Capítulo 2: Lembranças

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Gregorie Dunne

"Talvez seja melhor eu ir embora, não voltar mais. Deixar-te vai ser algo tão dolorido, que não sei como vou conseguir lidar daqui para frente. Perdoa-me por te machucar tanto. Eu te amo Greg!"

Acordei do meu terrível pesadelo, com aquela voz escoando na minha cabeça, que desde que ela tinha ido embora eu não consigo esquecer. Annie partira a um ano e eu ainda pensava nela, no seu rosto, no seu cheiro... Tudo na cidade me fazia lembrar. Todos os restaurantes, boates e parques que íamos, estavam presentes no meu dia-a-dia com ela. Conheci Annie, há exatamente três anos, no ensino médio. Ela era uma garota popular, assim como eu, extrovertida e cheia de amizades. Durante dois anos vivemos um relacionamento, intenso, em que eu procurava sempre melhorar, porém as brigas constantes estavam me deixando louco. Então, chegou um dia que ela simplesmente foi embora, me deixando sozinho. Sem nenhuma justificativa, ela sumiu de Boston e não deu mais notícias. Depois de alguns meses da sua partida, descobri que ela estava em Miami com a sua irmã e ainda, descobri que ela havia me traído, com Josh, um garoto que dizia ser seu amigo, mas na verdade ele queria apenas ficar com ela. Eu sofri, sofri por um amor que não me correspondia na mesma intensidade. Prometi a mim mesmo, que ela seria a última pessoa por quem eu iria sofrer ou sentir alguma coisa, estaria com meu coração fechado para novos amores. Minha vida começava ali, naquele momento, com Harvard. Iria cursar administração, para cuidar das empresas de comunicação dos meus pais. Não ligava muito para isso, mas para Jorge, meu pai, era a sua vida e morte. Minha mãe Vivian, sempre estava preocupada com os cuidados com a casa e aparência da família, me deixando muito atordoado. Eu os amava só que às vezes, não sentia que era recíproco. Confesso que a falta de comunicação e até carinho ajudou em minha mudança pessoal.

Levantei absorto em meus pensamentos, quando olhei para o relógio e levei um susto. Já são 08h30min, que droga. As aulas começavam 09h00min e eu ainda nem tinha tomado banho. Corri para o banheiro do meu quarto e tomei uma ducha rápida, vesti uma roupa social - a qual a minha mãe me obrigava a usar sempre – e dei uma ajeitada em meus cabelos loiros e lisos o qual sempre tive muita facilidade em ajeitar. Dei uma última conferida e desci correndo as escadas, chegando à mesa de jantar.

- Bom dia família! – Disse encarando meus pais sentados à mesa tomando café – Dormiram bem?

- Sim meu filho e você? – Minha mãe respondeu sem tirar os olhos do tablet.

- Bem! Então hoje é o meu primeiro...

- Vivian, você já preparou a festa de recepção dos diretores daquela empresa de Dubai? – Disse meu pai, interrompendo a minha fala, como sempre.

- Claro Jorge, está tudo pronto.

- Então família, estou indo. – Disse decepcionado por não poder conversar com eles. Peguei uma maçã e comecei a sair.

- |Filho... – Meu pai tirou seus olhos do jornal me chamando. – Não se esqueça da reunião na empresa hoje. Gostaria de sua presença para o posicionamento de novos cargos.

Eu não estava acreditando que ele estava falando disso! É sério?

- Claro, majestade! – Disse, curvando a minha cabeça.

Não acredito que eles nem lembraram de me desejar boa sorte filho ou cuidado na rua. Que tipo de pais eu tinha? Entrei dentro do carro, liguei na rádio e segui até Harvard. Eu já tinha colocado minhas malas no carro na noite anterior, para evitar discussões com meus pais, pois eles não haviam me deixado ficar nos dormitórios da universidade, por serem pequenos, só que eu já tinha me inscrito e já tinha um quarto, o qual eu iria dividir. Depois me preocupava com a crise dos meus pais. Daria desculpas de que é melhor para mim, na interação com as pessoas, etc. Cheguei a faculdade e fui estacionando na área reservada para alunos. Peguei o mapa dentro do porta-luvas que tinha ganhado de um investidor da empresa do meu pai, o qual tinha estudado aqui. Olhei mais uma vez para ter certeza que não erraria o caminho e desci do carro, pegando as minhas malas e seguindo a trajetória que estava em minha cabeça. O campus era maravilhoso, cheio de árvores e alunos sentados embaixo delas. Pareciam não ter preocupação com o seu futuro, ou talvez não tivessem pais que ficavam em cima deles, como os meus. Olhei para frente e percebi que não sabia onde estava mais, comecei a procurar para onde seguir. Andei em diferentes direções e eu não conseguia mais achar o caminho. Foi quando vi um em que muitos alunos com malas estavam seguindo. Fui até lá. Parei em frente ao banquinho, deixei minhas malas no chão e fui pegar meu celular que estava dentro da bolsa com meus livros. Foi quando senti um forte empurrão, o que me fez tropeçar em minhas malas e cair no chão. Reparei que era uma garota com cabelos ruivos.

