30/11/2016
Estou tão farta da escola.
Eu gosto das aulas, gosto de aprender, de me tornar mais culta, mas esta mudança do nono para o décimo ano, está a ser deveras significativa, não só em termos sociais (arranjar amigos), mas também em termos de quantidade e qualidade do estudo. O que eu chamava estudar no terceiro ciclo, não tem nada a ver com a minha definição de estudar agora.
Eu conseguia safar-me plenamente apenas dando uma vista de olhos pelas (no máximo cinquenta) páginas do manual da disciplina na noite anterior à ficha de avaliação, conseguindo depois, resolvê-la sem qualquer problema. Bem, o que se passa agora, é, ainda estou no primeiro período (no fim dele, graças a deus), e já tenho quase cem páginas do manual para estudar. O problema é que sei, pelo que me dizem e pelo rumo que isto tem estado a tomar, que se vai acumular cada vez mais matéria e o estudo que estou a aplicar agora ainda não é praticamente nenhum comparativamente ao futuro. Ainda por cima, sou muitíssimo nervosa, tudo para mim é motivo de nervos, para além de nervos, acumulo stress, basta apenas exercerem pressão sobre mim e digamos que a minha maneira de me livrar destas duas situações não é lá muito convencional e também não tende a melhor grande coisa a situação. Eu começo a chorar. Todos gozam comigo por este facto, algo que me deixa bastante envergonhada e revoltada pois quando eu tempo explicar que é algo que eu não consigo controlar, todos reivindicam, chamando-me infantil e coisas do género.
Graças à pilha de nervos em que me encontro durante os testes,por vezes, quando o tempo fica apertado e as respostas não me vêm à mente, começo a chorar e quando choro, eu fico completamente bloqueada, como resultado o meu raciocínio perde-se e dificilmente volto a adquiri-lo. Eu sei que isto não pode continuar porque além de me perturbar e prejudicar a mim mesma, estou a prejudicar os outros, mas ainda não arranjei uma forma de deter este modo de agir que me atinge quando me encontro mais vulnerável.
Hoje o teste de Física e Química correu-me super mal, mas talvez por saber que amanhã é feriado e por mais umas quantas compilações de acontecimentos que me deixaram feliz naquela manhã, não me aborreci, nem lacrimejei. Podem achar parvo, mas senti-me orgulhosa de mim mesma por isso.
Depois do teste, seguiu-se a aula de Biologia que aconteceu e terminou num ápice. Eu fui para casa de camioneta, acompanhada do meu par de fones velhos que não transmitem muito som por terem uma avaria qualquer.
Almocei e decidi impor uma pausa ao estudo que realizei durante toda esta semana (mesmo ainda sendo quarta-feira), o meu plano para a tarde era ver um filme com o meu melhor amigo Jacob. Nós temos esta coisa de ver filmes juntos, ligamos o skype e colocamos um filme que normalmente é ele que escolhe num site pirata e ficamos feitos parvos a contar até três antes de apertarmos ambos no botão do play para que o filme avance ao mesmo tempo dos dois lados do computador.
Eu e o Jacob éramos da mesma turma o ano passado, mas fomos para escolas diferentes, tive medo que a minha amizade com ele se perdesse no meio destas mudanças que embora ligeiras tiveram algum impacto, mas passaram uns bons meses desde que não frequentamos o mesmo estabelecimento de ensino e embora não nos encontremos pessoalmente tanto como antes, a nossa amizade continua exatamente igual e eu acho isso bestial.
Ele faz-me ficar um bocadinho mais feliz em relação a isto tudo que se anda a passar na escola, claro que não digo isto à frente dele, mesmo sabendo que ele sabe que é o que penso. Tenho que manter o papel onde digo com ironia: ''És podre!!'', ''És um chato.'', ''És um atrasadinho mental feioso que cospe fogo''... E um monte de outras frases menos ou mais amigáveis. Posso até dizer que neste exato momento estou a receber mensagens dele onde refere que andou a pesquisar a atriz do filme que vimos há umas poucas horas atrás, nua. Esta é a parte menos boa de ter um melhor amigo do sexo oposto, ele partilha tudo connosco, até o que é um bocadinho desnecessário e inconveniente. Enfim, tal como ele tem que aturar as minhas fofoquices e jatos de entusiasmo sobre roupa, celebridades e assuntos mais femininos, eu tenho que fazer o mesmo (ou tentar), faz parte.
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Awkward Disaster
Short StoryLotis contém intermináveis dificuldades em entender de que se trata e de como se escapa à fase mais assustadora da vida à qual os adultos designam adolescência, ela embarca numa busca incessante pela normalidade nunca alcançada que acaba por termina...
