A sala do diretor parecia mais silenciosa do que o normal ou talvez fosse apenas a forma como tudo dentro de Draco Malfoy havia se organizado em alerta. Cada músculo. Cada pensamento. Cada maldita possibilidade.
Ele entrou logo atrás de Hermione, sentindo-a sem precisar olhar para saber. Aquela presença agora ainda mais constante. Até incômoda, viciante, errada e inevitável.
Severus Snape fechou a porta com um movimento seco. Albus Dumbledore já os aguardava, em pé, as mãos entrelaçadas à frente do corpo, como se estivesse sustentando algo invisível entre elas.
— Senhorita Granger. Senhor Malfoy. — A voz veio calma, mas havia peso nela. — Precisamos conversar.
Draco não respondeu. Apenas observou.
Hermione também não, ficando parada ali, corpo tenso.
Dumbledore caminhou lentamente até a mesa, passando os dedos por sua superfície como se estivesse escolhendo as palavras com o toque.
— Sentem-se, por favor. – Ele apontou as duas cadeiras acolchoadas e revestidas de couro.
Draco só se dirigiu ao seu assento depois que Hermione tomara seu lugar. Com o canto de olho percebeu Snape se movimentar e ficar de pé, ao lado de Dumbledore, do outro lado da mesa.
- O que aconteceu entre vocês... — Dumbledore começou — não é comum. Não é natural dentro dos parâmetros conhecidos da magia.
Draco sentiu o maxilar travar. Sabia disso. Ele já tinha noção do poder de Hermione e agora sabia de sua ancestralidade ligada a Merlim e as consequências disso.
- E o que, exatamente, aconteceu conosco? - Ela questionou.
O sonserino escolheu fixar seu olhar nas bugigangas em cima da mesa do diretor. Ele sempre fora a favor de contar tudo a Granger, mas Dumbledore sempre o dizia que tudo tinha a hora certa.
- A senhorita e senhor Malfoy tem poderes diferenciados. Cada um nas suas particularidades, é claro. Não é por acaso que ele é quem consegue ser sua âncora mágica.
Draco levantou os olhos ao ouvir um eco de riso na voz do bruxo mais velho, que continuou.
- E, claro, outros motivadores que ainda não ficaram tão claros, mas eu aposto bons galeões que existem. Quando a senhorita extrapolou o limite recomendável no uso de seu poder, senhor Malfoy percebeu o perigo. Entendo que ele é o único que poderia perceber tal fato. Através da magia similar, ele a encontrou e por um ato de escolha dele, decidiu fazer o que lhe era possível para traze-la de volta. E o que já era estreito ficou mais forte. Mesmo sem querer, sem perceber, senhor Malfoy criou um vínculo mágico entre vocês dois. Duas forças equivalentes e raras se misturaram e agora os dois estão conectados magicamente. Porém, como eu disse, nada disso é comum ou muito conhecido.
- Estou conectada à Malfoy? O que isso quer dizer na prática?
Desta vez, Draco precisou olhar para ela. Hermione desviou o olhar rapidamente do diretor e o encarou por alguns segundos. Ele sentiu seu assombro e excitação dentro do seu coração.
- Infelizmente não sei exatamente. O que eu consegui perceber depois que o senhor Malfoy acordou, ainda naqueles dias, é que a magia dele estava diferente, ele mesmo me relatou isso. Somado a fatores particulares do senhor Malfoy e observados em paralelo ao que sabemos do seu poder, senhorita, eu consigo apenas arriscar que houve um vínculo que fortaleceu os dois magicamente.
- Malfoy contou ao senhor o que fez comigo?
Ele não entendia o tom de raiva na voz dela.
- Em pontos gerais, nada de detalhes. Mas o que ele narrou já foi mais que suficiente para eu desenhar essa linha de raciocínio, levando em consideração o que já vi nessa vida, além de estudar. – O velho sorriu os olhando por cima dos óculos meia lua.
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Somnium Reveals
FanfictionNo quinto ano, em meio ao retorno de Voldemort, Draco Malfoy e Hermione Granger viveram um romance secreto intenso, proibido e impossível. Mas, ao perceber o papel sombrio que teria na guerra iminente, Draco toma uma decisão desesperada: lança um Ob...
