Os Escolhidos - Capítulo 1 - Parte II

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Atualização da 3º edição - espero que gostem :)

(sem revisão)

Só depois de duas horas de baile, as portas do salão se abrem com um som estrondoso anunciando a chegado do último governante que ainda não estava presente. O Mago entra com seu jeito arrogante, sua túnica de veludo azul escuro brilha conforme ele caminha pelas mesas, a barba longa e branca trançada como seus cabelos cumpridos. Como sempre ostenta joias e acessórios bregas, porém hoje sua presença não é incomoda devido a sua ostentação desnecessária. Engulo em seco ao notar seus três acompanhantes.

Todos no salão parecem perplexos e tenso com a presença dos três delinions.

Delinions são os únicos seres das trevas que trabalham para o governo mágico, eles podem assumir o rosto de um ser terrível ou até transmutar-se em seus medos mais íntimos. O governo diz que eles são utilizados para fortalecer nossas defesas, mas para mim, seres como eles só servem para duas coisas: torturar e matar.

Sempre me perguntei de que maneira exatamente eles nos "protegem", mas no momento a única pergunta que me sonda é por que o Mago precisa deles?

Em meio a sua longa barba trançada, um sorriso se forma, mas não chega aos seus olhos, tão negros como de um tubarão. Ele estende a mão para cumprimentar Vent que conversa com dois banqueiros e Marine.

Vent procura disfarçar seu desconforto e aperta sua mão aveludada com um tecido prata estranho. Os delinions  seguem logo atrás dele, com suas túnicas brancas cobrindo seus rostos, suas mangas e bordas parecendo ter sido queimadas por um fogo negro. Cochichos e olhares desconfiados se iniciam pelo salão.

Não quero fazer parte desse espetáculo. Levanto-me o mais discretamente que posso, a última coisa que eu quero é que as filhas da elite de Atlan venham até mim me envolver em seu grupinho de fofoca para debater sobre o ego do Mago.

Aproveito-me da atenção direcionada para o Mago, e caminho pelo salão até encontrar a discreta porta dos fundos logo atrás de um cortina dourada.

Já faz alguns anos que eu não faço isso e essa parece a oportunidade perfeita.

Assim que passo pela porta já posso vê-las. Emolduradas pela noite, diversas e imensas estátuas de ouro ocupam o jardim. Representações dos Escolhidos em combate e seus títulos como homenagem aos falecidos. Meus olhos encontraram logo a estátua de minha mãe.

Ela erguia uma espada com a mão esquerda e encarava o nada com determinação. Nós somos muito parecidas fisicamente. Temos os mesmos cachos castanhos, o mesmo queixo fino e as bochechas altas, com lábios cheios e grandes olhos azuis. Queria que nossas semelhanças não fossem apenas externas.

No mármore abaixo de sua estátua é possível ler o título pelo qual ela é lembrada, "Aqua White, a altruísta". Com certeza algo muito mais honroso do que ser lembrada como uma fracassada, o que provavelmente vai acontecer comigo.

Como em qualquer competição você pode perder ou simplesmente se negar a participar, e isso não é diferente com relação à competição dos Escolhidos. Mas a realidade não condiz com isso, não para quem é nascido-escolhido como eu. Recusar-se a competir ou sequer perder, é sinônimo de ser linchado pela sociedade. Perder a competição é deixar Elim com uma super força e super velocidade à menos quando estivermos em perigo.

Por conta do meu status de princesa e por ser uma White, esse descontentamento seria muito maior. Meu avô, minha mãe e tantos outros de nossa dinastia carregaram não somente o título de reis e rainhas como também o dever do Escolhido da Água por isso o povo já espera demais de mim. Em Atlan há diversos cartazes de apoio a mim, crianças me mandam mensagens lindas dizendo que querem ser como a "princesa protetora", eu não posso simplesmente desistir. Não posso decepcionar meu povo assim.

Os EscolhidosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora