capítulo 46

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Valentim Ricci

Desço as escadas apressado procurando pela cozinheira

- ei, Marta - a chamo e ela me olha rapidamente - quero que prepare um almoço reforçado para Ayla por favor - digo e pego meu telefone pra ligar pra médica dela

Peço que ela venha pra cá pra poder cuidar dos ferimentos de Ayla

Eu tava me sentindo um lixo por isso

Mais eu não tinha o que fazer, são as regras da máfia

Regras que foram criadas antes mesmo de eu pensar em nascer

Foram passadas por gerações

Eu não queria que nada daquilo tivesse acontecido

De início quando ele conversou comigo sobre isso nós brigamos feio

Só não brigamos fisicamente porque minha mãe interviu

Eu nunca quis machucar minha mulher, eu jamais faria isso propositalmente

Mas ele disse que se eu não aceitasse essa punição, ele mataria ela

Eu não tinha o que fazer...

O que me resta agora, é só cuidar dela e garantir que ela tenha a melhor recuperação possível

Eu não quero que minha mulher sofra mais

- mãe, por favor será que a senhora pode ajudar a Ayla a tomar banho? - digo quase chorando em tom de súplica e ela me olha confuso - pode ser você e a Clarice se ela quiser - digo

- filho, mas porque você não a ajuda? - ela pergunta confusa e como estávamos na biblioteca eu começo a chorar

Chorei igual um bebê enquanto minha mãe me abraçava

- ela não quer que eu toque nela mãe, ela não quer mais dormir comigo, e ela não quer mais que eu chegue perto dela - digo enquanto estou abraçado com ela

- calma filho, ela só está triste e assustada, mas eu prometo que isso tudo vai melhorar - diz me confortando - eu ajudo ela ok? Não se preocupe - diz e beija minha testa - eu vou conversar com ela sobre isso tá bom - concordo e limpo as lágrimas antes de sair de lá logo em seguida

Passo pelo meu pai que estava conversando com os membros do conselho e pra minha infelicidade ele me chama

Fico furioso mas contenho minha raiva e vou até lá

- filho, estávamos falando sobre o próximo baile beneficente, o que acha de fazermos um leilão? - ele diz rindo pra mim e eu o chamo pra irmos pra um canto mais reservado

Ele pede licença prós velhos e me segue

- a minha mulher está em estado crítico e você vem me perguntar se porra de leilão caralho? - falo sussurrando com raiva e ele arregala os olhos

- eu não tenho culpa se ela não respeita as regras - diz e eu sinto meu sangue ferver

- claro, você nunca tem culpa né - digo e saio andando o deixando plantado lá

Subo as escadas e paro na porta do quarto em que Ayla está, aonde vejo minha mãe e minha irmã a levantando com muita dificuldade enquanto ela segura o choro

Me cortava o coração ver ela assim

- por favor, para - ela diz chorando quando elas a sentam na cama - dói demais, eu não aguento - ela diz fraca - vocês estão me machucando - ela diz e minha mãe e a Clarice a olham com pena

- desculpa a gente amiga, mais é que não conseguimos te levantar sozinha sem te machucar - Clarice diz e vira o rosto pra porta pra chorar e da de cara comigo - ei, ajuda aqui Valentim - quando ela diz meu nome Ayla me olha com uma mistura de medo e fúria

- não, se vocês não conseguirem eu vou sozinha - ela diz e faz força até se levantar

Ela força os dentes pra não gritar e se levanta

Minha mãe e a Clarice tenta a segurar pra leva-la pro banheiro mas ela nega

- podem sair, obrigada mas eu faço isso sozinha - diz e anda com muita dificuldade

Ela acaba caindo no chão e antes que minha mãe e Clarice façam qualquer coisa eu corro pra pegar ela

Ela estava chorando tanto e sentindo tanta dor que nem conseguiu negar a minha ajuda

Começo a tirar as vestes dela e ela continua chorando baixinho

Antes disso Clarice já havia botado a banheira pra encher com água morna

Coloco ela na banheira e ela arqueia as costas de dor

Começo a lavar ela com muito cuidado pra não machuca-la mais ainda

Depois de alguns minutos eu a tiro da banheira com o roupão que está aqui e depois o retiro deixando ela nua pra nada encostar nas costas dela

A pego no colo e a deito de bruços

Ela estava cochilando

Antes que eu saia do quarto escuto ela dizer bem baixinho

- me cobre por favor, eu tô com frio - diz e eu volto pra cobrir ela com cuidado - obrigada - diz e dorme pesado

Subo pro meu quarto e tomo um banho frio rápido e desço pra receber a doutora Santiago

- aonde ela está ? - ela pergunta e eu a guio para o quarto aonde ela tá

Ela entra devagar e eu vejo que ela ainda está dormindo

A Dr. retira lentamente a coberta das costas dela e se assusta

- meu Deus - ela diz em um sussurro mas não pergunta nada

Ela começa a pegar todas as coisas dela e para por um instante

- ela dormiu faz muito tempo? - pergunta e eu nego - acha que consigo costurar as feridas com ela apenas dormindo ? - diz e eu dou de ombros sem saber exatamente se isso daria certo

- só não machuca ela por favor - digo e a doutora confirma

Ela prepara tudo e começa a costurar as costas dela

Deu tempo dela costurar duas feridas grandes antes que Ayla acordasse gritando

Meu Mafioso Histórias para pegar e não largar. Descubra agora