46 - O Eco da Saudade

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O tempo tinha uma maneira curiosa de passar. Para uma criança, alguns dias pareciam durar uma eternidade. Mas para um shinobi, anos podiam desaparecer entre uma missão e outra.

Naruto observou o próprio reflexo por alguns segundos, quase como se estivesse tentando reconhecer a pessoa diante dele. Não era mais o garoto pequeno que precisava subir em bancos para alcançar a pia ou que aparecia na janela da casa do seu Lobo com os joelhos sujos de terra. Ele havia crescido alguns centímetros. O corpo antes pequeno e franzino começava a ganhar sinais discretos de treinamento, músculos sutis aparecendo sob o tecido da blusa e uma postura mais firme denunciando as horas de prática.

A antiga mochila com desenhos de raposas e dinossauros havia ficado guardada em algum canto do armário. No lugar dela estava uma mochila azul-petróleo, resistente e funcional, escolhida para acompanhar a rotina de um shinobi em treinamento.

- Você está ficando mais forte. - Kakashi observava o garoto segurando a kunai com uma postura muito mais firme do que anos atrás.

- Preciso ficar.

- Por que? - A voz de Kakashi sempre foi calma, mesmo que a mente dele estivesse processando e guardando cada pequeno gesto e fala do menino.

- Porque um dia talvez eu precise proteger alguém. - Naruto apertou o cabo da arma.

Era estranho pensar que um dia eu reclamava para estudar. Livros pareciam castigos, aulas didáticas eram cansativas e qualquer coisa que exigisse paciência parecia uma tortura interminável. Agora, eu procurava qualquer conhecimento que pudesse me tornar mais forte. Cada técnica aprendida, cada nova informação descoberta e cada hora de treinamento tinham um único objetivo.

Tudo começou por causa dela.

❖✧✦✴✰

A primeira vez que aconteceu foi no dia do meu aniversário. Eu já estava acostumado a conversar com ela dentro da minha mente; Kurama sempre esteve ali, reclamando, provocando e agindo como se eu fosse a criatura mais irritante que já existiu. Era o jeito dela demonstrar preocupação, embora provavelmente jamais admitisse isso. Mas naquele dia foi diferente.

Eu senti algo que não era apenas a voz dela ecoando dentro da minha cabeça. Era uma presença. Uma sensação de calor familiar próxima ao meu corpo fez com que eu abrisse os olhos rapidamente, ainda confuso com aquela mudança repentina. Durante alguns segundos, pensei que estivesse apenas sonhando. Pisquei diversas vezes, esperando que aquela imagem desaparecesse, mas ela continuava no mesmo lugar. Sentada sobre minha cama estava uma pequena raposa de pelos avermelhados. Ela era muito menor do que eu imaginava, mas carregava exatamente a mesma expressão arrogante e irritada que eu conhecia tão bem.

Foi naquele momento que percebi. Kurama estava ali. Fora de mim.

Eu não pensei em como aquilo era possível ou quais consequências aquilo poderia trazer. Não procurei respostas, não fiz perguntas. Apenas a segurei em meus braços e senti as lágrimas escorrerem antes mesmo que eu pudesse impedir. Não era o choro de uma criança assustada, mas de alguém que reencontrava uma pessoa que acreditava ter perdido para sempre. Durante tanto tempo, Kurama havia sido apenas uma voz, uma presença invisível que permanecia comigo nos momentos bons e ruins. Ela era minha família de uma forma que poucas pessoas conseguiriam compreender. E naquele instante, finalmente pude sentir seu pêlo entre meus dedos, ouvir sua respiração e ter a certeza de que ela estava realmente comigo.

- Você está me apertando demais, moleque.

Sua reclamação veio acompanhada daquele tom irritado que eu já conhecia, mas havia algo diferente. Apesar das palavras, ela não tentou se afastar ou reclamar de verdade. Apenas permaneceu ali, permitindo que aquele momento existisse.

- Foi o melhor presente de aniversário que eu poderia receber. - Fungou, os ombros ainda pequenos tremendo.

Mas momentos perfeitos nunca duravam o suficiente.

O vínculo que permitia aquela pequena passagem entre nós ainda era instável. O portal criado pelo nosso chakra começou a enfraquecer antes que eu estivesse preparado, e eu senti aquela presença familiar começar a desaparecer lentamente. Meus braços apertaram seu pequeno corpo com mais força, como se eu pudesse impedir que ela fosse embora apenas segurando-a perto de mim. Mas não foi suficiente.

Quando percebi, meus braços seguravam apenas o vazio. A pequena raposa havia partido. E naquele dia eu descobri algo que jamais esqueceria: sentir falta de alguém que ainda estava vivo podia doer tanto quanto perder alguém.

Estamos de volta, baby ;)
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(Parceria e Betagem feitas por Eryndra
Agradecemos a sua motivação e paciência.)

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⏰ Última atualização: Aug 06 ⏰

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