos e ele me convenceu a deixar Eistein 'ele pode ter uma vida boa longe de você' e o pai dele está certo

Minha Ninfa Onde histórias criam vida. Descubra agora