- Nossa moça, você está um pouco apressada. Está derrubando até quem está parado. – Disse olhando fixamente para seus olhos azuis. Ela era linda!

- Nossa, me desculpa mesmo, eu não, não sabia que você estava ai... Me desculpa mesmo. – Ela respondeu vermelha. Como essa cor combinava com ela!

- Só espero que você não tenha machucado. É sempre desastrada? – Ri quando lembrei do nosso tombo. Percebi que ela não achava tão graça assim.

- Olha, já te pedi desculpas e as suas coisas estão intactas.

- Parece que você ficou nervosa? – Ri ainda mais. Meu Deus, ela ainda estava vermelha. Só que eu havia passado dos limites, de novo. Sempre achava que podia ter intimidade com as pessoas. Eu estava errado. - Ei! Me desculpe, eu sou assim. Acho que posso ter intimidade com todos! Esquece isso, ok? – A chamei novamente, fazendo direcionar seu olhar para mim.

- Ok! Estamos quites agora! – Ela respondeu, sorrindo para mim e novamente tentando ir embora. Não podia a deixar ir sem ao menos saber o seu nome.

-Ruivinha, qual é o seu nome?

- Sou Kate, Kate Wistone. E o seu? – Ela respondeu, olhando para mim com aqueles lindos olhos azuis.

- Sou Gregorie Dunne. Mas pode me chamar de Greg, Senhorita Wistone. – Disse sorrindo. Ela se virou e seguiu o seu caminho, sem olhar para trás.

Ela era linda, com aqueles cabelos ruivos caindo em seu rosto. Mas não, eu não podia começar sentir nada. Nem por ela, nem por ninguém. Comecei a andar, desesperando em direção aos dormitórios. Legal, eu estava atrasado e atordoado por uma garota que tinha um péssimo senso de humor. Subi as escadas correndo, procurando o número do quarto, o qual eu tinha recebido por e-mail da coordenação da faculdade. Logo encontrei e entrei, dei uma rápida olhada no quarto, deixei as minhas malas no chão, quando ouvi uma voz calma vindo por trás.

- E aí brother, beleza? – Olhei assustado por não perceber sua presença há alguns segundos atrás, quando entrei no quarto.

- Oi, desculpe-me minha falta de educação. – Respondi estendendo a minha mão ao seu encontro. – Sou Gregorie Dunne. Você é meu colega de quarto?

- Sim, sou Cris. – Disse pegando em minha mão. – Cara, esse lugar é demais! Você já viu quantas meninas bonitas tem aqui? – Perguntou caminhando em direção a janela.

- Não vi ainda! – Ri da sua pergunta. – Mas pretendo.

Nós dois rimos. Olhei pro relógio e logo soltei um grito.

- PORRA! ESTAMOS ATRASADOS! – Gritei, pegando os meus materiais e o celular.

- Nossa, me esqueci que tinha aula. – Cris concordou. – Greg, não se esqueça que hoje temos a recepção dos calouros. Temos que participar quero conhecer gente nova, garotas inclusive. – Ele disse, fechando a porta do quarto.

- Vamos conhecer várias garotas Cris! Vou colocar o terror nesse lugar. – Ri acompanhado de Cris.

Essa seria a minha nova vida!

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Queria primeiramente pedir desculpas por ter sumido. Aconteceram várias coisas em minha vida esse ano, o que me impossibilitou de escrever. Agora voltei com força total e gostaria de agradecer a quem ainda me acompanha. Obrigada pela paciência e compreensão. As novas leitoras, gostaria de opiniões.

Este na foto é o nosso Greg. Gostaram? Se sim, comentem.

Novo capítulo em breve. (Talvez eu poste essa semana)

Beijinhos!

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⏰ Última atualização: Dec 08, 2015 ⏰

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