Capítulo cinco: Com outros olhos

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14 de setembro de 2105, sou Vitória Knight, de família nobre, amante e defensora dos animais, filha do atual líder da Aliança Internacional de Combate aos Inimigos (AICI) , esse pacto era uma manobra para deter a nomeada GCII (Grupo Comunista Internacional da Igualdade), por anos ocorreu uma troca de afinetadas entre essas duas facções, fotos de poderio bélico eram divulgadas na mídia intencionalmente, para amedrontar a aliança oposta por anos esse clima pesado acompanhado de um insistente cheiro de medo exalou por todo o mundo, ambas as alianças possuiam poder suficiente para destruir o planeta em caso de guerra civil, imagine se uma resolvesse atacar a outra, viviamos a 2 guerra fria. Pretendíamos manter ela graus a baixo de zero, os dois blocos ideológicos sabiam que a humanidade seria rebaixada a cinzas caso atacassem, portanto mantinham somente às ameaças, sem exitar.

Porém nesse dia, algo que ninguém sabe ao certo a razão aconteceu, aquilo que tanto temiamos de fato eclodiu, a 3 Grande guerra. Me lembro de ser acordada às pressas por Julius, nosso segurança, homem negro, alto, que vivia estampando em seu rosto uma cara amarrada, apesar do olhar de vilania, era um exímio funcionário e amigo íntimo de meu pai, me sacudia na cama com uma cara de desespero que eu nunca esperava vê-lo demonstrar, quase em prantos me alertou para que eu dessece as escadas, meu pai me esperaria no saguão principal, junto ao resto de minha família. Ainda admirada com sua imagem, precisei retomar a consciência, afinal ele não estava brincando, estava me empurrando para fora do meu quarto, sem tempo de levar nada me agarrei a um ursinho que meu pai havia me dado quando eu era mais nova, mesmo não gostando de animais de pelúcia, eu só precisava abraçar algo.

Meu pai engravatado suando, minha mãe banhando-se em lágrimas fomos guiados por Julius, a uma porta que nem sequer eu havia visto naquela casa enorme, era uma porta de pequena espessura que após aberta exalava um cheiro podre, mal sabiamos que aquele cheiro seria um perfume perto do odor que a Terra passaria a produzir. Abrindo a porta, descendo escadas que mais pareciam colônias de cupins, uma última porta essa sim de metal puro, pesada que após aberta nos aconchegaria a um suposto abrigo, na cabine havia suprimento para no máximo três pessoas, após eu e minha mãe entrarmos no abrigo meu pai fechou a porta antes que Julius pudesse entrar, percebi nesse momento a cor da água em que nadavamos.

Ele gritava e esmurrava a porta do abrigo, mas ela não podia ser aberta, meu pai o condenara a morte, antes fosse somente ele, eu assisti aquela barbaria sem piscar os olhos, sem esboçar reação, em meu interior uma forte indignação queimava, mas sem aparentar nada.

Encolhida no canto da cápsula, eu ouvia um estrondoso barulho ridicularizando qualquer rojão de festa, as paredes tremiam, a cama tremia, tudo vibrava, os gritos de Julius não eram mais presentes, somente fortes explosões e vibrações, nos primeiros tremores podia-se ouvir gritos de dor, de fato desesperadores, mas brevemente não se escutou mais nada, antes que abrissemos as reservas de alimento, tudo acabou, foram as horas mais longas da minha vida.

A cápsula esquentava como a superfície do sol, o que me fazia imaginar como estava tudo lá fora, não só as mãos de meu pai estavam sujas de sangue, mas as mãos de minha mãe também estavam e as minhas próprias mãos estavam todas cheias de sangue alheio, na verdade todos nós! Elite covarde que iniciou a guerra, nos protegemos dentro de abrigos anti-nucleares, sujando nossos corpos de sangue indiretamente.

Não a confissão que nos absolva, eramos piores que enxofre, a própria morte agradecera, o som de tantas famílias destruidas, gritando e agonizando ecoava pelos meus ouvidos, era permanente, inesquecível. Algo eu faria para limpar meu vestido. Algo eu seria capaz de fazer ?

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