Chegamos à minha rua. Ele parou o carro e olhou para mim, dando-me um pequeno sorriso.
- Estás entregue, menina. - disse batendo mais uma vez na minha coxa. Eu peguei no telemóvel e vi as horas, já passava da 1h30min.
- Queres entrar? - disse um bocado a medo - Como já é tarde e tudo mais, escusas de estar a conduzir a uma hora destas. - disse dando mais atenção agora às minhas mãos, que se tornaram bastantes mais interessantes do que qualquer outra coisa. Não respondeu. Apenas ouviu o motor a desligar-se e uma porta a abrir-se. Abri também a minha e fui direta à porta. Estiquei-me o máximo para chegar ao topo da porta, onde estava a chave. Senti os meus calções a subirem demasiado, mostrando coisas que não deviam. Senti uma mão por cima da minha, procurando as duas as chaves. Ele encontrou-as e deu-mas, deixando-me abrir a porta.
Entramos e voltei a fechar a porta. Liguei as luzes e olhei em volta por toda a casa.
- Minnie? - chamei. - Minnie? - repeti subindo as escadas a passo acelerado, sabendo que o Tomlinson vinha atrás de mim. No cimo das escadas, encostada à parede, deitada. - Minnie... - suspirei de alívio e peguei nela ao colo e fazia-lhe festinhas enquanto descia as escadas. Senti o braço dele a passar sobre os meus ombros.
- Minnie? É o mais original que tu consegues ser? - disse fazendo mimos nela.
- Não fui eu que escolhi, foi a minha mãe.- disse ficando um pouco triste, encarando os olhinhos daquela cadela, a única pessoa que me compreendia e que estava sempre lá para mim, acabando por lhe dar um beijo na cabeça.
- Bem, queres comer alguma coisa? - disse pousando a Minnie no sofá e indo para a cozinha.
- Como o que comeres Natt. - declarou sentando-se num dos bancos.
- Leite com cereais, gostas? - questionei, pegando nos cereais.
- Sim. - começou a procurar as tijelas enquanto eu comecei a procurar o leite no frigorifico.
- Segunda porta de baixo. - respondi, mirando-o de canto. Continuei a procurar o leite, mas não o encontrei. Não havia leite. - Bem, afinal de contas não há leite. - disse encostando-me à porta do frigorifico.
Ele olhou para mim com cara de preverso e eu ri-me.
- Desse aí só se quiseres por no teu, no meu não pões Tomlinson. - bati-lhe no ombro e guardei as taças.
- Eu preparo alguma coisa para nós comermos. - sorriu arregaçando as mangas - Gostas de crepes? - Acenei com a cabeça que sim e fui buscar a Minnie à sala, sentando-me com ela ao meu colo, no balcão.
- Vamos lá ver o que o menino sabe fazer.
O tempo foi passando e eu ía-me rindo das figuras dele. No fim lá provamos:
- Huumm... Bleck! - engoli à força aquele bocado de crepe - Tomlinson, nunca vais para a minha cozinha! Eu posso não cozinhar bem, mas tu...porra! - ele ria-se da minha cara, e eu acabei por me rir com ele também.
- Está assim tão mau?! - questionou surpreso.
- Prova que ves! - Empurrei-lhe o prato. Ele deu uma trinca e fez uma careta pior que sei lá bem o quê.
- Não está tão mau assim, pois não?! - disse irónica. Ele riu-se e eu procurei um pacote de bolachas que de certeza que tinha que ter, tal como o sumo.
- Já que tu não tens jeitinho nenhum para a cozinha e eu não tenho leite, comesse disto. - sentei-me ao lado dele.
Começamos a fazer zapping até encontrarmos alguma coisa de jeito para ver. O frio começou a dominar a minha casa e decidi ir buscar algumas mantas para nos cobrirmos.
O tempo foi passando e passando, e estávamos os dois encostadinhos um ao outro. Eu tinha a cabeça encostada no seu ombro e ele acariciava as minhas mãos. O tempo continuou a passar, até que acabamos ambos por adormecer.
(...)
o meu telemóvel começou a tocar aos berros, acordando-me. Procurei por todo o lado o meu telemóvel, mas não o encontrei. Esfreguei e abri os meus olhos. Eu supostamente, tinha dormecido no sofá com o Tomlinson ao meu lado. Supostamente! As paredes azuis do meu quarto eram inconfundíveis com as brancas da sala. Olhei para o lado e não tinha ninguém ao meu lado.
"Que é feito do moço?" pensei, descendo as escadas enrolada no robe. Cheguei à cozinha e reparei em algumas coisas em cima da mesa. Aproximei-me.
"Bom dia, Natt! :D
p.s já tens leite xx
Tomlinson " Estava escrito num post-it colado num pacote de leite.
Subi novamente e vesti-me (link externo). Saí rapidamente de casa e apanhei o autocarro mesmo a tempo. Cheguei à escola e a manhã passou como sempre. de tarde não tinha aulas, por isso aprecei-me a percorrer o caminho de sempre. Sabia que iria chegar atrasada, a não ser que o tempo parasse cinco minutos. O professor não nos queria deixar sair. Senti um carro a seguir-me o que fez com que eu apressasse o passo. O carro acelerou e pôs-se ao meu lado, abrindo o vidro.
- Queres boleia? - Alguém perguntou.
- Não, obriga... - disse antes de reparar quem estava ao meu lado.
- Entra. - assim ele ordenou. Assim o fiz. - Para o sítio do costume?
- Sim. Despacha-te por favor. - disse a paisagem.
- Ela tá melhor? - perguntou com os olhos na estrada.
- Não... - respondi honestamente.
- Se precisares, já sabes. - Ele parou o carro há porta. Abri a porta e saí. - Um beijo a mim se faz favor. - pediu sorrindo abrindo o vidro. Entrei novamente e dei-lhe um beijinho na bochecha, desaparecndo por dentro do hospital.
- Já está a chamar por ti à 10 minutos. - disse a Amélia antes de entrar no quarto.
- Hoje não consegui chegar a horas. - suspirei por fim, enquanto percorríamos o corredor.
- NATT! NATT! MINHA FILHA! NATT! - ouvia-se ela a gritar.
Entramos no quarto e eu aproximei-me dela.
- Já estou aqui, mãe.
-
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