Capítulo 10

11.1K 1.1K 135
                                        

 Vinte e sete mil pessoas aglomeraram-se na Ball Arena naquela noite. Jovens vestidos de preto dos pés a cabeça e garotas de batom vinho nos lábios. O nome "Dark Paradise" era repetido em perfeita sincronia, como um grito de guerra, e o coração de Stela vibrava no mesmo compasso das ondas sonoras que reverberavam pelo estádio lotado.

Ela sabia precisar os números porque Rose Willians, a deslumbrante âncora da rede televisiva local, estava impecável num tailleur azul, repassando todas as informações. A repórter ignorava os gritos eufóricos causados pela presença da câmera entre fãs amontoados atrás de uma inócua linha de segurança, e escolhia aleatoriamente seus entrevistados.

Na área VIP, as coisas eram um pouco diferentes. A comida era ruim e a bebida forte demais — um tipo de Bourbon que Brian teria adorado, mas que faria Stela perder o controle motor antes de terminar o primeiro copo.

Sentia-se deslocada entre garotas que usavam saltos incompatíveis com o conforto exigido para um show de rock e homens que pareciam estar ali mais pelo benefício duplo do lugar: uísque e mulheres bonitas bêbadas. Muitos exibiam o bronzeado típico de quem passa temporadas em iates e dentes que doíam de tão brancos.

Duvidou que algum deles gostasse de rock de verdade. Invejou as pessoas da pista, que se divertiam sem preocupar em desmanchar penteados elaborados.

O show estava com vinte minutos de atraso. Apesar de ingleses, os meninos da Dark Paradise não tinham nenhum pouco da pontualidade britânica. E quando Stela já começava a achar toda aquela opulência chata demais, as luzes do complexo se desvaneceram. Um som gutural escapou do público quando a iluminação se reduziu aos fogos de artifício que reluziram no céu de Denver.

Era a forma sutil da Dark Paradise dizer que o espetáculo estava prestes a começar.

— Boa noite, Colorado!

A voz inequívoca de Brian Carter acordou um monstro adormecido na arena. Stela não conseguiu esboçar nenhuma reação. Ficou petrificada. Depois de alguns segundos, recolocou o queixo no lugar.

Brian soube vestir-se a caráter. O cós da calça de couro era baixo o suficiente para fazer com que muitas mulheres se esquecessem de que estavam ali por causa de um show de rock — e não devaneios eróticos. Os braços expostos do vocalista sugeriam que ele não se importava com a temperatura daquela noite, ou então o minúsculo colete de pelos o aquecia de forma satisfatória. Seus cabelos longos até os ombros funcionavam como o melhor dos acessórios emoldurando seu rosto bonito. O homem combinava com a fama e sabia disso. Dominic, Tommy e Elijah poderiam estar nus agora que Stela não iria notar.

Estão prontos para o Rock and Roll?! — O vocalista exclamou, e a resposta da plateia veio num tempestuoso "sim". — Então hoje é noite de rock, Denver!!!

Guitarras e baterias uniram-se para iniciar Wild Way of Life, um dos últimos sucessos da banda e que, previsivelmente, ocupava o topo das paradas. As pessoas pulavam no ritmo da batida, os instrumentos alcançavam notas perfeitas, e a voz de Brian... tons inimagináveis. Cristo. Era inacreditável pensar que alguém tivesse sido agraciado, aleatoriamente, com um dom tão divino.

Em algum ponto do show, uma fã conseguiu romper a segurança e subiu no palco, provocando uma comoção imediata. A equipe correu para contê-la, mas Brian ergueu uma das mãos, pedindo que a deixassem ficar. Uma nova gritaria tomou conta das pessoas: alguns felizes pela mulher, outros frustrados por não partilharem da mesma sorte.

A mulher chorava de alegria, lágrimas misturadas à máscara de cílios deixavam traços engraçados pelo seu rosto. Brian a envolveu num abraço caloroso. O novo gesto incendiou o estádio mais uma vez.

Não Conte aos PaparazziOnde histórias criam vida. Descubra agora