Vencedor do Watty 2018 na Categoria Contador de Histórias.
Romance ambientado na Córdoba do século X, durante a dinastia Omíada. Entre personagens históricos como Al-Mansur, e a Sultuna Subh ou Aurora no seu nome latino, se misturam personagens fict...
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Este é um trabalho de ficção cuja trama principal foi inventada pelo autor. Nomes, personagens, locais e incidentes, ou são produtos da imaginação do autor, ou utilizados ficcionalmente e qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas, eventos, locais é pura coincidência ou é circunstancial. No entanto, devido ao fundo histórico da trama, alguns personagens citados estão envolvidos de forma ampla, ou apenas restrita, no enredo central, bem como situações culturais e políticas, são enraizadas na História.
Escolhi o ambiente da península ibérica, durante a dominação islâmica, por ser um período de esplendor cultural e riqueza jamais vista. Córdoba rivalizava com Bagdá pela proeminência no mundo islâmico, com a especificidade de que ambas as cidades eram governadas por califados islâmicos diferentes e adversários, mas a distância mantinha a paz entre eles. Na verdade, um golpe do destino fez com que um sobrevivente do massacre de uma família sobre a outra estabelecesse o domínio independente em toda a Andaluzia. Nos duzentos e cinquenta anos que se seguiram, os Omíadas na Andaluzia desenvolveram uma sociedade que era sofisticada, culta e tecnologicamente avançada.
Além disso, este período é com frequência apontado por analistas políticos como modelo de convivência entre as três religiões monoteístas e como falso exemplo de que esta harmonia e paz poderiam coexistir nos dias de hoje entre os mesmos protagonistas deste conturbado e sangrento conflito moderno entre árabes, cristãos e judeus.
Os personagens principais que são baseados em figuras históricas são Ibn Abi Amir Muhammad/Almançor e Subh, a mãe do califa menino, Hisham II. Outros personagens históricos, mas que não têm envolvimento muito profundo nas tramas, sendo apenas mencionados, algumas vezes, por serem importantes protagonistas do período, são o próprio Califa menino Hisham, o Vizir Mus-hafy, que assumiu depois da morte de Hakam II, o General Ghalib e sua filha Asma, que se tornou esposa de Ibn Abi Amir, o médico judeu Benzecri, que é baseado no renomado médico judeu Hasdai Ibn Sharput, que viveu e atuou em Córdoba de 913 a 970. Por fim, os califas, que por acaso foram contemporâneos com a narrativa ou que foram citados.
Para se escrever um relato que se passa há mais de 1000 anos no passado, é necessária uma criteriosa pesquisa sobre usos, costumes, dados da época e aspectos da arquitetura local em Córdoba. Em vez de interromper a narrativa com notas de rodapé em demasiado, preferi informar algumas dessas fontes aqui, não em ordem de importância, pois todas elas, de alguma maneira, ofereceram informações úteis. Assim, destaco:
1. Spanish Islam; a History of Moslems in Spain de Reinart Dozy;
(base histórica - principalmente para o capítulo 8 e Epílogo)
2. The Moor in Spain, de Stanley Lane Poole;
3. The Cordoba Mosque, de Farhat A. Hussain,
4. Recuerdos y Bellezas de Espanã: Córdoba de Pedro D. Madrazo,
5. Homage do Al-Andaluz: The Rise and Fall of Islamic Spain, de Michael Barry,
6. The Ring of Dove, de Ibn Hazm,
7. Christian Martyr in Muslim Spain, de Kenneth Wolf,
8. Concubines, Eunuchs and Patronage in Early Córdoba, de Glaire D. Anderson;
9. Religious and Cultural Conversion to Islam in 9th-Century Umayyad, Córdoba de Jessica A. Coope.
10. La Conjura de Córdoba de Juan Kresdez
11 Leyendas de Medina Azahara (Al Ándalus), de Manuel Pimentel (2014)
12. Una vida de mujer: Subh de Marín, Manuela (1997)
13. Leyendas de Al-Ándalus, de Antonio P. Peñasco (2014)
Aliados a estes documentos, foram consultados diversos artigos na Internet sobre Andaluzia, dinastia Omíada, Almançor e manuscritos antigos do Alcorão, em especial os manuscritos encontrados na Universidade de Birmingham e na mesquita de San'a, no Yemen.
Para concluir, não poderia deixar de citar um romance histórico do qual tomei conhecimento quando estava construindo o Capítulo 1 (2ª parte da história). Trata-se de "Requiem for Córdoba", de Marilyn Ekdahl Ravicz. As tramas da minha história e a de Ravicz partem da mesma personagem, a Sultana Subh, envolvida em um objetivo semelhante, mas por caminhos diferentes. O acaso ou coincidência nem pode ser classificada como tal, pois seria impossível criar-se uma trama neste período da história muçulmana na península ibérica, sem colocar Subh como protagonista. Como o trabalho de Marilyn Ravicz é pautado em uma profunda pesquisa histórica, passei a tomá-lo também como referência para ambientes e costumes. Permiti-me estabelecer uma passagem que, ao conhecer na obra de Ravicz, considerei imprescindível utilizá-la de alguma forma e só poderia fazê-lo baseando-me na descrição de Ravicz: uso de uma estrutura em treliça para separar as mulheres era comum na decoração interna, em balcões e na arquitetura de sacada das casas, permitindo às mulheres olharem a rua sem serem vistas pelos homens, o Purdah. Não conheço ou, pelo menos, não encontrei relatos de estruturas portáteis para esse fim e, portanto, presumo que esta foi uma adaptação de Ravicz. A cena a que me refiro é o momento em que Subh abandona, diante de seus amigos conspiradores, o uso da estrutura em treliça, que a separava deles durante as reuniões. Esta cena, que acontece no Capítulo 15, precisava existir e o contexto não poderia ser muito diferente do descrito por Marilyn Ravicz, embora desenvolvido com personagens diferentes.
Tenho a constante preocupação, nos relatos históricos, de manter a historiografia consagrada e respeitar datas o mais próximo possível das reais. Assim, as tramas de ficção correm paralelas aos acontecimentos históricos que determinam os períodos de suas ocorrências. No entanto, para tornar possível o desenvolvimento das tramas, os períodos históricos, que vão de 981 até 997, quando se dá a invasão de Compostela e depois até 1002 ou 1003, quando Almançor morre, são condensados em um espaço menor de tempo.
Em função de alguns comentários sobre os aspectos grandiosos da sociedade de Córdoba, tais como características arquitetônicas, demográficas, culturais e científicas, bem como quantitativos de casas populares e de nobres, população da cidade e de moradores ou serventes do Palácio de Al-Zahara, encontradas no Capítulo 1, destaco que as informações fornecidas são oriundas das fontes árabes e reproduzidas pelos autores europeus do século 19, como Stanley Lane Poole. São exagerados? Talvez, mas a julgar pelas ruínas do palácio e pela magnificência da Grande Mesquita de Córdoba (Aljama), hoje transformada em Catedral Católica, percebe-se que, se houve exageros nas descrições, foi porque a grandiosidade impactava na época e impacta ainda hoje.