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Narrador...

Socos cheio de ódio eram distribuídos em um saco de areia.

Na segunda feira a noite, Madelaine se matriculou novamente no boxe, voltou a ter aulas com o professor que lhe ensinou tudo que sabia desde criança.

Madelaine batia como se não houvesse amanhã, e de fato poderia não haver se deixasse todo aquele ódio tomar conta de seu coração.

O ódio da ruiva só crescia cada vez mais, cada minuto que se passava ela só pensava em vingança, em destruir e trucidar Archie Andrews.

— Deu! - Nando bateu as mãos.

— Não acabei! - Madelaine riu.

— Acabou! - Nando cruzou os braços na frente do saco de areia.

A ruiva suspirou e assentiu, tirou as luvas e as jogou no chão, em seguida se sentou próximo a parede para enxugar o rosto com uma toalha.

— Isso pode ser prejudicial para você, garota...

— Prejudicial?! - Madelaine debochou com um riso.

— Vem comigo, Mads. - Nando chamou.

— Pra onde? - Madelaine perguntou ao pegar sua garrafa de água.

— Venha!

Rapidamente a garota levantou-se do chão e seguiu atrás do professor que subiu as escadas até sua sala particular.

— O que você quer me mostrar, Nando?

Madelaine observou a sala minuciosamente, nunca tinha estado ali pois Nando era bem restrito com sua vida pessoal e ali tinha boa parte dela.

Fernando Martins era um professor de boxe que tinha uma academia particular no centro de Miami. O homem era latino, solteiro e sem família, sua vida era o boxe e ajudar os garotos que precisavam dele nas regiões periféricas da cidade.

O homem mexeu em algumas gavetas e tirou algumas fotos, colocou sobre a mesa duas delas e encarou Madelaine.

— Minha falecida esposa e meu filho... - Nando suspirou - Marcela era médica, tínhamos uma ONG para auxiliar as crianças e famílias carentes em nossa cidade. E Nicolas, ele tinha seis anos, eles, bom, morreram em um acidente de carro causado por um bêbado.

— Nando, eu, eu sinto muito! - Madelaine engoliu seco - Como aconteceu?

— Um bêbado! Um maldito bêbado os atropelou enquanto os dois estavam na calçada indo para a ong. - Nando desabou na cadeira - Nesse dia eu não pude ir busca-los, e a Marcela estava sem carro, então ela passou na escola de Nicolas e o buscou para ir até a ong.

Uma lágrima solitária caiu.

— Ele os viu na calçada e os atropelou! Aquele maldito desgraçado matou minha esposa e meu filho! - Nando serrou os dentes - Nicolas não resistiu, Marcela foi levada ao hospital mas faleceu no caminho.

— Eu sinto muito, Nando! Eu não fazia idéia...

— Já faz dez anos, Madelaine, dez anos! - Nando encarou a ruiva - E você sabe como eu me senti?

O silêncio era tórrido.

— Como você se sentiu ao ver a Camila naquela situação, ela não morreu, mas você sabe que algo dentro dela se foi. A pureza da alma? A bondade de seu coração? O olhar cintilante qual ela enxerga o mundo? Talvez. Mas, uma dessas coisas se foi! E eu sei que está doendo!

— Você não faz idéia de como eu me senti ou como ela se sentiu! - Madelaine foi áspera sem perceber.

— É... - Nando sorriu e levantou-se, abriu novamente o armário e pegou outra pasta jogando sobre a mesa - Veja!

A GAROTA POPULAR - CHERONICAHistórias para pegar e não largar. Descubra agora