capítulo 45

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Ayla Ricci

Passaram os dois dias

E nesses dois dias eu fiquei trancada no quarto

A senhora Andréa e a Clarice vieram me perguntar se estava tudo bem e tentaram me trazer comida mais eu nunca respondia

Elas sabiam que eu estava viva por conta das câmeras

Valentim não veio uma vez sequer

Andréa disse que era protocolo, que ele não poderia me ver até o dia da punição, pra não haver "privilégios"

Ela disse que ele estava preocupado mais a essa altura, eu já não sabia mais se isso era realmente verdade

Estava deitada em posição fetal após ter tomado um banho gelado, o que fez meu quadril doer mais ainda

Escutei batidas na porta e logo senhor Gregory diz

- vamos Ayla - não me movi - se não sair vamos entrar e te levar, o que vai ser muito mais doloroso - diz e eu continuo imóvel

Eles arrombam a porta e eu continuo imóvel

- cuidado com ela - diz Valentim antes que um soldado enorme me pega e me coloca em seu ombro

Eu tava com muita dor, comecei a chorar

Meu quadril estava doendo demais

Quando saímos no quintal já haviam várias pessoas da elite mesmo

Eles estavam esperando pelo "show"

O soldado praticamente me jogou no chão de joelhos o que deu um tranco forte no meu quadril

Havia uma espécie de "tronco" na minha frente aonde eles pegaram minhas mãos e amarraram abraçadas a ele

- bom dia - diz senhor Gregory e todos respondem um "bom dia" juntos - pra quem não sabe, está é a primeira dama da Itália, que hoje está sendo punida por ter desrespeitado as ordens de um capô, e de um Don - ele diz e todos começam a cochichar mais eu estava com tanta dor que só queria que acabasse logo - lembrando que ela continuará sendo a primeira dama, portanto exijo que todos após isto a respeitem como tal, sempre! - ele diz de forma dura - mas hoje, ela será punida pois nem mesmo a primeira dama pode desrespeitar membros do conselho - todos começam a bater palmas e eu sinto meus olhos ficarem fracos - como marido dela, quem irá puni-la será Valentim

Diz e eu começo a chorar

Olho pra ele que mesmo com a feição dura, seus olhos demonstravam pena

Ele era um homem muito alto e forte, eu tava com medo

- se não desferir as chicotadas corretamente com o intuito de poupa-la, a quantidade aumentará - diz um outro homem mais velho e ele concorda

Ele rasga a camiseta que eu usava

Rasgou somente as costas para que ficassem expostas

"Eu nunca machucaria você"

Lembrei dessas palavras de Valentim pra mim e então recebo a primeira chicotada

Todos me olharam quando eu gritei

Alguns assustados, alguém com pena, alguns com satisfaça

- conte Ayla - disse Valentim e eu disse um "um" de forma baixa

Ele desferiu outra e repetiu

- conte Ayla - disse e eu comecei a contar

Passou alguns minutos e enquanto eu contava eu sentia minha vista embaçar

- 19... - digo quase sem forças - 20...

Meus olhos ameaçaram fechar mas me mantive acordada

Eu não iria dar o gosto a estas pessoas de me verem desmaiada e vulnerável

- agora, vocês já sabem o que acontece com quem desrespeita as regras da máfia - todos começam a gritar em concordância - agora estão liberados

Gregory diz e quando as pessoas começam a sair a senhora Andrea e Clarice vieram desamarrar minha corda

Eu estava ajoelhada mas assim que me soltaram eu caí de lado

Comecei a chorar e então senti uma mão grande tentar me pegar no colo

- me solta agora - digo com a voz trêmula

- calma amor, eu vou te ajudar - diz Valentim tentando me pegar novamente mais eu nego

- Valentim me solta, não quero que toque mais em mim - digo chorando e ele ainda continua lá

Eu pensei em xinga-lo, mais depois de hoje, eu não irei mais dirigir uma palavra sequer a Valentim sem que me mandassem

Já que ele me trataria igual um objeto, então eu agiria como um

Ele tentou me pegar novamente e desta vez eu não neguei

Ele me pegou com cuidado e eu senti tudo doer

Fomos subindo as escadas e quando ele passou pela porta do quarto aonde eu estava pra poder subir para o terceiro andar eu o chamei

- ei - ele me olhou e parou - este é o quarto da primeira dama - disse e ele arqueou a sombrancelha

- mas amor... - eu o interrompi

- não são as regras? Que após a lua de meu devemos dormir separados - ele me olha confuso

- amor mas, essa regra ela não precisa ser levada a risca, podemos dormir juntos, eu posso... - antes que ele termine

- você pode quebrar as regras, eu não - digo - agora ou você me deixa aqui, ou quando você se distrair eu desço pra cá sozinha e me tranco novamente

Digo e ele confirma triste e abre a porta do quarto

Ele me deita na cama e tenta me despir

- por favor me deixe sozinha - peço

- vou te ajudar a tomar banho, pra podermos fazer os curativos - ele diz e eu nego

- por favor - eu suplico enquanto choro - me deixe sozinha - digo e contragosto ele concorda e sai

Eu estava com muita dor, e não iria conseguir tomar banho agora porque não estava nem conseguindo andar

Me deito de bruços na cama e choro até dormir

Meu Mafioso Histórias para pegar e não largar. Descubra agora