VI

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𝑱𝑰𝑴𝑴𝒀

"Eu vou cuidar dele, pode deixar", garanti à mãe de Sea. "A senhora não precisa se preocupar. Comigo, ele vai estar seguro."

Tia Ploy assentiu devagar, os olhos brilhando com as lágrimas contidas pela emoção de rever o filho depois de dois anos afastados. Estendeu a mão e pousou-a no meu ombro, num gesto simples, quase maternal.

"Eu sei que vai, Jimmy. Obrigada por cuidar do meu filho... do meu bebê."

Sorri, sem conseguir evitar, enquanto meus olhos buscavam Sea. Ele estava vermelho como um pimentão, constrangido demais para me encarar de frente. Ainda assim, eu sentia o peso do olhar dele sobre mim, mesmo que de canto, como quem quer ver, mas finge que não.

Quando entramos no carro, não consegui impedir que meus pensamentos corressem soltos. A vida tinha dado uma volta inesperada — daquelas que a gente não planeja, mas agradece em silêncio. Trazer Sea comigo para Bangkok fazia meu peito transbordar de esperança. Talvez fosse isso: uma segunda chance. Uma chance de me redimir, de consertar o que foi quebrado, de tentar, mais uma vez, merecer o perdão dele. Eu não podia desperdiçar aquilo.

"Coloca o cinto", pedi, me inclinando devagar na direção dele.

"O que você pensa que está fazendo?", Sea questionou, alarmado com a minha proximidade.

"Colocando o cinto pra você", apontei para a fivela solta. "Olha aí."

"Eu não preciso dos seus cuidados", ele me empurrou para trás, impaciente. "E, aliás, não é necessário que eu fique na sua casa. Eu já tenho onde ficar em Bangkok."

"Nem pensar", rebati, sem hesitar. "Você vai ficar comigo. Dei minha palavra à tia Ploy de que cuidaria do bebê dela."

A estrada até Bangkok parecia longa demais naquela noite. Minha cabeça fervilhava de perguntas não ditas, de assuntos mal resolvidos que pairavam entre nós. Mas havia uma questão que me consumia por dentro, uma que me irritava só de imaginar a resposta. Apertei o volante com força, sentindo a tensão se espalhar pelo corpo. Não dava mais para fugir.

Respirei fundo, juntando a coragem que ainda me restava.

"Sea..."

"Hum?" ele respondeu, sem me encarar, como sempre fazia.

"Você... você está namorando alguém?", arrisquei, tentando manter a voz firme, embora meu coração batesse descompassado.

Uma parte de mim implorava por um não. Por saber que o que tivemos não tinha sido substituído. As lembranças vieram como um soco no peito — risos, toques, promessas que um dia pareceram eternas. O silêncio dele durou mais do que eu suportava.

"Não é da sua conta."

Engoli em seco. Os quilômetros seguiram em um silêncio pesado, quase sufocante. Minha mente não parava, tentando adivinhar o que se passava na cabeça de Sea.

Será que ele evitava a resposta porque já havia alguém em sua vida? Ou porque admitir a verdade doía mais do que ele estava disposto a enfrentar?

Enquanto dirigia, lancei um olhar rápido para ele. O rosto de Sea estava iluminado pela luz suave do painel — um rosto que eu conhecia de cor. Antes, ele carregava ternura e carinho quando me olhava. Agora... havia decepção. Raiva. E uma distância que parecia impossível de atravessar.

Seu nome: Season 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora