# John on#
Mais um dia de recolhas, isto é tão nojento, esta gente é tão impura. Não vejo a hora de acabar com todos eles.
Hoje começamos por uma casa grande, este deve ter tido um grande cargo social, mas isso não importa, eles merecem todos morrer.
As pancadas fortes foram depositadas na porta e rapidamente a porta foi aberta. Revelando um homem de meia idade, atrás dele estava uma mulher de cabelos negros e olhos negros igualmente, vê-se logo que não são arianos.
Quando entramos vi uma rapariga linda de cabelos ruivos e olhos claros e meigos. Toda ela era bonita. Apaixonei-me por aquela menina.Porque é que ela não nasceu ariana?
Apesar de tudo não podia ser meigo, eles precisam de morrer, mas ela é tão bela... Eu tenho que descobrir o nome dela!
# Alice on#
As pancadas fortes na porta foram ouvidas em toda a casa. O medo do desconhecido tomou conta de mim.
Meu pai abriu a porta rapidamente e por ela entraram 5 homens todos fardados, eram a SS. O medo foi maior, era o nosso dia, íamos para um sítio desconhecido, e não sei o que iria acontecer.Será que ia voltar a ver o sol?
Um dos homens chamou-me a atenção. Era alto, de olhos claros e era um verdadeiro ariano. Era lindo. Foi quase paixão à primeira vista. Mas ele era um dos homem que me levaria para o desconhecido.
"Têm 2 minutos para levar os vossos pertences!" gritou um da SS
A minha mãe fez sinal para eu ir para o meu quarto fazer a mala. Não esperava ser acompanhada por um soldado e isso estava a dar-me muito medo. Assim que cheguei ao meu quarto, peguei na minha mala e lá coloquei algumas peças íntimas e uns vestidos, não sabia quanto tempo iria estar fora ou se algum dia ia chegar a sair. Cada vez mais estava com medo.
"Qual o teu nome, judeia?" ouvi uma voz forte atrás de mim.
Sabia que era do soldado. Viro-me devagar e olho para ele.
"Alice, senhor." disse lentamente.
"Chamo-me John."
"Para onde nos levam, senhor? "
"Quem faz as perguntas aqui sou eu! " gritou ele, o medo voltou a apoderar-se de mim, baixei a minha cabeça e continuei a fazer a mala." Quantos anos tens Alice?"
"Tenho 17, senhor. Já acabei de fazer a mala, senhor."
"Vamos."
Saímos do meu quarto e dirigimo-nos para a entrada onde estava os meus pais. Eles levam-nos para fora da casa e enfiam-nos dentro de um carro, onde iriam estar em breve mais judeus, e levou-nos para a estação de comboios.
Quando pensamos em estação de comboios pensamos em ir viajar com a nossa família de férias ou ir passear, mas esta nao seria uma viagem para nos divertirmos... Estávamos a ser levados contra a nossa vontade.
O medo estava marcado em todas as caras dos judeus na estação.
O nosso destino seria Westerbork, um campo de transição situado no nordeste da Holanda, na província de Drenthe. Holanda é pequena, então a viagem foi de poucas horas. Jonh estava no mesmo vagão que eu mas não estava sozinho, estava com mais uns 6 guarda, eles estavam a verificar que ninguém fugia.#John on#
Finalmente chegamos. Já não aguento estar perto destes impuros.
O campo de Westerbork foi construído pelo governo da Holanda em 1939 para receber os judeus refugiados da Alemanha, agora este campo é nosso, é perfeito para ser um campo de transição de judeus holandeses, que mais tarde iriam morrer no campo de extermínio.#Alice on#
O comboio entrou diretamente dentro do campo. O campo era coberto de paisagens cinzentas e sem alegria.
No campo há um grande corredor principal, com barracões em ambos os lados. Olho ao redor e vejo que há guardas e torres de vigilância por todo o lado. Este lugar é tão sombrio e solitário parece uma prisão.
John levou a minha família e mais outros judeus que estavam no mesmo vagão que nós para o sítio onde iríamos ser registados. Tivemos que dizer os nossos nomes e de onde éramos, apesar de não sabermos o que estamos aqui a fazer. Podemos ficar com as nossas roupas, o que não é mau. Depois do registo, vamos para os barracões o que vai ser o meu quarto daqui em diante. Fiquei com a minha mãe num alojamento das mulheres, enquanto o meu pai ficou sozinho no dos homens. A minha maior preocupação é se vou conseguir ver o meu pai. Pela porta do alojamento vejo John, o olhar dele transmite raiva e nojo de pessoas como eu, também consigo ouvir os insultos dos soldados dirigidos a nós.Como alguém consegue ser tão cruel?
Dormíamos em beliches, eu partilhei o beliche com a minha mãe, ela ficou por cima e eu por baixo, o colchão é mais duro do que o da minha cama mas não podemos fazer nada quanto a isso. Fui explorar um pouco o campo, ele é como uma pequena cidade, tem escolas, teatros, hospitais...
Eu iria frequentar a escola por isso não iria trabalhar lá.
Tivemos 2 refeições: o almoço e o jantar, a comida não era muita mas era o suficiente para não passar fome. Consegui tomar um banho apesar de ser água fria e à frente de outras mulheres. Nunca tinha tomado banho com outras pessoas e mesmo sendo mulheres sinto-me um pouco mal, é estranho, as nossas necessidades eram feitas em latrinas. Acho que não me vou habituar a isto. O resto do dia foi passado a ouvir insultos por parte dos soldados e a passar tempo com os meus pais. Amanhã tenho escola, por isso tenho que acordar cedo.
Os soldados deram o sinal para irmos dormir e eu senti um aperto no coração. Deitei-me e um soldado veio ver que estamos todas deitadas era John. Ele baixou-se até mim e deu-me as boas noites, eu suspirei para ele a mesma coisa e depois só ouvi o som das suas botas pesadas baterem no chão e a pouca luz que tínhamos desaparecer.
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A rapariga dos cabelos ruivos
ChickLitA história passa se na 2°Guerra Mundial. Um soldado da SS apaixona se pela bela menina de cabelos ruivos. Será que ficaram juntos? Ela sobreviverá?