Flins

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O dia em Nod Krai começou envolto em uma névoa espessa e fria. Eu estava cumprindo minha rotina matinal, chutando algumas pedras na beira do caminho para espantar o sono.

Foi quando algo brilhante no meio do cascalho cinzento me chamou a atenção. Afastei a terra úmida com os dedos e puxei um mineral extraordinariamente bonito. É uma pedra de um azul tão profundo e magnético que parece reter um pedaço do próprio céu noturno. Ela brilha com pontos prateados que cintilam como estrelas distantes. Lembrei dele no mesmo milésimo de segundo.

Guardei o achado com cuidado e acelerei o passo até o ponto de teleporte da cidade. Quando avistei Flins parado perto, com sua silhueta imponente e monumental recortada contra a névoa, caminhei em sua direção. Estendi a mão aberta, oferecendo o cristal reluzente sem dizer uma única palavra.

Ele não recuou. Seus olhos profundos pareceram vacilar por um breve instante, fitando a pedra e depois o meu rosto. Flins estendeu os dedos compridos, pegando o mineral com uma delicadeza tocante que contrasta totalmente com seu tamanho e sua aura intimidadora. Ele o guardou no bolso interno do manto, bem perto do peito, como se escondesse um tesouro sagrado. Desde aquele segundo, ganhei uma sombra obstinada.

Caminhar pelas ruas com o Flins logo atrás é sempre um espetáculo à parte. Eu sou o tipo de pessoa que gosta de lidar com gente, que sorri para os mercadores e cumprimenta os moradores pelo nome com a energia de um sol brilhante. Mas hoje o clima estava diferente por onde passávamos. Dava para sentir a mudança na pressão do ar a cada passo.

Flins opera em silêncio absoluto. Ele exala uma masculinidade pesada e marcante, que prende meus olhos toda vez que se move. A aura que emana dele é densa, fria e misteriosa, como uma lua cheia governando uma noite de inverno. Para as outras pessoas, essa energia silenciosa deixa todos acuados, mas eu não sinto medo. Para mim, ele é um homem absurdamente grande e atraente que não entende o conceito de distância física.

A primeira missão nos levou até os arredores da cidade. Um fazendeiro local chamado Albert solicitou ajuda para conter javalis selvagens que destroem suas plantações. Quando nos aproximamos da cerca de madeira, o homem acenou aliviado ao me ver.

Sua expressão congelou no instante em que seus olhos deslizaram para a figura robusta que caminha logo atrás de mim. Albert deu dois passos trôpegos para trás, engolindo em seco de forma ruidosa. Suas mãos apertam o cabo de uma enxada como se sua vida dependesse disso. Tentei amenizar a situação sorrindo e acenando com entusiasmo.

Foi nesse momento que senti uma leve pressão e um calor familiar no topo da minha cabeça. Flins deu um passo longo para a frente, quebrando completamente qualquer barreira de espaço pessoal. Ele simplesmente apoiou o queixo sobre os meus fios loiros, fincando os olhos escuros no fazendeiro com uma indiferença gélida. Ele é tão mais alto e mais largo do que eu que sua mera proximidade física parece me engolir por completo, me cobrindo com sua sombra e seu perfume amadeirado.

- Bom dia, Albert! Viemos cuidar dos javalis selvagens que estão incomodando você. - Falei com meu tom mais animado, tentando aliviar o clima.

- Oobrigado, Viajante... Eles estão destruindo a plantação logo ali atrás. Por favor, tomem cuidado. - O homem gaguejou, apontando com a mão trêmula sem conseguir desviar os olhos de Flins.

- Não se preocupe, vai ser rápido! Fique aqui onde é seguro. - Respondi, desembainhando minha espada.

Fomos até o campo e resolvemos o problema rapidamente. Quando voltamos para pegar a recompensa, Albert praticamente jogou o saco de moedas na minha direção e correu para dentro de casa.

A segunda tarefa envolveu a entrega de suprimentos médicos no balcão principal do distrito comercial, um lugar que costuma ser barulhento. Conforme avançávamos pela rua principal, um silêncio quase sepulcral ia se estendendo. Os comerciantes abaixavam o tom de voz e os clientes mudavam de calçada assim que notavam a presença imponente de Flins ao meu lado.

Aether... haaa (+18) {Concluída}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora