Noite de todos os santos

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Era Halloween, mais uma vez. Me divertia pensando em qual fantasia usar e nunca achei que pudesse significar qualquer coisa. Vestir-me de vampiro era um clássico. Todos os anos era a mesma coisa. De verdade, Halloween para mim era mais um dia de festa e diversão, só que fantasiado.

Chegando na festa passei um tempo com meus amigos e me senti observado. Procurei a minha volta, podia ser uma garota me secando, mas não vi nada. Fui ao bar pegar uma bebida e alguém tocou em meu ombro. Era um cara de vampiro.

-Você sempre vem de vampiro - ele disse.
Achei o papo estranho, não fazia ideia quem era o cara.
-Quem é você? - retruquei
- Porque sempre vem de vampiro?
Que cara esquisito, pensei, mas resolvi não falar nada.
- Eu sei porquê- o cara falou me encarando.

Cheguei a roda doa meus amigos e mais seguro olhei para trás e o cara tinha sumido.

Faz tempo que eu vinha brigando com meus sentimentos, e a verdade é que tinha achado o cara estranho, mas lindo. E o que tinha demais se eu gostava de meninos e meninas?

Fiquei a festa toda pensando no cara, procurando-o pelos cantos, mas a verdade é que eu não o encontrava em parte alguma. Devia ter respondido a ele, eu me cobrava. Devia ter dito algo interessante, misterioso, mas não fui tão óbvio quanto um quem é você, certeza que ele achou alguém mais interessante para ficar.

Depois de umas duas horas procurando, entendi que já era. Fui para pista com meus amigos dançar e vejo o cara. Desta vez não perco tempo e vou em sua direção. Ele se aproxima de mim e rouba um beijo e sussura jo meu ouvido, me convidando para ir para um lugra menos lotado.

Eu nunca tinha ficado com um cara e resolvi que iria tentar, foda-se o que meus amigos iriam pensar, estava ficando mais adulto, eu acho, por isso me importava menos. Ou talvez o fato de estar na faculdade e não precisar mais vê-los todo dia me libertava de ter que dar explicações.

Fui para um canto escuro da festa e foi lá que o cara foi encostando em mim, suas mãos estavam por toda parte e seus lábios também. Fechava os olhos. Não vou mentir e dizer que não estava gostando. Ele beijou a minha boca e desceu para o meu pescoço e então eu senti.

Era como se a força de sua boca fosse grande demais, ele estava grudado em meu pescoço e eu tentava soltar e eu não conseguia. Senti o sangue escorrendo e algo queimava forte dentro de mim e não conseguia gritar. Acho que era a minha alma queimando. Depois da dor senti uma energia ocupando meu corpo, surreal, gigantesca, era como se eu pudesse voar.

Ele me soltou, enfim. Olhou de lado e sorriu:
- Agora você não precisará mais vir fantasiado.

Eu quis ir atrás dele, fazer todas as perguntas que vinham à minha mente, mas preferi só estar. Ele iria voltar. Eu sabia porque ele tinha me escolhido. E foi assim. Ele voltou. E eu realmente nunca mais precisei me fantasiar.

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