Corria lá pela aldeia, ditado que Deus mantenha: “A quem Deus quer ajudar, o vento lhe apanha a lenha”.
Certa velha preguiçosa que nessa aldeia morava, ouviu, gostou da sentença e nela se sentenciava.
Não queria saber se merecia ou não que Deus a ajudasse, foi à lenha para o monte e disse ao vento que lhe a apanhasse.
Ora o vento ao que parece tinha lá seu pensamento, em vez de juntar, espalha-a, no que demonstrava ser o vento.
E a preguiçosa da velha o sol de inverno lhe valha, voltou para casa à noitinha sem trazer uma navalha.
Já se vê não fez fogueira naquela noite de invernia, e sentada à lareira quase de frio morria.
No outro dia lá volta ela ao monte, mas lembrando da lição, não diz ao vento que lhe a junte, junta por sua mão.
E diz a velha depois de consolada ao borralho:
- O vento que Deus ajuda? Mais seguro é o trabalho.
Moral; “Quem quer, faz. Quem não quer, manda”.